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Estaleiro americano com mais de 2 mil trabalhadores recebe contrato para construir navios de 160 metros capazes de rastrear testes de mísseis, substituir embarcações de até 61 anos e acelerar a indústria naval dos EUA
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 07/10/2026 às 22:39
Atualizado em 07/10/2026 às 23:10
Indústria Naval
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A Hanwha Philly Shipyard, na Filadélfia, foi selecionada para construir uma nova geração de navios especializados no acompanhamento de testes de mísseis, utilizando uma plataforma naval já produzida nos Estados Unidos e com entrega da primeira embarcação prevista para 2030.
Um estaleiro americano que passou por um período de baixa atividade e conseguiu recuperar sua produção industrial acaba de conquistar um novo contrato ligado à modernização da frota de apoio militar dos Estados Unidos. Em 7 de outubro de 2026, a TOTE Services anunciou a seleção da Hanwha Philly Shipyard para construir um navio de aproximadamente 160 metros de comprimento, destinado ao acompanhamento de testes de mísseis realizados no oceano.
A encomenda inicial contempla uma embarcação, com possibilidade de ampliação para até três unidades. A primeira entrega está prevista para 2030.
O projeto representa uma nova oportunidade para o estaleiro da Filadélfia, que atualmente conta com mais de 2 mil trabalhadores envolvidos na produção naval e busca ampliar sua participação em contratos governamentais.
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A construção faz parte do programa Missile Range Instrumentation Vessel (MRIV), desenvolvido para substituir embarcações especializadas utilizadas há décadas pelos Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas pela TOTE Services, responsável pelo gerenciamento da construção, o contrato foi firmado com a Administração Marítima dos Estados Unidos (MARAD), enquanto a Hanwha Philly Shipyard ficou encarregada da fabricação do primeiro navio.
A iniciativa também demonstra uma mudança importante na estratégia americana de construção naval: aproveitar projetos de embarcações já desenvolvidos e linhas industriais existentes para acelerar a entrega de navios especializados.
Estaleiro da Filadélfia recuperou atividade industrial e agora amplia participação em contratos governamentais
Localizada na Filadélfia, no estado da Pensilvânia, a Hanwha Philly Shipyard integra o grupo sul-coreano Hanwha, que possui operações internacionais nos setores de construção naval, tecnologia e defesa.
Embora pertença a um conglomerado estrangeiro, o estaleiro mantém suas instalações produtivas em território americano e utiliza uma cadeia industrial formada por trabalhadores e fornecedores locais.
Sua recuperação recente está associada à construção dos National Security Multi-Mission Vessels (NSMV), embarcações desenvolvidas para treinamento marítimo e apoio a missões governamentais.
O programa ajudou a recuperar uma instalação que havia enfrentado um período de redução acentuada das atividades industriais.
Conforme informações da TOTE Services, o estaleiro passou de uma operação com poucos trabalhadores para uma estrutura que reúne mais de 2 mil profissionais envolvidos na construção naval.
Esse crescimento permitiu recuperar competências industriais, reativar fornecedores e estabelecer processos de fabricação que agora poderão ser aproveitados em novos projetos.
A conquista do contrato MRIV oferece continuidade a essa recuperação.
Na construção naval, manter uma sequência de encomendas é fundamental para preservar trabalhadores especializados e evitar períodos prolongados de ociosidade.
Quando um estaleiro encerra determinado programa sem possuir contratos posteriores, corre o risco de perder profissionais experientes, fornecedores e capacidade produtiva.
O novo projeto poderá reduzir esse problema ao utilizar a estrutura existente para fabricar uma embarcação com características e aplicações diferentes das unidades atualmente produzidas.
Novos navios de 160 metros substituirão embarcações construídas há mais de meio século
O programa MRIV tem como principal objetivo modernizar a capacidade americana de acompanhar testes de mísseis realizados sobre extensas áreas marítimas.
Atualmente, essa atividade conta com embarcações especializadas, incluindo o Pacific Tracker e o Pacific Collector, construídos originalmente em 1965 e 1970, respectivamente.
