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Constellation testa tecnologia no navio-sonda Laguna Star para reduzir consumo de diesel e emissões em operações offshore
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 07/10/2026 às 16:36
Atualizado em 07/10/2026 às 16:50
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Fuel Processor recebe certificação Approval in Principle da ABS enquanto empresa amplia estudos sobre baterias, hibridização e novas soluções para descarbonizar sondas offshore
Segundo reportagem publicada pela TN Petróleo em 7 de outubro de 2026, a Constellation recebeu da American Bureau of Shipping (ABS) o certificado Approval in Principle (AiP) para o projeto Fuel Processor. A tecnologia busca aumentar a eficiência energética e reduzir emissões dos motores diesel utilizados em unidades offshore. O sistema já está em fase de implementação e testes no navio-sonda Laguna Star e integra uma iniciativa desenvolvida em parceria com a Petrobras, com recursos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da ANP.
Fuel Processor busca tornar motores diesel mais eficientes no offshore
O Fuel Processor, ou Processador de Combustível, está em fase piloto. A proposta é melhorar a eficiência da combustão nos motores diesel e, consequentemente, contribuir para a redução do consumo de combustível e das emissões associadas às operações offshore.
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O projeto foi contratado no final de 2025 e possui vigência prevista até 2028. A iniciativa reúne diferentes participantes do setor de energia, tecnologia e pesquisa.
A Constellation e a Petrobras trabalham em parceria no desenvolvimento. Além disso, o projeto utiliza recursos da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A iniciativa também possui participação da Clean Energy Power Systems (CEPS). Já a PUC-Rio atua como terceira parte independente para validar os resultados.
Assim, o projeto reúne indústria, operadora e universidade em torno de uma tecnologia destinada a reduzir o impacto energético das operações de perfuração em alto-mar.
Tecnologia está sendo testada no navio-sonda Laguna Star
A etapa atual ocorre a bordo do Laguna Star, navio-sonda da Constellation. A unidade funciona como ambiente para implementação e testes do Fuel Processor.
Isso significa que a tecnologia ainda está em fase piloto. Portanto, a certificação não deve ser interpretada como comprovação de que o sistema já atingiu comercialmente determinada redução de combustível ou emissões.
A própria fonte não apresenta um percentual específico de economia de diesel nem uma quantidade determinada de emissões evitadas. O objetivo atual é justamente avaliar o desempenho da solução durante sua implementação e testes.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla de desenvolvimento de tecnologias para diminuir o consumo de combustíveis em embarcações e operações marítimas. A Roberta Souza mostrou no CPG como a Maersk passou a testar uma vela rotativa de 35 metros em um porta-contêineres para reduzir o consumo de combustível. Nesse projeto, a economia estimada varia conforme as condições e a rota.
Certificação da ABS representa avanço técnico para o projeto
O reconhecimento recebido pela Constellation é um Approval in Principle. Esse tipo de aprovação representa uma avaliação inicial da fundamentação técnica e da segurança de uma solução.
O mecanismo ganha importância principalmente quando envolve tecnologias inovadoras para as quais as regras convencionais ainda estão em desenvolvimento.
Com isso, o AiP representa um passo para que o Fuel Processor avance de forma segura em seu processo de desenvolvimento. Entretanto, ele não significa que a tecnologia já concluiu todas as etapas necessárias para uma eventual aplicação comercial em escala.
Segundo a Constellation, o reconhecimento reforça a consistência técnica das iniciativas associadas aos compromissos previstos em seu Plano ESG 2030.
Constellation e ABS ampliam parceria para descarbonização offshore
A certificação não foi o único avanço anunciado. A Constellation e a ABS também assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para ampliar a cooperação em tecnologias destinadas à descarbonização das operações offshore.
O acordo estabelece uma base para novas discussões técnicas, desenvolvimento de diretrizes e futuras iniciativas de certificação.
Entre as soluções previstas aparece a hibridização por meio de sistemas de armazenamento de energia em baterias. A estratégia pode permitir novas formas de gerenciamento da geração e do consumo de energia nas unidades marítimas.
Além disso, as empresas estudarão aplicações relacionadas às chamadas operações em barramento fechado, ou closed bus.
