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Motos pequenas premium ficam fora do Brasil por estratégia, custo e risco de dividir vendas
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 03/10/2026 às 20:50
Atualizado em 03/10/2026 às 21:00
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Motos como Honda CB125R e Yamaha MT-15 ficam fora do Brasil por fatores como custo de desenvolvimento, demanda, estratégia de portfólio e características do mercado.
No mercado brasileiro de motos, modelos de menor cilindrada normalmente ocupam uma função diferente daquela encontrada em alguns países da Europa e da Ásia. Por aqui, fabricantes concentram grande parte de suas ofertas de entrada nas faixas de 150 e 160 cm³, enquanto motocicletas pequenas com equipamentos e acabamento mais sofisticados permanecem, em muitos casos, fora das lojas nacionais.
A ausência de produtos como Honda CB125R e Yamaha MT-15 não está ligada a um único obstáculo. Avaliações de demanda, custos para introduzir uma nova mecânica, características da legislação de outros países e até a possibilidade de um lançamento retirar compradores de outra moto da própria marca entram nessa decisão.
Yamaha MT-15 poderia disputar compradores com a própria R15
Para Luiz Vicente F. de Mello, da Bright Consulting, as fabricantes precisam avaliar se um novo produto realmente amplia sua base de clientes ou apenas redistribui consumidores entre modelos da própria linha.
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Esse é um dos pontos levantados para explicar por que a Yamaha MT-15, disponível em outros mercados, não acompanha a R15 no Brasil.
A esportiva R15 ocupa hoje uma faixa sem concorrentes diretos mencionados no material de referência. A chegada de uma naked com proposta próxima poderia fazer parte dos interessados migrar de uma Yamaha para outra.
Nesse cenário, a fabricante teria de assumir despesas relacionadas ao desenvolvimento do produto para o mercado brasileiro, produção e divulgação sem necessariamente conquistar um número maior de clientes. O resultado poderia ser apenas a divisão das vendas entre duas motos da própria empresa.
A lógica, porém, não funciona da mesma maneira em todas as cilindradas. Mello cita o comportamento da MT-03 e da R3 como exemplo. Historicamente, segundo o consultor, a naked vende aproximadamente cinco vezes mais que a esportiva.
Nesse caso, o desempenho comercial justificaria manter as duas propostas no mercado. Para motocicletas menores, a conta pode ser diferente.
Honda CB125R exigiria uma mecânica que não é produzida no país
Na Honda, o desafio apontado passa também pela estrutura industrial disponível no Brasil. A fabricante trabalha atualmente com uma faixa que salta dos motores de 110 cm³ para os de 160 cm³. A CB125R exigiria, portanto, uma motorização diferente daquelas já fabricadas localmente.
Para Luiz de Mello, essa necessidade aumenta o investimento necessário para colocar a pequena premium no mercado brasileiro.
O consultor considera que o potencial de vendas provavelmente não seria suficiente para tornar essa operação atraente para a empresa, ainda que o modelo ampliasse as opções disponíveis aos motociclistas.
A própria Honda reconhece que a escolha de quais produtos serão comercializados no país depende de estudos prévios.
Luiz Gustavo, responsável pela equipe de relações públicas da marca, explicou que a companhia acompanha o interesse dos consumidores brasileiros e considera diferentes elementos antes de decidir pela chegada de uma nova motocicleta.
Nesse processo entram condições econômicas, características geográficas e intenção de compra.
Mercado brasileiro não funciona como o europeu
Outra diferença importante aparece na forma como cada país regula e utiliza as motocicletas.
Na Alemanha e em outros mercados europeus, pessoas a partir de 16 anos podem conduzir motos de 125 cm³ com até 15 cv, dependendo das condições da habilitação. A Honda CB125R se enquadra nessa categoria.
Isso cria um público específico para modelos pequenos que oferecem mais acabamento, tecnologia ou desempenho dentro dos limites permitidos para esses condutores.
No Brasil, a situação é diferente. A habilitação da categoria A não cria essa mesma divisão baseada em cilindrada para o motociclista habilitado.
Com isso, o investimento das fabricantes pode ser direcionado para motores maiores quando o consumidor procura um produto mais sofisticado.
O uso dado às motos também muda entre países. Segundo o representante da Honda, alguns mercados asiáticos possuem demandas próprias relacionadas a desempenho, lazer, viagens e outras formas de utilização.
Uma motocicleta criada para essas condições não necessariamente chegaria ao Brasil sem modificações.
Adaptações podem elevar o preço final
Trazer uma motocicleta desenvolvida para outro mercado envolve mais do que simplesmente colocar o modelo em um navio e iniciar as vendas.
A Honda afirma que pode ser necessário realizar um processo amplo de adaptação para atender às condições brasileiras.
Essas mudanças acrescentam custos e podem elevar o preço final justamente em uma categoria na qual o consumidor tende a encontrar modelos maiores por valores próximos.
Entre os fatores considerados pelas fabricantes antes de trazer novas motos estão:
- possibilidade de competir com outro modelo da própria marca;
- investimento necessário para introduzir uma nova motorização;
- expectativa de volume de vendas;
- adequações exigidas para o mercado brasileiro;
- comportamento dos consumidores em diferentes países;
- estrutura de produção ou importação utilizada pela fabricante.
Esses elementos ajudam a explicar por que dois modelos aparentemente interessantes para o público podem receber decisões comerciais diferentes.
Importação também dificulta ampliar rapidamente a linha
A situação pode se tornar ainda mais complexa para marcas cuja operação brasileira depende fortemente de importações.
Luiz de Mello cita a Kawasaki como exemplo de fabricante que possui pequenas motos premium, mas enfrenta altos custos para trazer uma variedade maior de produtos.
A Suzuki apresenta outra configuração. No Brasil, seus modelos são importados pelo Grupo J. Toledo.
Segundo o consultor, esse formato adiciona burocracia e despesas à operação, criando uma dificuldade extra para disponibilizar uma quantidade maior de modelos.
Dessa forma, mesmo uma motocicleta já pronta e comercializada em outros países pode exigir um investimento considerável antes de chegar às concessionárias brasileiras.
Interesse do consumidor não é suficiente para garantir lançamento
A decisão final acaba dependendo do equilíbrio entre demanda prevista e retorno financeiro para a fabricante.
No caso da Yamaha MT-15, o risco apontado é retirar compradores de uma R15 que atualmente ocupa praticamente sozinha sua faixa de mercado.
Já a Honda CB125R enfrenta uma combinação diferente: necessidade de utilizar uma motorização que não faz parte da produção nacional e uma expectativa de vendas que, segundo a avaliação apresentada, pode não compensar o investimento.
Isso ajuda a entender por que o mercado brasileiro oferece tantas motos simples de pequena cilindrada, mas um número menor de opções compactas com posicionamento mais sofisticado.
Fonte
AutoPapo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