Considerando o ano de 2026, essas embarcações possuem 61 e 56 anos desde sua construção.
Apesar de terem passado por adaptações ao longo de suas trajetórias operacionais, representam plataformas antigas que precisam ser substituídas para atender às exigências futuras do programa americano de defesa antimísseis.
Os novos navios terão aproximadamente 525 pés de comprimento, equivalentes a cerca de 160 metros.
São dimensões expressivas para embarcações destinadas à instrumentação de testes.
Esses navios não são desenvolvidos principalmente para realizar ataques ou enfrentar outras embarcações. Sua função é transportar equipamentos capazes de coletar informações, acompanhar trajetórias e registrar dados durante testes militares.
As atividades podem envolver sistemas de radar, comunicações e instrumentação especializada, dependendo da configuração operacional definida para cada missão.
A capacidade de operar no oceano permite posicionar equipamentos de observação em áreas distantes das instalações terrestres, ampliando as possibilidades de acompanhamento dos ensaios.
Os documentos públicos relacionados à nova encomenda, entretanto, não apresentam todos os detalhes sobre os sensores e equipamentos que serão instalados nas futuras unidades.
Segundo informações publicadas pelo Digital Journal a partir da comunicação oficial da Hanwha Philly Shipyard, a contratação contempla inicialmente uma embarcação, com possibilidade de expansão para até três unidades.
Projeto utilizará 70% de soluções de engenharia semelhantes às de navios já produzidos pelo estaleiro
Um dos aspectos mais relevantes do contrato está na decisão de não desenvolver uma embarcação inteiramente nova.
Os futuros navios MRIV serão baseados na plataforma dos National Security Multi-Mission Vessels, embarcações já construídas pela Hanwha Philly Shipyard.
De acordo com as informações divulgadas pelas empresas envolvidas, o novo projeto aproveitará aproximadamente 70% das características e soluções de engenharia utilizadas na plataforma existente.
Isso não significa que 70% de todos os componentes serão necessariamente idênticos ou intercambiáveis.
O percentual está relacionado ao aproveitamento do projeto e das soluções industriais que já foram desenvolvidas e utilizadas na produção dos navios multimissão.
Essa escolha pode representar uma vantagem importante para o cronograma.
Uma embarcação completamente inédita costuma exigir um longo processo de desenvolvimento, testes, adaptações de infraestrutura e organização de fornecedores.
Ao aproveitar uma plataforma conhecida, o estaleiro poderá utilizar parte dos procedimentos de fabricação já estabelecidos e reduzir a necessidade de modificações profundas em suas instalações.
A estratégia também permite que trabalhadores familiarizados com determinados processos de construção naval permaneçam envolvidos em atividades semelhantes.
Segundo informações divulgadas pelo portal especializado Marine Log, o aproveitamento do projeto NSMV foi escolhido para diminuir riscos de execução e melhorar a previsibilidade da construção.
O resultado esperado é uma transição industrial mais rápida entre diferentes programas de embarcações.
Essa característica ajuda a explicar por que a encomenda foi direcionada a um estaleiro que já possui experiência recente com a plataforma selecionada.
Contrato será administrado pela TOTE Services e utiliza modelo que promete reduzir custos de aquisição
A construção das novas embarcações será realizada dentro de um modelo de contratação conhecido como Vessel Construction Manager (VCM).
Nesse formato, a TOTE Services ficará responsável pela administração do projeto, enquanto a Hanwha Philly Shipyard executará a construção física do navio.
A estrutura permite separar responsabilidades de gerenciamento, acompanhamento técnico, organização contratual e fabricação industrial.
Segundo a TOTE Services, o modelo utilizado em programas semelhantes pode proporcionar uma redução de pelo menos 50% nos custos de aquisição, quando comparado com determinadas formas tradicionais de contratação governamental.
É importante observar que esse percentual representa uma estimativa divulgada pela empresa, e não uma economia já comprovada na construção dos novos navios MRIV.
