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2 homens pulam no Rio Piracicaba para tirar vereador que caiu de ponte gravando vídeo
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 21/09/2026 às 00:57
Atualizado em 21/09/2026 às 00:58
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Um vereador sentou no parapeito da Ponte Pênsil para gravar um vídeo, perdeu o equilíbrio e sumiu na correnteza marrom do Rio Piracicaba cheio, até que um motorista de aplicativo que esperava uma corrida e outro homem entraram na água e o puxaram, desacordado, para o barranco
O vídeo do resgate começa com botas de bombeiro na terra molhada, a poucos metros do Rio Piracicaba. No chão, sobre uma maca amarela, o vereador Fabrício Polezi (PL) recebe atendimento, coberto por uma manta térmica, na manhã de 16 de setembro de 2026, em Piracicaba (SP).
Minutos antes, ele tinha subido na Ponte Pênsil para gravar um vídeo sobre a Rua do Porto, ponto turístico da cidade. Caiu na água, foi arrastado pela correnteza e só saiu do rio porque dois homens entraram atrás dele, informou o g1.
O vereador foi levado para a UTI da Santa Casa de Piracicaba, onde segue internado em estado grave, com quadro estável, de acordo com o boletim médico mais recente, divulgado na sexta-feira, 18 de setembro.
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Sentado na Ponte Pênsil, de costas para o rio
Quem viu a queda de perto foi o motorista de aplicativo Rafael de Oliveira Araújo. Ele estava na beira do rio aguardando uma corrida quando o vereador chegou com outro rapaz e subiu na ponte, contou Araújo em entrevista em vídeo à EPTV, afiliada da TV Globo, exibida pelo g1.
“Ele sentou em cima da ponte e ficou de costa, e o rapaz gravando ele de frente”, descreveu o motorista. Na sequência, ouviu o barulho da água: o vereador tinha caído no Rio Piracicaba.
A Câmara Municipal de Piracicaba, com base no relato do Corpo de Bombeiros, diz que o parlamentar registrava imagens na região da ponte quando, num momento de descuido, caiu e foi levado pela força da correnteza.
Dois homens entram no rio atrás do vereador
Araújo desceu correndo pela margem, pedindo ajuda. Encontrou um homem parado perto da água e pediu que ele ajudasse a tirar o vereador do rio, relatou no vídeo. Os dois entraram na correnteza e puxaram o parlamentar até o barranco.
“Vi que ele não estava afundando. A blusa acho que não deixava ele afundar, uma blusa de seda que ele estava”, disse o motorista ao g1. Ele contou que o vereador estava apagado quando foi alcançado.
Já em terra, Araújo começou a apertar o peito do vereador, como descreveu na entrevista, até perceber que ele respirava. “Graças a Deus o bombeiro chegou no tempo”, afirmou. A partir dali, o atendimento passou para as equipes de resgate.
O g1 informou, em vídeo sobre o caso, que o vereador precisou ser reanimado pelo Corpo de Bombeiros antes de ser levado para a Santa Casa. A Câmara acrescentou que o Samu deu apoio à ocorrência e fez o transporte até o hospital.
“Eu nem sabia que era um vereador”
O motorista contou que só depois descobriu quem tinha ajudado a tirar da água. “A gente fica apavorado. A gente vê que é uma vida. Na verdade, eu nem sabia que era um vereador”, disse Araújo ao g1.
Na entrevista, ele afirmou que nem ele nem o amigo que estava ao lado sabiam quem era o homem na correnteza. “Vi que caiu e que o rapaz estava precisando de ajuda”, resumiu. Os dois homens tiraram o vereador da água antes da chegada dos bombeiros.
O Rio Piracicaba corria perto de sete vezes a média
A queda aconteceu no meio de uma cheia. Na segunda-feira, 14 de setembro, dois dias antes do acidente, a vazão do Rio Piracicaba chegou a quase sete vezes a média histórica para o mês de setembro, mostrou o g1 em vídeo.
As imagens do trecho da Ponte Pênsil exibidas pela EPTV mostram água barrenta passando rápido entre pedras, com ondas brancas logo abaixo da estrutura de madeira e aço. É nesse cenário que o corpo de alguém caído da ponte é levado rio abaixo.
Os três boletins da Santa Casa em três dias
Desde o acidente, a Santa Casa de Piracicaba divulgou três boletins, todos com autorização da família. O primeiro, na tarde de 16 de setembro, descreveu um quadro grave, causado pelo comprometimento respiratório provocado pelo episódio.
Naquele primeiro boletim, o hospital informou que o vereador estava sob sedação, em ventilação mecânica e com suporte intensivo. A evolução seria avaliada nas horas seguintes, e a equipe disse que não era possível antecipar um prognóstico.
Na quinta-feira, 17, a Santa Casa registrou melhora dos parâmetros respiratórios. “Trata-se de uma evolução favorável, embora ainda inicial, que exige cautela e a continuidade do tratamento instituído”, diz o boletim, reproduzido pelo g1.
No boletim de sexta-feira, 18, o mais recente, o vereador segue em estado grave, sob cuidados intensivos e monitorização contínua, com um quadro que “apresenta estabilidade e ainda exige cautela, continuidade do tratamento e avaliações sucessivas”, informou o hospital.
O que acontece no corpo durante um afogamento
O Ministério da Saúde define o afogamento como “o processo de apresentar comprometimento respiratório por submersão ou imersão em líquido”, no boletim epidemiológico de julho de 2025. É a mesma expressão que aparece no primeiro boletim da Santa Casa.
