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Petrobras e QatarEnergy arrematam sete blocos de petróleo no Ceará por R$ 28,46 milhões e preveem R$ 235 milhões em investimentos
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 08/10/2026 às 10:51
Atualizado em 08/10/2026 às 11:40
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Petrobras e QatarEnergy arrematam sete blocos de petróleo no Ceará, com R$ 28,46 milhões em bônus e R$ 235,25 milhões em investimentos mínimos.
A Petrobras e a QatarEnergy arremataram sete dos oito blocos exploratórios oferecidos na Bacia do Ceará, durante o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na quarta-feira (7). As empresas foram as únicas a apresentar propostas pelas áreas cearenses e assumiram compromissos de R$ 28,46 milhões em bônus de assinatura, além de aproximadamente R$ 235,25 milhões em investimentos mínimos previstos para a fase exploratória.
O resultado representa uma mudança em relação à rodada de 2025, quando áreas marítimas que alcançavam o litoral cearense foram oferecidas, mas não receberam propostas. Conforme os resultados divulgados pela ANP, o novo leilão terminou com sete blocos arrematados na Bacia do Ceará, todos pelo consórcio formado pela estatal brasileira e pela companhia do Catar.
Petrobras terá 70% de participação nos blocos de petróleo do Ceará
A Petrobras será responsável pela operação das sete áreas arrematadas e terá 70% de participação no consórcio, enquanto a QatarEnergy ficará com os 30% restantes.
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A composição foi confirmada em comunicado da QatarEnergy em 8 de outubro de 2026. A empresa informou que os blocos somam aproximadamente 4,7 mil quilômetros quadrados e estão localizados em uma região de águas ultraprofundas, com lâminas d’água entre 2 mil e 3,6 mil metros.
As áreas ficam na porção nordeste da Margem Equatorial Brasileira, faixa que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. No Ceará, os blocos estão situados no mar, diante de um trecho do litoral que abrange dez municípios, entre Acaraú e Cascavel, incluindo Fortaleza.
Segundo o Diário do Nordeste, os blocos cearenses oferecidos no leilão possuem um período exploratório de sete anos. Durante essa etapa, poderão ser realizados estudos e trabalhos destinados à avaliação do potencial petrolífero das áreas, respeitando as obrigações contratuais e ambientais.
Sete blocos offshore somam quase 4,7 mil quilômetros quadrados
O consórcio formado por Petrobras e QatarEnergy foi o único a apresentar propostas para os blocos da Bacia do Ceará. Com isso, sete das oito áreas disponíveis receberam ofertas vencedoras, sem concorrência direta de outras empresas.
De acordo com os dados publicados pela QatarEnergy, os blocos arrematados foram:
- CE-M-665
- CE-M-539
- CE-M-537
- CE-M-477
- CE-M-475
- CE-M-473
- CE-M-471
Seis dessas áreas pertencem ao setor SCE-AP2, enquanto uma integra o SCE-AP3. Juntas, alcançam 4.689,68 quilômetros quadrados, conforme levantamento publicado pela Petronotícias.
O único bloco que permaneceu sem interessados foi o CE-M-745, situado em frente aos municípios de Aquiraz e Cascavel. Segundo o Diário do Nordeste, essa área possuía o maior bônus mínimo entre os oito blocos cearenses, estimado em R$ 9,6 milhões.
Investimentos mínimos de R$ 235,25 milhões serão destinados à exploração
Além dos R$ 28,46 milhões comprometidos em bônus de assinatura, Petrobras e QatarEnergy assumiram obrigações relacionadas ao Programa Exploratório Mínimo (PEM), que estabelece as atividades a serem executadas durante a fase inicial dos contratos.
Conforme os dados divulgados pela Petronotícias, o conjunto dos sete blocos prevê R$ 235,25 milhões em investimentos mínimos exploratórios, associados a um PEM total de 780 unidades de trabalho.
Esse montante é diferente do bônus de assinatura. Enquanto o bônus representa um compromisso financeiro vinculado à obtenção da concessão, os investimentos exploratórios correspondem às atividades que deverão ser cumpridas pelas empresas durante o período contratual.
O prazo previsto para essa fase é de sete anos. Isso não significa que a produção de petróleo começará dentro desse intervalo, já que a existência de reservas comercialmente viáveis ainda dependerá dos resultados das atividades exploratórias.
A perfuração de poços também estará sujeita às autorizações e ao licenciamento ambiental aplicáveis, não sendo automaticamente permitida pelo resultado do leilão.
Resultado contrasta com ausência de propostas em 2025
A participação de Petrobras e QatarEnergy ocorre após uma rodada anterior sem interessados em áreas marítimas relacionadas ao litoral do Ceará.
Em junho de 2025, blocos exploratórios da Bacia Potiguar, que também abrange parte da costa cearense, foram disponibilizados em leilão da ANP, mas não receberam propostas.
Na ocasião, conforme reportagem publicada pelo Diário do Nordeste em 18 de junho de 2025, os blocos estavam associados ao litoral leste do estado. A oferta de 2026, por sua vez, envolveu áreas da Bacia do Ceará, em outra porção marítima da Margem Equatorial.
A diferença também aparece na participação das empresas. Enquanto a rodada anterior terminou sem ofertas para aquelas áreas, o leilão de outubro de 2026 teve propostas para sete dos oito blocos cearenses.
Para a QatarEnergy, a aquisição amplia sua presença exploratória no Brasil. Em comunicado divulgado após o leilão, Saad bin Sherida Al-Kaabi, presidente e CEO da companhia, destacou a parceria com a Petrobras e o interesse em continuar desenvolvendo oportunidades no país.
Contratos de exploração deverão ser assinados após etapas regulatórias
Embora Petrobras e QatarEnergy tenham vencido a disputa pelas sete áreas, os contratos de concessão ainda precisam ser formalizados.
Segundo o cronograma oficial do 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, o processo prevê a homologação dos resultados, a apresentação da documentação necessária e o pagamento dos bônus de assinatura antes da celebração dos contratos.
A ANP estabeleceu 26 de fevereiro de 2027 como prazo-limite previsto para as assinaturas. A QatarEnergy também informou que espera concluir a formalização das concessões no primeiro semestre de 2027.
Com a conclusão dessas etapas, as companhias poderão avançar no planejamento exploratório das áreas. O consórcio terá sete anos para cumprir as atividades previstas nos contratos, enquanto eventuais descobertas e projetos de produção dependerão das avaliações técnicas e das autorizações exigidas.
O resultado coloca a Petrobras como operadora de sete novos blocos na Bacia do Ceará, com participação da QatarEnergy, e estabelece compromissos exploratórios mínimos de R$ 235,25 milhões em uma região que havia encerrado a rodada anterior sem interessados.
Fonte
Diário do Nordeste
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

