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China inaugura Canal de Pinglu, de 134 km, que abre nova saída para o mar, elimina antigo trajeto de 560 km e pode poupar mais de 5 bilhões de yuans por ano em logística
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 21/09/2026 às 10:14
Atualizado em 21/09/2026 às 10:53
Curiosidades
Canal
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Nova hidrovia liga o sistema fluvial de Guangxi à Baía de Beibu, recebe embarcações de até 5 mil toneladas e integra ferrovias, terminais interiores e portos em uma rota voltada ao transporte de cargas do oeste e sudoeste da China até o litoral.
A China colocou em operação, na última quarta-feira (16), o Canal de Pinglu, hidrovia de 134,2 quilômetros que liga o sistema fluvial de Guangxi à Baía de Beibu, também conhecida como Golfo de Tonkin. A rota oferece às cargas do interior uma ligação mais direta com o mar.
A agência estatal Xinhua informou que o projeto recebeu investimento de cerca de 72,7 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 10,75 bilhões, e foi construído para permitir a navegação de embarcações de até 5 mil toneladas. As obras começaram em agosto de 2022.
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A principal mudança logística está no encurtamento do percurso fluvial entre regiões do interior e o litoral. Com o novo canal, cargas que antes seguiam por uma rota mais longa em direção a Guangzhou podem chegar diretamente à costa de Guangxi, evitando aproximadamente 560 quilômetros de trajeto.
Dados apresentados pelo governo regional antes da inauguração estimam redução de 18% a 30% nos custos logísticos para operações atendidas pela nova ligação. A projeção também indica economia anual superior a 5 bilhões de yuans em despesas de transporte para empresas que utilizarem o corredor.
O Canal de Pinglu parte da região de Hengzhou, administrada por Nanning, segue ao sul por Qinzhou e termina na Baía de Beibu. Antes da obra, parte das cargas movimentadas pelo sistema fluvial de Guangxi precisava seguir para leste, em direção a Guangdong, antes de alcançar o oceano.
Canal cria ligação direta entre rios e litoral
A nova hidrovia conecta o sistema do rio Xijiang à costa de Guangxi e foi dimensionada para receber embarcações de até 5 mil toneladas ao longo do percurso. Essa capacidade permite que navios utilizados na navegação interior avancem até a área marítima sem depender do antigo desvio por Guangzhou.
O trajeto inclui três complexos de navegação, em Madao, Qishi e Qingnian. As estruturas utilizam eclusas para vencer a diferença de nível existente entre diferentes trechos do canal, necessária para manter a circulação das embarcações ao longo dos 134,2 quilômetros.
A diferença acumulada de altitude entre os extremos da rota chega a aproximadamente 65 metros. As eclusas elevam ou baixam os navios em etapas, permitindo a continuidade da viagem sem que a carga precise ser retirada e transferida para outra embarcação por causa dessa variação.
Antes do início das operações comerciais, quatro navios com capacidades entre 1 mil e 5 mil toneladas participaram de testes em grande escala. Os ensaios incluíram passagem pelas eclusas, cruzamentos, ultrapassagens, manobras, atracação sob influência das marés e navegação noturna.
Também foram avaliadas situações como descargas de reservatórios, cheias em afluentes e combinação de vento forte com maré alta. Os testes serviram para verificar o comportamento das embarcações e as condições de operação do canal antes da abertura ao tráfego regular.
Ferrovias e portos passam a alimentar a nova rota
O canal faz parte do Novo Corredor Internacional de Comércio Terra-Mar, rede que combina transporte ferroviário, fluvial e marítimo para conectar áreas interiores da China aos portos da Baía de Beibu e às rotas comerciais voltadas para outros mercados asiáticos.
Pouco antes da inauguração, um trem de carga vindo da província de Hunan chegou a Guangxi com mais de 370 toneladas de equipamentos de construção e outros produtos destinados à exportação. A carga foi encaminhada para a rede logística associada ao novo corredor.
A operação mostra como mercadorias produzidas longe do litoral podem percorrer parte do trajeto por ferrovia e seguir depois por embarcação. Esse modelo amplia as opções de transporte para áreas que dependem de longas conexões terrestres ou de rotas fluviais indiretas para alcançar portos oceânicos.
A expectativa apresentada pelas autoridades de Guangxi é de que províncias como Yunnan, Guizhou, Sichuan e Hunan, além do município de Chongqing, utilizem o corredor como uma alternativa para alcançar a costa pelo sistema de transporte conectado à Baía de Beibu.
A infraestrutura portuária também foi adaptada à capacidade da nova hidrovia. Terminais interiores e instalações conectadas ao porto da Baía de Beibu podem receber cargas provenientes de ferrovias e rodovias e encaminhá-las para o trecho navegável ou diretamente para rotas marítimas.
O corredor está ligado ao comércio com a Associação de Nações do Sudeste Asiático, a Asean. O bloco permanece como o maior parceiro comercial da China, o que torna a conexão com os portos do sul do país uma das funções previstas para a infraestrutura implantada em Guangxi.
Obra integra expansão das vias navegáveis chinesas
O governo regional de Guangxi apresenta o Canal de Pinglu como parte da infraestrutura destinada a reduzir distâncias entre o oeste chinês e a Baía de Beibu. A economia projetada nos custos de transporte está diretamente associada à eliminação do percurso mais longo por Guangdong.
O projeto não substitui as ferrovias, rodovias e instalações portuárias já existentes. Sua função é acrescentar uma ligação navegável capaz de operar de forma integrada a esses modais, permitindo que a mesma carga percorra diferentes etapas até alcançar o litoral.
Segundo a Xinhua, Pinglu é a primeira via navegável artificial construída desde a fundação da República Popular da China, em 1949, para conectar um sistema fluvial a uma área marítima. A entrada em operação acrescenta uma rota permanente entre o interior de Guangxi e a Baía de Beibu.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

