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Petrobras estuda nova vida para antiga plataforma P-47: após deixar operação na Bacia de Campos, unidade pode virar armazém flutuante em Singapura, a milhares de quilômetros do Brasil, para estocar petróleo e dividir cargas em lotes menores para clientes asiáticos
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 02/10/2026 às 14:30
Atualizado em 02/10/2026 às 16:10
Setor Offshore
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Proposta prevê manter estoques de óleo brasileiro mais perto dos compradores e dar outra utilidade à embarcação; estudo ocorre enquanto a Petrobras busca reduzir despesas com plataformas inativas e definir o destino de unidades antigas
A P-47 deixou de operar na Bacia de Campos, mas seu destino pode ir além do desmantelamento. A Petrobras estuda levar a antiga unidade para Singapura, onde ela funcionaria como um armazém flutuante de petróleo para atender compradores asiáticos.
A ideia é manter óleo brasileiro estocado na região e dividir as cargas em volumes menores, conforme as compras dos clientes. Assim, uma estrutura que participou da operação offshore no Brasil poderia passar a apoiar a venda desse petróleo no exterior.
A possibilidade apareceu em reportagem da Brasil Energia publicada em 23 de setembro de 2026, a partir de uma entrevista com Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, durante a ROG.e. O projeto ainda está em avaliação, sem decisão final anunciada.
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Um estoque de petróleo mais perto dos compradores
O papel previsto para a P-47 é servir como um ponto de armazenamento em Singapura. O petróleo chegaria à região e ficaria disponível para distribuição em lotes menores entre os clientes.
É isso que significa o fracionamento de cargas nesse projeto: separar o volume de petróleo conforme cada venda. A atividade não envolve transformar o óleo em diesel, gasolina ou outros combustíveis.
Com esse arranjo, o transporte desde o Brasil e a entrega aos compradores teriam uma etapa intermediária. A unidade guardaria o produto já na Ásia, de onde sairiam os volumes destinados a cada cliente.
A proposta, portanto, aproxima o estoque do mercado que a companhia pretende atender. Ainda assim, não há dados divulgados que permitam calcular a economia ou o retorno financeiro desse aproveitamento.
Também faltam detalhes sobre quanto custaria preparar a embarcação, qual volume ela movimentaria e quando poderia começar a funcionar. Esses pontos permanecem em aberto nas informações publicadas sobre o estudo.
Por que a P-47 saiu da operação na Bacia de Campos
A busca por outro uso para a P-47 está ligada à renovação das plataformas que atendiam aos campos de Marlim e Voador. Com a chegada de novos sistemas, unidades antigas perderam espaço na operação.
Em outubro de 2022, a Petrobras apresentou o projeto de substituir nove plataformas pelos FPSOs Anna Nery e Anita Garibaldi. A P-47 fazia parte desse grupo, que também incluía as unidades P-18, P-19, P-20, P-26, P-32, P-33, P-35 e P-37.
A troca abriu outra questão para a companhia: o que fazer com as estruturas que deixaram de atender à produção daqueles campos?
Para a P-47, uma das respostas em estudo está do outro lado do mundo. Se a proposta avançar, a embarcação passará a trabalhar em uma etapa diferente do percurso do petróleo, mais próxima dos compradores.
Sua eventual nova função, porém, ainda depende de uma decisão da Petrobras. A retirada da antiga operação não significa que o envio para Singapura esteja aprovado.
Manter plataformas paradas no mar também custa dinheiro
A discussão sobre o futuro da P-47 faz parte de um trabalho mais amplo de retirada de unidades antigas. Na entrevista à Brasil Energia, a Petrobras informou que planeja descomissionar 18 plataformas no quinquênio mencionado.
Uma das prioridades é desconectar as unidades inativas e levá-las para atracação em portos. A companhia busca, com isso, eliminar gastos recorrentes com a logística necessária para mantê-las no mar, como transporte de trabalhadores por helicópteros e apoio de embarcações.
Mesmo sem participar da produção, uma plataforma pode continuar exigindo serviços e recursos. Por isso, definir seu destino envolve também decidir como encerrar essas despesas e avaliar se existe outra utilização possível.
No caso da P-47, a alternativa é aproveitar a embarcação para armazenar petróleo e organizar entregas na Ásia. O estudo considera uma necessidade comercial concreta: disponibilizar cargas fracionadas a partir de Singapura.
Por enquanto, não há cronograma anunciado para essa mudança. O próximo passo depende da aprovação do projeto e da definição das condições para colocar a antiga unidade nessa nova operação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

