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Agricultora do Paraná se recusa a vender as 48 vacas mesmo após dificuldades, começa queijaria com apenas 4 litros de leite, dá a volta por cima e acaba conquistando Super Ouro e 11 medalhas nacionais
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 13/09/2026 às 09:28
Atualizado em 13/09/2026 às 09:50
Agronegócio
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Após ver a renda do leite deixar de cobrir as despesas, Rosane Borosky começou com quatro litros, criou o Queijo da Motta e hoje produz até 380 quilos mensais, acumulando medalhas estaduais e nacionais importantes
Em 2023, Rosane Borosky temia precisar vender as vacas da família em Marechal Cândido Rondon, no Paraná. A saída começou com quatro litros de leite transformados no Queijo da Motta. Hoje, a agroindústria produz até 380 quilos mensais e acumula medalhas estaduais e nacionais.
Queijo da Motta surgiu quando renda do leite já não cobria as despesas
Em agosto de 2023, Rosane e o marido, Genilson, enfrentavam dificuldades para manter as contas da propriedade rural da família, localizada no Oeste do Paraná.
O casal possuía 48 vacas e produzia aproximadamente 1,3 mil litros de leite por dia. Mesmo com esse volume, o aumento dos custos havia pressionado a atividade, e a renda já não era suficiente para pagar as despesas.
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Rosane não queria vender o rebanho. Segundo ela, durante uma oração em busca de uma solução, surgiu a ideia de produzir queijo com o leite da própria propriedade.
A primeira experiência utilizou apenas quatro litros. A peça recebeu o nome de Queijo da Motta, uma homenagem à avó da produtora, e foi entregue a uma conhecida para avaliação.
Com a aprovação inicial, Rosane começou a oferecer o produto a familiares e amigos. A experiência doméstica acabou se transformando na Queijaria Meu Propósito.
Atualmente, a produção varia entre 250 e 380 quilos de queijo por mês, dependendo da demanda. A agroindústria passou a representar uma das principais fontes de renda da família.
Luto, dificuldades no rebanho e capacitação antecederam a criação da queijaria
Neta e filha de agricultores, Rosane vive desde que nasceu na propriedade familiar em Marechal Cândido Rondon. Sua decisão de manter as atividades rurais também esteve ligada a um período pessoal difícil, após a perda de um filho.
Convidada pela irmã, ela participou de um treinamento para pecuaristas em Castro, nos Campos Gerais. Rosane afirma que a experiência ajudou a retomar seus planos e reforçou sua decisão de continuar trabalhando com o gado leiteiro herdado dos pais.
O marido trabalhava fora, mas posteriormente os dois passaram a cuidar juntos do rebanho. Um problema na formulação da alimentação das vacas, porém, comprometeu os animais.
Parte do rebanho precisou ser vendida e a família enfrentou dificuldades para pagar as contas. Foi nesse cenário que a transformação do leite em queijo passou a ser uma alternativa para manter a atividade.
Sem dinheiro para construir uma agroindústria do zero, a família adaptou uma estrutura já existente na propriedade.
Rosane também buscou capacitação. Participou de um curso de derivados de leite oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, o Senar, além de um projeto de queijos finos realizado em Toledo, no Paraná.
Produção saltou de quatro litros para três batidas de 200 litros
As primeiras vendas ocorreram para conhecidos, familiares e consumidores de eventos locais. No início de 2024, Rosane foi impedida de participar de uma feira por não possuir produtos classificados como coloniais.
Posteriormente, recebeu um novo convite. O evento passou a funcionar como uma das principais formas de apresentar os queijos diretamente aos consumidores.
A escala também mudou. O processo iniciado com quatro litros aumentou primeiro para dez litros. Atualmente, nos períodos de maior procura, Rosane chega a realizar três batidas de 200 litros em apenas um dia de produção.
Outro avanço ocorreu em fevereiro de 2025. A agroindústria recebeu o Serviço de Inspeção Municipal de Produtos de Origem Animal, o SIMPOA, licença sanitária municipal para derivados de leite.
A regularização ampliou a segurança para comercializar os produtos e abriu caminho para a participação da queijaria em competições estaduais.
Queijo da Motta recebe Super Ouro e demanda passa a superar capacidade
Em 2025, o Queijo da Motta, feito com leite de vacas Jersey, alcançou nota 98,45 no Prêmio Queijos do Paraná. O resultado garantiu o Super Ouro, principal distinção da competição.
O efeito sobre as vendas foi imediato. Rosane conta que, no dia seguinte à premiação, todo o estoque disponível na feira terminou.
A família também participou do Prêmio Queijo Brasil em 2025. Cinco produtos foram enviados e quatro receberam medalhas. O Queijo da Motta conquistou prata, enquanto três produtos maturados receberam bronze.
Rosane ainda foi reconhecida como produtora destaque do município de Marechal Cândido Rondon.
Na edição de 2026 da competição nacional, a participação aumentou. A família enviou 14 produtos, e 11 conquistaram medalhas: três de ouro, quatro de prata e quatro de bronze.
O crescimento da procura criou um novo problema. Segundo Rosane, existem novos pontos de venda aguardando produtos, mas será necessário elevar a produção para atender todos.
Um chalé está em fase final de construção em frente à agroindústria para receber consumidores e ampliar as vendas.
A expansão também levou a família a dividir funções entre manejo das pastagens, produção e demais atividades da propriedade.
Rosane afirma que, apesar de já ter dito que nunca trabalharia com queijo, hoje considera a agroindústria seu lugar de paz e também um espaço de desafios constantes.
Esta matéria foi elaborada com base no material-base fornecido sobre Rosane Borosky e a Queijaria Meu Propósito, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.
Fonte
https://www.gazetadopovo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