A companhia também informou que conseguiu concluir em menos de três meses etapas de negociação, desenvolvimento contratual e definição de preços que poderiam demandar períodos significativamente maiores em processos convencionais.
Esse prazo reduzido é apresentado como uma vantagem do modelo de gerenciamento adotado.
Jeff Dixon, presidente da TOTE Services, destacou no anúncio oficial que a assinatura dos contratos representa um avanço para a disponibilização de novas capacidades destinadas ao sistema americano de defesa antimísseis.
A empresa considera que a experiência adquirida durante a construção dos navios NSMV poderá contribuir para o desenvolvimento do novo programa.
O valor total do contrato com a Hanwha Philly Shipyard não foi detalhado nas informações públicas utilizadas nesta reportagem.
Também não foi divulgado um preço individual definitivo para cada embarcação, o que impede estabelecer o custo unitário dos navios com segurança.
Primeira embarcação deverá ser entregue em 2030, enquanto contrato permite ampliar a encomenda
O cronograma divulgado estabelece 2030 como previsão para entrega da primeira unidade.
Até lá, o programa deverá avançar pelas etapas de engenharia, preparação industrial, fabricação de componentes, montagem do casco, integração de sistemas e testes necessários à aceitação da embarcação.
A contratação inicial garante a construção de um navio, enquanto as outras duas unidades permanecem como possibilidades previstas no acordo.
Isso significa que ainda não é correto afirmar que três embarcações já foram definitivamente encomendadas.
A ampliação dependerá de novas decisões contratuais e do exercício das opções estabelecidas.
Para a Hanwha Philly Shipyard, a perspectiva de futuras encomendas representa uma oportunidade de prolongar a utilização da capacidade industrial recuperada nos últimos anos.
O estaleiro também poderá aproveitar a experiência adquirida com o primeiro navio para desenvolver eventuais unidades posteriores, caso as opções sejam confirmadas.
A utilização de uma plataforma naval conhecida, associada ao modelo de gerenciamento da TOTE Services, pretende contribuir para reduzir incertezas de fabricação.
O desafio será cumprir o cronograma sem comprometer os requisitos técnicos exigidos para uma embarcação destinada à instrumentação de testes militares.
Nova encomenda reforça estratégia americana de ampliar a construção naval sem começar todos os projetos do zero
A decisão de construir os navios MRIV a partir de uma plataforma já existente revela uma característica importante da atual política de expansão da indústria naval americana.
O governo dos Estados Unidos busca recuperar capacidade produtiva e acelerar programas marítimos, mas enfrenta limitações relacionadas à disponibilidade de trabalhadores especializados, fornecedores e instalações industriais.
Nesse ambiente, reaproveitar projetos já desenvolvidos pode oferecer vantagens significativas.
O contrato da Hanwha Philly Shipyard mostra como uma linha de produção originalmente preparada para construir navios de treinamento e apoio governamental poderá ser adaptada para fabricar embarcações especializadas destinadas à defesa antimísseis.
Essa transformação não elimina a necessidade de instalar equipamentos específicos ou adaptar o projeto às novas missões.
Entretanto, reduz a dependência de um desenvolvimento inteiramente novo e permite preservar parte da experiência industrial acumulada.
Também demonstra como contratos governamentais podem sustentar a continuidade das atividades de um estaleiro, especialmente em segmentos que dependem de encomendas de grande porte e longos ciclos de construção.
Para a Filadélfia, a contratação representa mais uma etapa da recuperação de uma indústria historicamente associada à construção naval americana.
Para a Hanwha, significa a possibilidade de consolidar uma operação industrial nos Estados Unidos e ampliar sua presença em projetos estratégicos do governo americano.
O próximo marco será o avanço da fabricação do primeiro navio, previsto para entrega em 2030.
Se o cronograma for cumprido, um estaleiro que conseguiu recuperar milhares de empregos industriais passará a fornecer uma nova geração de embarcações destinadas a substituir navios construídos há mais de meio século.
A confirmação de eventuais unidades adicionais e os valores definitivos envolvidos permanecem entre as informações que ainda deverão ser esclarecidas durante a execução do programa.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

