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Com cerca de 18.340 satélites acumulados na órbita terrestre ameaçando os registros do universo, cientistas criaram uma câmera neuromórfica que reage apenas a variações de brilho
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 03/09/2026 às 23:21
Atualizado em 03/09/2026 às 23:25
Ciência e Tecnologia
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Pesquisadores da Universidade de Warwick criaram uma câmera neuromórfica para alertar observatórios antes que parte dos 18.340 satélites em órbita cruze o campo de visão dos telescópios e estrague imagens do espaço profundo.
Impacto do tráfego espacial nas observações astronômicas
A passagem de um satélite dura poucos segundos, mas pode deixar rastros brilhantes e inutilizar horas de captação de luz de galáxias distantes em exposições longas.
Estimativas da Agência Espacial Europeia de junho de 2026 indicam 18.340 satélites em órbita, dos quais cerca de 16.000 permanecem em funcionamento. O aumento do tráfego espacial pressiona astrônomos a buscarem métodos de antecipação.
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Paulo Nogueira
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Em apresentação no National Astronomy Meeting 2026, no Reino Unido, em 21 de julho, o pesquisador James Blake afirmou que a gestão do tráfego espacial não acompanha o ritmo de lançamentos.
Os artefatos causam interferência de rádio e poluição luminosa. Mike Peel, pesquisador do Imperial College London, destacou na conferência que a Starlink afeta todo o espectro eletromagnético.
Pesquisas de campo amplo são as mais atingidas. Medidas para reduzir a refletividade e melhorar o rastreamento continuam imperfeitas, pois a falta de regras obrigatórias e as variações de movimento tornam as previsões não confiáveis.
Funcionamento da câmera neuromórfica inspirada em retinas
O novo sistema substitui dados de rastreamento externos por um sensor baseado em retinas biológicas. Sensores comuns gravam quadros inteiros em intervalos fixos, enquanto a câmera neuromórfica responde apenas a variações de brilho nos pixels.
Uma estrela fixa quase não gera registros, mas o deslocamento de um satélite dispara uma sequência rápida de eventos. Instalado ao lado do telescópio, o dispositivo monitora uma área maior para prever trajetórias.
“Temos um sistema responsivo, onde em tempo quase real você atua sobre o que está vendo no céu noturno em vez de depender de informações antigas”, explicou Blake.
Testes confirmados e limitações de tempo da tecnologia
A detecção alguns graus antes de o objeto entrar no campo de visão concede apenas alguns segundos de reação. Esse tempo permite fechar o obturador, atrasar a captura ou alterar o alvo.
O projeto passará por testes no observatório do campus da Universidade de Warwick. Em seguida, a tecnologia será levada para instalações localizadas em La Palma, nas Ilhas Canárias.
Fonte: Daily Galaxi
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

