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Aviso da Epagri para a safra 2026/2027 pede que o produtor de maçã retire cancros, frutos podres e plantas mortas para frear o cancro europeu
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 02/10/2026 às 15:16
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Nota da Epagri/Ciram de 30 de setembro prevê chuva acima da média em Santa Catarina até dezembro. Aviso Fitossanitário nº 1 da Epagri pede reduzir o inóculo nos pomares, com a retirada de cancros como o cancro europeu, frutos podres e plantas mortas.
A Epagri/Ciram informou em 30 de setembro de 2026 que o El Niño está configurado com intensidade muito forte e previu chuva acima da média em Santa Catarina de outubro a dezembro. É o quadro em que a Epagri pede ao produtor de maçã que tire do pomar o material doente, como os cancros da macieira, entre eles o cancro europeu.
A nota climática da Epagri/Ciram aponta volumes expressivos no trimestre, com atenção maior para outubro e novembro. Segundo a Epagri/Ciram, as frentes frias e os sistemas instáveis devem atuar com mais frequência e mais intensidade no estado.
A ligação com o pomar está no Aviso Fitossanitário nº 1 do ciclo 2026/2027 da Epagri, publicado em 13 de agosto. Diante do El Niño previsto para a primavera e o verão, com “intensas e constantes chuvas”, os pesquisadores escreveram que é “altamente recomendado” reduzir o inóculo de patógenos nos pomares.
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O que a Epagri/Ciram prevê para outubro, novembro e dezembro
A primavera já é naturalmente um período mais chuvoso em Santa Catarina. Em 2026, segundo a nota, o El Niño de intensidade muito forte favorece o aumento da chuva e dos temporais.
Estão previstos chuva forte com totais elevados em pouco tempo e temporais com raios, granizo e vendavais. A Epagri/Ciram informa que há potencial para tempestades severas em alguns eventos, com mais risco de inundações e deslizamentos.
O aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial persistiu e se intensificou em agosto e setembro de 2026, registra a nota. Em setembro, a anomalia da temperatura do mar ficou próxima e acima de 2,0 °C na região do Niño 3.4 e acima de 3,0 °C na região do Niño 1+2.
Para os próximos meses, a Epagri/Ciram prevê que o El Niño continue muito forte. O fenômeno deve perder força no decorrer do verão de 2027, mas seguir com menos intensidade até o início do outono de 2027.
A temperatura deve ficar perto da média em outubro e novembro, com mais calor em dezembro, segundo a previsão. Massas de ar frio ainda podem trazer geada isolada, especialmente em outubro no Planalto Sul.
A previsão saiu do Fórum Climático formado por Epagri/Ciram, IFSC, Cigerd, AlertaBlu e UFRGS. O boletim foi elaborado pelas meteorologistas Gilsânia Cruz e Marilene de Lima.
Quanto chove normalmente na primavera catarinense
A média histórica ajuda a medir o que significa chuva acima da média. Em outubro, mostra a nota, os volumes ficam entre 140 e 180 mm na maior parte do estado e entre 210 e 280 mm no Extremo Oeste, no Oeste e no Meio-Oeste.
Em novembro, a chuva soma de 130 a 180 mm em média. Em dezembro, de acordo com a Epagri/Ciram, as médias vão de 150 a 190 mm do Extremo Oeste ao Litoral Norte e na Grande Florianópolis, e de 130 a 150 mm nas demais regiões.
Para o trimestre, a previsão é de totais acima dessas faixas.
Inóculo, chuva e planta: os três fatores que pesam sobre o cancro europeu
O Aviso Fitossanitário nº 1 lembra que um problema sanitário só ocorre na macieira com três fatores juntos: inóculo presente, condições ambientais favoráveis e hospedeiro suscetível.
Inóculo é o conjunto de estruturas do fungo capazes de iniciar uma infecção, como os esporos. A chuva entra no segundo fator, o ambiente, e a macieira é o hospedeiro.
