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Aos 30 anos, homem acumula dívida de R$ 200 mil e passa a trabalhar das 5h45 até depois das 23h, vendendo café, fazendo geladinhos, dirigindo por aplicativo e preparando hambúrgueres
Escrito por Débora Araújo
Publicado em 08/09/2026 às 11:31
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Henderson Batista, de 30 anos, vende café no semáforo, produz geladinhos, trabalha como motorista de aplicativo e prepara hambúrgueres à noite para tentar quitar dívida que surgiu após problemas em grupo de consórcio.
Quando o relógio marca 5h45, Henderson Batista já está começando uma jornada que, em alguns dias, só termina depois das 23h. Aos 30 anos, o morador de Goiânia transformou praticamente todas as horas disponíveis do dia em oportunidades para ganhar dinheiro.
Pela manhã, vende café no semáforo. Depois, divide o tempo entre a produção de geladinhos e as corridas como motorista de aplicativo. Quando anoitece, troca novamente de atividade e começa a vender hambúrgueres. Por trás da rotina intensa está uma dívida que, segundo ele, chegou a aproximadamente R$ 200 mil.
A história foi publicada pelo Mais Goiás em 2 de setembro de 2026. Henderson contou ao portal que o endividamento surgiu depois que participantes de um grupo de consórcio organizado por ele deixaram de realizar os pagamentos. Como responsável pelo grupo, decidiu assumir parte dos valores para evitar prejuízos aos demais integrantes. “Não fugi da responsabilidade. Estou correndo atrás de pagar esse pessoal”, afirmou.
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Problema começou em um grupo com 50 participantes
Antes da dívida, Henderson já possuía uma longa história trabalhando por conta própria. Ele conta que começou muito cedo. Aos 5 anos, ajudava feirantes em Goiânia e continuou trabalhando em feiras até os 16. Nesse período, vendeu balas, brinquedos e capinhas para celular. Com o tempo, conseguiu montar a própria banca. Foi nessa trajetória que surgiu outra atividade: a organização de grupos semanais de consórcio.
Inicialmente, as cotas eram de R$ 100. Conforme os grupos cresceram, passaram para R$ 300, R$ 500 e, posteriormente, R$ 1 mil. Henderson também chegou a abrir uma tabacaria, aumentando sua renda e permitindo que os valores movimentados nos grupos crescessem. Segundo ele, os consórcios anteriores transcorreram normalmente. O problema apareceu no último.
Um participante deixou de pagar três cotas
O último grupo reunia 50 pessoas, cada uma participando com cotas de R$ 1 mil. Um dos participantes possuía três cotas, mas deixou de fazer os pagamentos. Henderson afirma que, como organizador, decidiu assumir esses valores para impedir que os outros integrantes fossem prejudicados. Durante algum tempo, conseguiu usar o próprio dinheiro para manter os compromissos. Até que os recursos terminaram.
Foi então que ele começou a pegar dinheiro emprestado para cobrir as parcelas. A situação ficou ainda mais complicada quando, de acordo com seu relato, outra participante foi presa e também deixou de pagar sua cota. Somando os valores assumidos e os empréstimos feitos para manter os pagamentos, Henderson afirma que o prejuízo chegou a aproximadamente R$ 200 mil. A partir daquele momento, sua rotina mudou completamente.
Às 6h, ele já está vendendo café no semáforo
O primeiro trabalho do dia começa pouco depois de Henderson acordar. Ele segue para a Avenida Manchester, no Jardim Novo Mundo, em Goiânia, onde vende café em um semáforo. O movimento começa aproximadamente às 6h e permanece intenso até por volta das 8h.
Henderson não trabalha sozinho. Sua mãe também participa das vendas e fica em outro ponto da avenida atendendo clientes enquanto o filho trabalha no sinal. Atualmente, os dois comercializam café, embora ele planeje acrescentar pão de queijo e outros lanches.
