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Produtores de Mato Grosso do Sul mudam o que plantam após ataques de javalis selvagens destruírem áreas de milho, enquanto a pressão dos animais já alcança também lavouras de soja no Centro-Oeste brasileiro
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 10/09/2026 às 18:57
Atualizado em 10/09/2026 às 18:58
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Em áreas mais afetadas pelos ataques, agricultores passaram a reduzir o cultivo de milho e ampliar o plantio de sorgo granífero, uma alternativa considerada menos vulnerável, enquanto reforçam cercas, valas e outras medidas para proteger a produção.
Os javalis selvagens estão deixando de ser apenas uma ameaça eventual para produtores rurais e começam a interferir diretamente na escolha do que será plantado em algumas regiões brasileiras.
Em Mato Grosso do Sul, ataques recorrentes durante a segunda safra já fizeram produtores abandonar o milho em determinados pontos e migrar para o sorgo, enquanto em Mato Grosso os animais também preocupam agricultores que se preparam para a nova safra de soja.
Em Mato Grosso do Sul, javalis já fazem produtores repensar o plantio do milho
A situação ganhou destaque durante o acompanhamento da segunda safra 2025/2026 feito pela Aprosoja/MS, que identificou prejuízos causados por javalis e outros suiformes em propriedades rurais, principalmente no oeste do estado.
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Segundo a entidade, os ataques chegaram a um ponto em que alguns produtores passaram a substituir o milho pelo sorgo granífero nas áreas mais atingidas, tentando reduzir a exposição das lavouras aos animais.
A mudança chama atenção porque o problema deixa de aparecer somente depois do ataque. Agora, a presença dos javalis começa a entrar no cálculo feito antes mesmo de o agricultor decidir o que colocar no solo.
Mais de 1,6 milhão de hectares de milho estavam sendo acompanhados no estado
Até 21 de agosto de 2026, a colheita do milho segunda safra havia alcançado aproximadamente 75,1% da área monitorada em Mato Grosso do Sul, equivalente a cerca de 1,66 milhão de hectares.
Foi durante esse acompanhamento que técnicos identificaram propriedades onde a pressão dos animais vinha provocando perdas e incentivando a busca por culturas consideradas menos vulneráveis em determinados locais.
Não significa que todo produtor sul-mato-grossense esteja abandonando o milho, mas mostra que, em áreas específicas, a presença dos javalis já consegue alterar decisões produtivas.
Problema também aparece em Mato Grosso e alcança áreas destinadas à soja
A preocupação não está restrita ao estado vizinho. Em Mato Grosso, produtores também vêm relatando danos provocados por javalis em áreas agrícolas.
Zilto Donadello, coordenador da Comissão de Meio Ambiente da Famato, explicou que os animais podem entrar em áreas recém-plantadas, revolver o solo, desenterrar sementes e prejudicar o desenvolvimento inicial da soja.
Isso representa um problema especialmente delicado porque o ataque pode acontecer justamente quando o agricultor acabou de investir em sementes, máquinas, combustível, mão de obra e preparo do solo.
Um grupo pode destruir em poucas horas o trabalho feito durante semanas
Os javalis se deslocam em grupos e possuem força suficiente para romper cercas, atravessar áreas cultivadas e revolver grandes porções do terreno durante a busca por alimento.
Milho, soja e outras culturas agrícolas podem se transformar em fontes fáceis de alimento, principalmente quando os animais encontram uma propriedade com acesso pouco protegido.
Além daquilo que efetivamente comem, existe o dano provocado pelo pisoteio e pela movimentação do solo, fazendo com que o prejuízo seja maior do que a quantidade de plantas consumidas.
Cercas e até valas de terra aparecem entre as tentativas de proteger as propriedades
A dificuldade de impedir a entrada dos animais fez produtores brasileiros recorrerem a diferentes formas de proteção.
O próprio Ibama cita entre as medidas de manejo ambiental a construção de cercas e de valas destinadas a limitar o acesso ou a circulação dos javalis em determinadas áreas.
As trincheiras funcionam como uma barreira física permanente e possuem a vantagem de não depender de eletricidade ou acionamento durante a madrugada, embora exijam máquinas, espaço e manutenção.
Mas apenas empurrar os javalis para outra propriedade não resolve o problema
Especialistas do setor rural destacam que ações isoladas podem ter efeito limitado quando propriedades vizinhas continuam oferecendo alimento e abrigo aos animais.
Um grupo impedido de acessar uma plantação pode simplesmente mudar de direção e atacar a fazenda ao lado, mantendo a população ativa na mesma região.
Por isso, entidades rurais defendem ações coordenadas entre produtores, combinando proteção das lavouras, monitoramento e métodos de controle autorizados.
Ibama considera o javali uma espécie exótica invasora no Brasil
O javali não é uma espécie nativa brasileira. O Ibama o classifica como espécie exótica invasora e mantém regras específicas para seu manejo e controle em vida livre.
O problema envolve não apenas perdas econômicas. Javalis podem competir com espécies nativas, danificar ambientes naturais e atuar como reservatórios de agentes capazes de afetar animais domésticos.
O órgão registra ocorrência dos animais em diferentes regiões do país e destaca que os danos podem ser particularmente graves para propriedades rurais menores, onde uma perda concentrada pesa muito mais sobre a renda.
O avanço dos animais começa a mudar até o que o produtor decide plantar
O caso de Mato Grosso do Sul mostra uma nova dimensão do problema.
Quando um agricultor deixa de plantar milho em determinada área e passa para o sorgo porque teme novos ataques, o javali já não está apenas destruindo parte da safra: está influenciando a estratégia produtiva da propriedade.
Entre trincheiras, cercas, monitoramento e controle populacional, o campo brasileiro tenta se adaptar a um animal capaz de aparecer durante a madrugada e provocar em poucas horas um prejuízo que pode acompanhar o produtor durante toda a safra.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