Sobra ao fruticultor o fator que ele controla com as próprias mãos, o inóculo. Foi a previsão de chuvas intensas e constantes que levou a Epagri, conforme o aviso, a recomendar a limpeza dos pomares ainda em agosto.
Na época, a maioria dos pomares estava em dormência. Mesmo assim, o documento alertou que qualquer brotação antecipada pode dar início a sítios de infecção nas plantas.
O que a Epagri manda retirar do pomar contra o cancro europeu
Os pesquisadores listam os principais tecidos que devem ser eliminados dos pomares de macieira:
- folhas;
- frutos podres;
- frutos mumificados;
- todos os tipos de cancros, incluindo o cancro de papel e o cancro europeu;
- plantas mortas, que devem ser arrancadas e eliminadas.
São cinco itens. O objetivo, nas palavras do aviso, é reduzir as fontes de sobrevivência de patógenos nos pomares por meio de práticas de profilaxia, ou seja, de prevenção.
O cancro europeu, causado pelo fungo Neonectria ditissima, aparece na lista do aviso ao lado do cancro de papel. A orientação da Epagri vale para os cancros de todos os tipos, e o cancro europeu é um deles.
Retirar material doente não é cortar o pomar inteiro
O alvo do Aviso Fitossanitário nº 1 é definido: cancros, plantas mortas, folhas e frutos podres ou mumificados. Não se trata de derrubar macieiras sadias nem de podar às cegas.
A planta inteira só aparece na lista quando já está morta. Nesse caso, a Epagri orienta o arranquio e a eliminação.
Para quem tem cancro europeu no pomar, o item que se aplica é o dos cancros, que o aviso manda eliminar em todos os tipos.
Por que o fungicida sozinho não basta com chuva forte
A Epagri explica por que a limpeza vem antes do pulverizador. Os fungicidas apresentam falhas de controle quando o inóculo é alto e o ambiente é altamente favorável ao fungo.
Dados de pesquisa da Epagri, relata o aviso, mostram que os principais fungicidas usados na macieira falharam quando o número de esporos aumentou, em inoculações feitas em plantas em casa de vegetação.
Por isso, os pesquisadores recomendam “fortemente” a profilaxia nos pomares, o que inclui tirar do pomar o cancro europeu e os demais cancros.
O aviso também orienta manter no estoque fungicidas de alta eficácia para os períodos críticos. Os produtos lançados há menos tempo para a macieira costumam ter índices de controle mais altos, conforme trabalho de 2025 citado pela Epagri.
A explicação, segundo os pesquisadores, é que os patógenos ficaram menos tempo expostos ao grupo químico desses produtos.
Em caso de dúvida sobre qual fungicida usar, conforme o período chuvoso e o estágio da planta, a orientação é procurar o responsável técnico.
A chuva que o aviso já registrou no inverno em São Joaquim
O mesmo documento mediu a chuva nos dias de monitoramento da sarna em São Joaquim, na serra catarinense. Foram 127,4 mm em 22 de julho e 122,8 mm em 29 de julho, dois dias de chuva forte.
Nos dias 4 e 5 de agosto, os registros foram bem menores, de 2,0 mm e 4,4 mm. Somados, os quatro dias chegam a 256,6 mm, e só os dois dias de julho respondem por 250,2 mm.
Onde o produtor de maçã acompanha os alertas
Os avisos fitossanitários da macieira são feitos pela equipe da Estação Experimental de São Joaquim e publicados ao longo do ciclo no portal de publicações da Epagri.
Assinam o Aviso Fitossanitário nº 1 do ciclo 2026/2027 os pesquisadores Leonardo Araujo, Felipe Augusto Moretti Ferreira Pinto e Cristiano João Arioli, da estação, que se colocaram à disposição dos produtores.
Para acompanhar os alertas do ciclo, o documento indica a página de boletins da maçã da Epagri/Ciram. A nota de 30 de setembro orienta seguir também os avisos meteorológicos diários do órgão, publicados no site e nas redes sociais.
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maça
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

