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Após passar quatro anos sob investigação, ter suas principais redes sociais bloqueadas e abandonar o antigo tom político explosivo, Luciano Hang recebe de Alexandre de Moraes a decisão que encerra o caso sobre os bloqueios da BR-470 e reage de forma inesperadamente discreta após permanecer em silêncio sobre o processo iniciado nas eleições de 2022
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 17/09/2026 às 00:53
Atualizado em 17/09/2026 às 01:30
Economia
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Dono da Havan foi colocado sob suspeita de apoiar bloqueios na BR-470 após as eleições de 2022, perdeu acesso às principais redes sociais e atravessou quatro anos de investigação até Alexandre de Moraes tomar uma decisão que mudou o desfecho do caso — mas a reação escolhida pelo empresário chamou tanta atenção quanto o arquivamento por falta de provas
Durante anos, Luciano Hang transformou aparições públicas, vídeos e transmissões ao vivo em uma extensão de sua atuação política. O empresário catarinense defendia abertamente suas posições e não evitava embates com adversários.
Contudo, esse comportamento mudou depois das eleições presidenciais de 2022.
Hang reduziu as manifestações políticas, moderou o discurso e passou a concentrar suas declarações nos negócios, na expansão da Havan e nos resultados alcançados pela rede varejista.
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Enquanto o empresário adotava uma postura mais reservada, um processo seguia seu caminho no Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação buscava esclarecer se a Havan havia apoiado os bloqueios realizados na BR-470, em Rio do Sul, Santa Catarina, após o segundo turno das eleições de 2022.
Quatro anos depois, o ministro Alexandre de Moraes determinou o arquivamento do caso por falta de provas. A decisão encerrou uma investigação que colocou Hang novamente no centro de um dos períodos políticos mais tensos do país.
Investigação começou após bloqueios registrados na BR-470
Os bloqueios em rodovias brasileiras começaram depois da confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022.
Manifestantes ocuparam estradas em diferentes estados para contestar o resultado das urnas. Em Santa Catarina, uma das mobilizações aconteceu na BR-470, importante corredor logístico que atravessa o Vale do Itajaí.
A investigação analisava a possibilidade de apoio empresarial ao movimento registrado em Rio do Sul. Como Luciano Hang era conhecido pela proximidade política com Bolsonaro, o empresário entrou no radar das autoridades.
Assista o vídeo
No entanto, a apuração não encontrou provas suficientes para demonstrar que a Havan financiou ou forneceu suporte aos bloqueios.
Assim, Moraes determinou o arquivamento. A medida significa que os elementos reunidos não sustentaram o prosseguimento da investigação ou uma responsabilização criminal do empresário naquele caso.
Segundo a publicação original do ND Mais, Hang declarou que recebeu a decisão com satisfação.
“Estamos felizes que a Justiça foi feita”, afirmou o empresário. Ele também disse que permaneceu durante todo o período com a “consciência tranquila”.
Redes sociais de Luciano Hang chegaram a ser bloqueadas
A investigação sobre os bloqueios rodoviários não representou o único problema enfrentado pelo empresário no período.
Luciano Hang também teve contas no X, Instagram, TikTok e YouTube bloqueadas por ordem de Alexandre de Moraes. Naquele momento, as autoridades investigavam mensagens atribuídas a um grupo de empresários no WhatsApp.
As suspeitas envolviam discussões consideradas antidemocráticas e possíveis manifestações favoráveis a uma ruptura institucional caso Lula vencesse as eleições.
O bloqueio retirou temporariamente do empresário justamente uma de suas principais ferramentas de comunicação. Antes da medida, Hang utilizava as redes sociais para comentar política, defender candidatos e falar diretamente com milhões de seguidores.
A investigação relacionada ao grupo de empresários também acabou arquivada em 2023.
Em setembro de 2024, Moraes autorizou Hang a recuperar o acesso aos seus perfis. Dessa forma, o empresário voltou às plataformas, mas já demonstrava um comportamento público diferente daquele visto durante as eleições anteriores.
Empresário trocou embates políticos por discursos sobre negócios
A mudança não significou o desaparecimento completo de Luciano Hang do debate público. Entretanto, o dono da Havan passou a escolher com mais cautela os assuntos, os eventos e os ambientes nos quais se manifesta.
Antes, entrevistas e transmissões políticas faziam parte de sua rotina. Depois de 2022, os temas econômicos ganharam mais espaço.
Hang passou a falar principalmente sobre varejo, geração de empregos, investimentos, abertura de lojas e desempenho da Havan. Ao mesmo tempo, evitou confrontos diretos frequentes com o governo federal e integrantes do Judiciário.
Essa transformação também coincidiu com uma maior participação dos três filhos do empresário nas discussões relacionadas ao futuro da companhia.
A Havan nasceu em Brusque, Santa Catarina, e cresceu apoiada na imagem pessoal de seu fundador. Por isso, qualquer movimento sucessório exige uma transição cuidadosa entre a figura pública de Hang e a estrutura administrativa da empresa.
O arquivamento determinado por Moraes permite que o empresário encerre mais uma frente jurídica sem denúncia ou condenação relacionada aos bloqueios da BR-470.
Ainda assim, os quatro anos de investigação mostram como decisões judiciais podem produzir consequências imediatas para pessoas e empresas antes da conclusão definitiva dos processos.
Arquivamento não equivale a julgamento de absolvição
Embora o empresário tenha comemorado o resultado, existe uma diferença jurídica importante entre arquivamento e absolvição.
A absolvição acontece depois que uma acusação passa por julgamento. Já o arquivamento ocorre quando a investigação não reúne elementos suficientes para avançar ou sustentar uma denúncia.
Nesse caso, portanto, Hang não chegou a ser condenado pelo suposto apoio aos bloqueios. Além disso, a apuração terminou sem provas capazes de justificar a continuidade do procedimento.
O episódio também reacende o debate sobre o impacto de medidas cautelares, especialmente quando elas incluem o bloqueio de perfis utilizados para comunicação pessoal, política e empresarial.
Para Hang, a reação veio no estilo que adotou nos últimos anos: sem convocar grandes atos, sem retomar o tom explosivo do passado e sem transformar a decisão em uma nova campanha política.
Após quatro anos, o empresário escolheu uma declaração curta. Celebrou o arquivamento, reafirmou que estava tranquilo e voltou sua atenção aos negócios.
A questão que permanece é: o arquivamento fará Luciano Hang retomar o protagonismo político de antes ou o dono da Havan continuará concentrado na empresa e na preparação de seus sucessores?
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Caio Aviz
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

