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Com apenas 17 anos, estudante surpreende ao transformar uma “gosma preta” magnética em robô com IA capaz de caçar plástico na água e vence prêmio internacional
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 09/09/2026 às 14:50
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Um estudante canadense desenvolveu um robô para retirar partículas de plástico da água e conquistou o Prêmio Júnior da Água de Estocolmo de 2026.
Moroti Adegboyega dominava principalmente software e programação quando decidiu levar uma ideia ambiental para além da tela do computador. Para construir um equipamento capaz de retirar resíduos plásticos da água, o estudante de St. John’s, em Terra Nova e Labrador, precisou aprender também robótica, ciência da água e engenharia ambiental.
O esforço resultou na Ecoferroquatics e, em 25 de agosto de 2026, levou o jovem ao primeiro lugar em uma competição internacional realizada na Suécia.
Adegboyega está prestes a ingressar no 12º ano no St. Bonaventure’s College. Sua solução foi escolhida no Prêmio Júnior da Água de Estocolmo, que reúne trabalhos de jovens pesquisadores e, nesta edição, recebeu representantes nacionais de mais de 40 países.
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Projeto nasceu da necessidade de fazer o plástico responder a ímãs
A Ecoferroquatics trabalha com uma propriedade que o plástico normalmente não possui: atração magnética.
Para chegar a esse resultado, o sistema utiliza ferrofluido biodegradável, um líquido que contém partículas capazes de responder à presença de um campo magnético. A tecnologia permite preparar o resíduo para que ele possa posteriormente ser retirado com auxílio de ímãs.
A inteligência artificial entra na operação do robô para orientar a identificação e a coleta do material. O projeto foi pensado para atuar de maneira seletiva, tentando diminuir o risco de atingir organismos presentes no mesmo ambiente.
Em entrevista concedida à Associação para o Meio Ambiente Aquático de Ontário (WEAO) antes da viagem à Suécia, Adegboyega explicou a lógica de maneira simples: o objetivo é fazer com que o plástico adquira comportamento magnético e, depois, removê-lo da água.
Assista o vídeo
Teste em piscina colocou diferentes plásticos diante do protótipo
A capacidade do equipamento foi avaliada em um ambiente controlado, com polímeros de diferentes dimensões colocados na água. Ao final de nove testes, o robô registrou eficiência de remoção de 51,85%.
A experiência funcionou como uma prova de conceito para verificar se a combinação de automação e magnetismo conseguia efetivamente retirar parte do material disponível. Outra medição apontou uma coleta média de 1,73 partícula de plástico por minuto.
Os ensaios não foram realizados diretamente em rios ou oceanos. Os resultados, portanto, correspondem às condições controladas utilizadas para avaliar o funcionamento inicial da tecnologia.
Partículas menores mostraram uma vantagem sobre a peneiração
Um dos pontos observados apareceu quando o protótipo foi comparado a uma peneira simples. De acordo com os organizadores, a Ecoferroquatics teve desempenho superior na retirada de algumas partículas menores, incluindo materiais próximos da escala de microplásticos.
A diferença expôs uma limitação de métodos mecânicos mais grosseiros: fragmentos pequenos podem atravessar as aberturas usadas para fazer a separação.
Esse problema tende a aumentar conforme o plástico permanece no ambiente. Resíduos maiores podem se fragmentar progressivamente depois de chegar à água, dando origem a partículas difíceis de recolher com equipamentos convencionais.
Animais aquáticos estão entre as preocupações do sistema
A escolha por uma abordagem seletiva também está ligada ao impacto que determinadas formas de limpeza podem provocar. Redes, filtros e arrastões conseguem retirar resíduos, mas podem exigir grande quantidade de trabalho e também atingir organismos que não são o alvo da operação.
A Ecoferroquatics foi concebida para tentar reduzir essa interferência enquanto concentra a coleta no plástico.
A presença dessas partículas em ambientes aquáticos representa outro risco. Animais podem ingeri-las, permitindo que o material percorra diferentes níveis das cadeias alimentares e também transporte ou absorva contaminantes.
Vitória rendeu US$ 15 mil e troféu entregue em Estocolmo
O reconhecimento internacional veio durante a Semana Mundial da Água, realizada em Estocolmo. Ao vencer o Prêmio Júnior da Água de Estocolmo de 2026, o estudante recebeu US$ 15 mil e um troféu com temática aquática. A entrega foi feita pela Princesa Herdeira Vitória da Suécia.
A competição internacional é realizada desde 1997 e aceita pesquisas produzidas por estudantes entre 15 e 20 anos. Os trabalhos podem abordar áreas como proteção de recursos hídricos, qualidade da água, tratamento de esgoto e diferentes tecnologias relacionadas ao uso e à preservação desse recurso.
Canadá já levou outros projetos de jovens pesquisadores ao topo
Adegboyega não foi o primeiro representante canadense a vencer a disputa. Em 2010, Alexandre Allard e Danny Luong conquistaram o prêmio com uma pesquisa voltada a bactérias capazes de degradar poliestireno.
Quatro anos depois, Hayley Todesco foi reconhecida por um trabalho que utilizava filtros de areia no tratamento de água contaminada por petróleo.
Já em 2022, Annabelle Rayson venceu ao estudar como determinadas espécies de zooplâncton e técnicas de biomanipulação poderiam ajudar a impedir proliferações prejudiciais de algas. A investigação começou depois que ela observou os efeitos do fenômeno sobre a atividade pesqueira exercida pelo pai.
Outros dois trabalhos receberam reconhecimento em 2026
A edição conquistada por Adegboyega também destacou soluções desenvolvidas por jovens de outros países. O Prêmio Escolha do Público foi entregue a Basmala Diab, do Egito, por um sistema que utiliza palha de arroz e milho transformada em carvão ativado para aplicação em células de combustível microbianas.
A proposta busca unir tratamento de águas residuais e geração de eletricidade utilizando microrganismos naturais. A húngara Laura Ivanka recebeu o Diploma de Excelência. Seu projeto foi desenvolvido para auxiliar mergulhadores na retirada de macroplásticos de ambientes marinhos.
Estudante vê prêmio como etapa para aperfeiçoar a tecnologia
A viagem para Estocolmo não era tratada por Adegboyega como o encerramento da Ecoferroquatics. Antes da competição, ele afirmou à WEAO que esperava justamente ouvir avaliações críticas de especialistas internacionais em recursos hídricos.
A intenção era identificar limitações e descobrir como o projeto poderia continuar evoluindo. Esse próximo passo passa por uma tecnologia que ainda está em fase de desenvolvimento, mas já demonstrou funcionamento em testes controlados.
Para o estudante, a conquista internacional chegou depois de um percurso que começou na programação e exigiu aprendizado em novas áreas científicas. A experiência transformou uma ideia de software em um protótipo físico e colocou Adegboyega diante de pesquisadores de dezenas de países para decidir o que fazer a seguir com a Ecoferroquatics.
Fonte
ES&E Magazine
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