A sequência é descrita pelo médico David Szpilman, diretor médico da Sobrasa, a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, na diretriz de ressuscitação em afogamento de 2017. Primeiro, a pessoa prende a respiração, até que a água entra pela boca e chega às vias aéreas.
Se ninguém tira a vítima da água, explica a diretriz, a falta de oxigênio no sangue leva “em segundos a poucos minutos” à perda de consciência e à parada da respiração, que acontecem ao mesmo tempo. Depois, o coração desacelera até parar.
Szpilman escreve que todo o processo, da imersão até uma parada cardíaca, “ocorre de segundos a alguns minutos”. É por isso que o tempo que a pessoa passa dentro da água pesa tanto no que acontece depois.
Por que os primeiros minutos pesam tanto
Quando a vítima sai viva, o quadro passa a depender da quantidade de água que chegou aos pulmões, detalha a diretriz da Sobrasa. A água nos alvéolos, os saquinhos onde o oxigênio entra no sangue, inativa e lava o surfactante, a substância que mantém esses saquinhos abertos.
Sem o surfactante, o pulmão enche de líquido e perde a capacidade de trocar oxigênio, um quadro chamado de edema pulmonar, explica Szpilman. Água doce e água salgada causam lesões parecidas, segundo o documento, apesar das diferenças químicas entre as duas.
- A falta de oxigênio derruba a consciência em segundos a poucos minutos.
- O coração pode parar ainda dentro da água, no mesmo intervalo.
- Fora da água, o dano no pulmão depende do volume de água que entrou.
Por isso a Sobrasa trata o socorro como uma corrida em cadeia: reconhecer quem está se afogando, chamar ajuda pelo 193, oferecer algo que flutue e tirar a pessoa da água só quando for seguro para quem resgata.
O caminho do afogado até a UTI
A diretriz da Sobrasa classifica o afogamento em seis graus, do mais leve, só com tosse, até a parada cardiorrespiratória. O grau é definido ainda no local do resgate, pelo que as equipes veem e escutam no peito da vítima.
Pelos critérios de Szpilman, pacientes dos graus 3 a 6 em geral precisam de intubação e ventilação mecânica e devem ir para a UTI. Os aparelhos mantêm o pulmão aberto enquanto ele se recupera da água que entrou.
A diretriz recomenda manter esse suporte sem mudança por 48 a 72 horas, para dar tempo de o surfactante se regenerar. Também alerta que, em quem fica no respirador, a chance de pneumonia sobe de 34% para 52% no terceiro ou quarto dia de internação.
Esses critérios são gerais, válidos para qualquer vítima de afogamento. O grau atribuído ao vereador não consta nos boletins da Santa Casa, e a equipe médica disse, desde o primeiro dia, que não era possível antecipar um prognóstico.
5.742 mortes em 2024 e 90 de cada 100 fora do hospital
O caso de Piracicaba entra numa estatística que quase nunca vira notícia. O boletim de 2026 da Sobrasa contou 5.742 mortes por afogamento no Brasil em 2024, quase 16 por dia, o equivalente a um brasileiro morto afogado a cada 90 minutos.
A entidade também mostra que, de cada 100 brasileiros que morrem afogados, 90 nem chegam ao hospital. Entre os que chegam vivos, um em cada dez não resiste. Rios e represas concentram boa parte das mortes, e os homens morrem seis vezes mais que as mulheres.
Os números do governo apontam na mesma direção. Entre 2010 e 2023, o Brasil registrou 71.663 óbitos por afogamento, segundo o Ministério da Saúde, com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade. Pela conta desta redação, a média é de cerca de 5.119 mortes por ano nesse período.
O mesmo boletim do Ministério da Saúde lembra que o afogamento foi, em 2023, a segunda principal causa de morte por causas externas entre crianças de 0 a 9 anos no Brasil, e a terceira entre adolescentes de 10 a 14 anos.
Quem é o vereador que caiu no Rio Piracicaba
Fabrício Polezi assumiu uma cadeira na Câmara Municipal de Piracicaba em dezembro de 2025, como suplente. Ele entrou no lugar de Cássio Luiz Barbosa (PL), conhecido como Cássio Fala Pira, que foi preso em outubro daquele ano, informou o g1.
A Câmara divulgou nota de solidariedade, disse que acompanha a situação e mantém um canal para publicar os boletins da Santa Casa. A família agradeceu as mensagens e pediu que a privacidade do vereador seja preservada durante a internação.
Até o boletim de 18 de setembro, o g1 registrava que não havia confirmação de abertura de inquérito para apurar as condições de segurança no local. Novas informações sobre a saúde do vereador, diz o hospital, sairão só pelos canais oficiais, quando houver mudança clínica relevante.
Os vídeos do dia do resgate na Ponte Pênsil
O vídeo do Jornal de Piracicaba abaixo mostra o atendimento na margem do Rio Piracicaba e a entrevista do tenente do Corpo de Bombeiros que acompanhou a ocorrência, gravada perto das viaturas.
A TV TodoDia gravou o rio cheio sob a Ponte Pênsil e o movimento das equipes de resgate logo depois da queda, na manhã de 16 de setembro.
Assista o vídeo
Na entrevista à EPTV, o motorista Rafael de Oliveira Araújo conta, do começo ao fim, o que viu da margem e como entrou no rio para tirar o vereador da água.
Assista o vídeo
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afogamento
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

