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Cientistas encontram microrganismos em piscinas de salmoura a 1.770 metros de profundidade, ampliando a investigação sobre a vida antes do oxigênio
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 22/09/2026 às 23:48
Atualizado em 22/09/2026 às 23:51
Ciência e Tecnologia
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No fundo do Mar Vermelho, pesquisadores encontraram microrganismos e sedimentos ricos em metais em piscinas de salmoura, pistas que podem ajudar a explicar como formas antigas de vida obtinham energia sem oxigênio.
Uma pesquisa em piscinas de salmoura no fundo do Mar Vermelho encontrou microrganismos e depósitos ricos em metais que podem ajudar a investigar como a vida obtinha energia antes do aumento do oxigênio na atmosfera.
Piscinas de salmoura revelam microrganismos a 1.770 metros
As piscinas de salmoura são áreas de água muito salgada que se acumulam no leito marinho. Embora sejam escuras e não tenham oxigênio, podem abrigar bactérias e arqueias capazes de viver nessas condições extremas.
Em uma piscina ativa situada a 1.770 metros de profundidade no Mar Vermelho, os pesquisadores identificaram uma comunidade desses microrganismos. A pesquisa divulgada pela União Geofísica Americana examinou a composição química dos sedimentos e da matéria orgânica no local.
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Para comparar os resultados, a equipe também analisou três pontos do fundo do mar sem piscinas de salmoura e uma depressão a quase 1.400 metros de profundidade. Anéis de minerais ao redor dessa depressão levaram os pesquisadores a suspeitar que ela fosse uma antiga piscina, hoje inativa.
Sedimentos tinham concentrações de metais até 100 vezes maiores
Sob uma camada de microrganismos na piscina ativa, os sedimentos apresentaram forte concentração de metais, entre eles manganês, ferro, molibdênio e cobre. Em algumas áreas, as concentrações superaram em mais de 100 vezes as encontradas nos pontos usados para comparação.
A área considerada uma possível piscina extinta mostrou padrões semelhantes de enriquecimento. A equipe encontrou manganês oxidado e matéria orgânica enriquecida com molibdênio nos sedimentos das duas áreas.
Essa semelhança interessa aos pesquisadores porque os microrganismos podem deixar marcas químicas mesmo depois de desaparecerem. Os resultados oferecem uma referência para interpretar padrões parecidos preservados em rochas antigas, embora a composição dos sedimentos, por si só, não resolva como a vida surgiu.
Metais podem ajudar a explicar antigas fontes de energia
A análise dos microrganismos da piscina ativa identificou organismos capazes de oxidar manganês, como Nitrospira. Junto com a presença de compostos oxidados de ferro e manganês nos sedimentos, o achado fornece indícios de que esse processo poderia ter servido para a obtenção de energia.
A hipótese diz respeito a um período anterior ao aumento do oxigênio atmosférico, situado pela reportagem entre cerca de 2,4 bilhões e 2,2 bilhões de anos atrás. Os autores consideram possível que o enriquecimento dos antigos oceanos em metais tenha ocorrido sem depender da fotossíntese que produz oxigênio.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que são necessários mais estudos. A investigação apresenta as piscinas de salmoura como ambientes capazes de preservar pistas sobre processos antigos; ela não demonstra que a vida começou nesses locais nem estabelece uma explicação definitiva para sua origem.
Estudo disponível em onlinelibrary.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