O que significa operar com barramento fechado
Em sistemas elétricos marítimos, o barramento distribui a energia gerada a bordo para diferentes equipamentos e cargas. A configuração desse sistema influencia diretamente a maneira como os geradores trabalham.
O conceito de closed bus permite manter determinadas seções do sistema elétrico conectadas durante a operação. Quando aplicado adequadamente, esse modelo pode ajudar a distribuir melhor a carga entre os geradores.
Dessa maneira, existe potencial para operar os equipamentos de geração em condições mais eficientes e, consequentemente, reduzir o consumo de combustível e as emissões.
No entanto, essas aplicações exigem sistemas de proteção, automação e gerenciamento capazes de preservar a segurança e a confiabilidade da unidade. É justamente nesse contexto que a cooperação técnica e os processos de certificação ganham importância.
Baterias começam a ganhar espaço nas estratégias de descarbonização marítima
A utilização de sistemas de armazenamento de energia também aparece como uma das frentes previstas no memorando entre Constellation e ABS.
Em uma configuração híbrida, baterias podem atuar ao lado dos sistemas tradicionais de geração. Assim, elas podem absorver ou fornecer energia conforme a demanda operacional.
A indústria marítima já experimenta diferentes tecnologias para reduzir consumo e emissões. Em outra frente, a Jan De Nul encomendou um novo navio para operações submarinas com projeto preparado para utilizar metanol verde.
O avanço dessas soluções mostra que a descarbonização marítima não depende de uma única tecnologia. Combustíveis alternativos, armazenamento de energia, eficiência dos motores e gerenciamento inteligente da geração podem avançar paralelamente.
Gêmeo Digital também faz parte da estratégia tecnológica
Além do Fuel Processor, a Constellation possui outra iniciativa em desenvolvimento: um projeto de Gêmeo Digital.
Nesse caso, o trabalho ocorre em parceria com a Petrobras e a Universidade de São Paulo (USP). A solução também avança em implementação, segundo as informações divulgadas pela companhia.
Um gêmeo digital utiliza uma representação virtual de sistemas ou ativos físicos para acompanhar informações operacionais. Dependendo da aplicação, a tecnologia permite avaliar desempenho e apoiar decisões sobre a operação.
Assim, Fuel Processor, Gêmeo Digital e os novos estudos com a ABS formam diferentes frentes de uma mesma estratégia: combinar tecnologia, eficiência operacional e redução de emissões nas atividades offshore.
Descarbonização avança também em outros segmentos offshore
A busca por redução de emissões ocorre em várias atividades realizadas no mar. Enquanto empresas de petróleo desenvolvem soluções para sondas e embarcações, outros segmentos offshore também recebem investimentos em tecnologias de baixo carbono.
Ao mesmo tempo, a geração renovável offshore continua avançando. Em setembro, o CPG destacou a inauguração do parque eólico offshore He Dreiht, na Alemanha, com 960 MW de capacidade instalada.
Embora sejam tecnologias diferentes, esses projetos revelam como o ambiente marítimo ganhou protagonismo nas estratégias de transição energética e redução de emissões.
Projeto pode indicar novos caminhos para as sondas offshore
O Fuel Processor ainda precisa avançar nos testes realizados no Laguna Star. Por isso, não é possível afirmar neste momento qual será a economia final de combustível ou a redução efetiva de emissões proporcionada pelo sistema.
Mesmo assim, a obtenção do Approval in Principle da ABS representa uma etapa técnica relevante para uma tecnologia ainda em desenvolvimento.
Além disso, o novo memorando amplia o alcance da cooperação. Em vez de concentrar os esforços apenas no processamento de combustível, Constellation e ABS passam a considerar também baterias, hibridização e operações em barramento fechado.
Se os testes e as futuras etapas de certificação confirmarem os benefícios esperados, essas tecnologias poderão abrir novos caminhos para aumentar a eficiência energética das operações de perfuração offshore. Por enquanto, porém, o Laguna Star funciona como uma plataforma real de testes para transformar essas propostas em resultados mensuráveis.
Fonte
Tn Petroleo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