Segundo Henderson, as duas horas de trabalho pela manhã rendem entre R$ 130 e R$ 200 por dia. Descontadas as despesas, ele estima obter aproximadamente R$ 500 livres por semana com a atividade. nE esse é apenas o primeiro trabalho do dia.
Depois do café vêm os geladinhos e as corridas
Por volta das 9h, Henderson retorna para casa. Começa então a segunda parte da jornada. Dependendo do dia, ele produz geladinhos ou sai para trabalhar como motorista de aplicativo. As duas atividades acabaram sendo combinadas. Os geladinhos são colocados em uma caixa térmica e vendidos durante as próprias corridas realizadas pelo aplicativo. Cada unidade custa R$ 10.
Assim, os passageiros também podem se transformar em clientes. Henderson mantém essa rotina durante boa parte do dia. Por volta das 16h30, retorna novamente para casa. Mas não para descansar. É hora de se preparar para o quarto trabalho.
Às 18h começa a venda de hambúrgueres
Quando chega a noite, Henderson muda novamente de atividade. A partir das 18h, ele vende hambúrgueres na Avenida Anápolis, na Vila Pedroso, em Goiânia. O negócio começou pequeno. Nos primeiros dias, segundo ele, eram aproximadamente 20 hambúrgueres vendidos diariamente. Atualmente, afirma conseguir comercializar cerca de 70 unidades em alguns dias.
A clientela também começou a reconhecer seu ponto de venda. Em determinadas noites, Henderson diz encontrar consumidores esperando antes mesmo do início do atendimento. Isso não significa, entretanto, que o movimento seja sempre igual. “Tem dia que é ótimo e tem dia horrível”, resumiu ao Mais Goiás.
Faturar R$ 2 mil não significa colocar R$ 2 mil no bolso
A quantidade de vendas pode produzir números aparentemente elevados, mas Henderson explica que boa parte do faturamento precisa retornar imediatamente para o negócio. Em um dia no qual consegue faturar R$ 2 mil, por exemplo, aproximadamente R$ 1 mil podem ser necessários para repor mercadorias. O restante é direcionado principalmente ao pagamento dos credores. “O que sobra da venda do dia, eu mando para alguém que estou devendo”, contou.
É dessa forma que ele tenta reduzir gradualmente o valor acumulado. Café pela manhã. Geladinhos e corridas durante o dia. Hambúrgueres à noite. Quando finalmente encerra as vendas, o relógio pode já ter passado das 23h. No dia seguinte, tudo começa novamente às 5h45.
Pressão da dívida levou Henderson a um momento de desespero
A reportagem também revela um dos períodos mais delicados enfrentados pelo trabalhador. Henderson contou que a pressão financeira e o tamanho da dívida chegaram a levá-lo a pensar em tirar a própria vida. Foi quando o apoio da mãe se tornou ainda mais importante. “Minha mãe me criou homem, me ajuda demais”, afirmou.
A relação entre os dois vem desde o nascimento de Henderson. Segundo ele, o pai deixou a família quando sua mãe ainda estava grávida. Henderson nasceu prematuro, aos sete meses de gestação, pesando 1,72 quilo. A mãe assumiu sua criação e permaneceu como sua principal referência. Décadas depois, está novamente ao lado do filho — agora vendendo café com ele nas primeiras horas da manhã.
Um carro também precisou ser deixado para depois
Antes dos problemas financeiros, Henderson tinha outros planos. Ele conta que chegou a juntar dinheiro suficiente para comprar um carro. Quando a situação do consórcio se complicou, porém, o valor reservado para o veículo precisou ser usado para cobrir pagamentos.
O automóvel voltou a ser um objetivo para o futuro. Antes dele existe uma prioridade muito maior: eliminar as dívidas. Henderson também pretende investir na produção de conteúdo para redes sociais. Um de seus planos é trocar o celular para melhorar a qualidade dos vídeos que publica. Mas tudo depende de conseguir reorganizar sua vida financeira.
Fonte
Mais Goiás
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Débora Araújo.

