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Braskem coloca no Brasil navio capaz de carregar 35 piscinas olímpicas e preparado para usar biocombustíveis em viagens de mais de 10 mil km
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 09/10/2026 às 14:30
Atualizado em 09/10/2026 às 14:35
Indústria Naval
Canal
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Blooming Future estreia no Brasil com capacidade equivalente a 35 piscinas olímpicas e tecnologia para reduzir emissões no transporte de nafta.
Um navio-tanque capaz de transportar uma carga equivalente a aproximadamente 35 piscinas olímpicas acaba de entrar efetivamente na logística industrial brasileira. Segundo a Revista Economia do Mar, a Braskem realizou em 3 de outubro de 2026 a primeira atracação no Brasil do Blooming Future, novo LR1 da Braskem Trading & Shipping, no Porto de Aratu, na Bahia. Entregue em junho, o navio foi desenvolvido para transportar nafta em rotas de longa distância, possui motor preparado para biocombustíveis e integra uma nova geração de embarcações projetadas para consumir menos combustível e emitir cerca de 30% menos CO₂ que a média dos navios anteriormente utilizados pela companhia.
Blooming Future começou a operar no Brasil pelo Porto de Aratu
A primeira escala brasileira marca a entrada do navio na estrutura que abastece as operações petroquímicas da Braskem. O Blooming Future já havia iniciado sua viagem inaugural em junho, depois de ser batizado na China em maio, mas a chegada a Aratu coloca a embarcação diretamente na rota industrial que conecta fornecedores internacionais de matéria-prima às fábricas brasileiras.
O Porto de Aratu possui papel importante nesse sistema porque movimenta granéis líquidos utilizados pelo polo petroquímico baiano.
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É nesse tipo de terminal que grandes volumes de nafta podem ser descarregados e encaminhados para a infraestrutura industrial responsável por transformar a matéria-prima em produtos químicos e resinas.
Navio foi construído para atravessar longas distâncias
O Blooming Future pertence à categoria LR1, Long Range 1, formada por navios-tanque projetados para transportar grandes volumes de derivados de petróleo e produtos químicos em rotas oceânicas. A própria Braskem prevê utilizar a nova frota principalmente entre a Costa do Golfo dos Estados Unidos e o Brasil.
Uma viagem típica desse corredor supera 5.500 milhas náuticas, o equivalente a mais de 10 mil quilômetros. Durante esse percurso, eficiência do casco, velocidade de navegação e consumo do motor passam a ter impacto direto tanto sobre o custo da operação quanto sobre as emissões geradas pelo transporte.
Carga equivale a aproximadamente 35 piscinas olímpicas
A Braskem utiliza uma comparação simples para mostrar a escala da embarcação. O volume transportado pelo Blooming Future é equivalente a aproximadamente 35 piscinas olímpicas, quantidade suficiente para abastecer por semanas determinadas necessidades industriais da companhia.
O navio também possui largura comparável à de uma rodovia com seis faixas, segundo a descrição divulgada pela própria Braskem.
A programação portuária da Codeba registra comprimento próximo de 228 metros, colocando a embarcação em uma escala superior a dois campos de futebol posicionados em sequência.
A carga principal será uma matéria-prima central da petroquímica
O Blooming Future foi destinado principalmente ao transporte de nafta, produto derivado do petróleo utilizado como uma das principais matérias-primas da indústria petroquímica.
Depois de processada, ela pode originar insumos usados na fabricação de embalagens, peças industriais, produtos domésticos, equipamentos médicos e inúmeras aplicações plásticas.
Para a Braskem, controlar uma parcela maior dessa logística significa reduzir dependência de contratos pontuais com navios disponíveis no mercado. Uma frota dedicada aumenta previsibilidade para um insumo que precisa chegar continuamente às unidades industriais.
Motor já nasce preparado para utilizar biocombustíveis
Um dos principais diferenciais técnicos está no motor principal. A embarcação foi preparada para utilizar biocombustíveis, permitindo que parte da substituição de combustíveis marítimos fósseis possa ocorrer sem exigir a troca completa do navio.
Isso não significa que todas as viagens do Blooming Future já sejam realizadas integralmente com combustível renovável.
A tecnologia oferece flexibilidade para incorporar biocombustíveis conforme disponibilidade, especificação técnica, custo e infraestrutura de abastecimento nos portos atendidos pela embarcação.
Braskem estima redução de cerca de 30% nas emissões
A companhia estima que o Blooming Future possa emitir aproximadamente 30% menos CO₂ do que a média das embarcações anteriormente utilizadas em suas operações. A redução projetada chega a cerca de 6.500 toneladas de CO₂ por ano por navio, segundo os números apresentados pela empresa.
O resultado não depende apenas do combustível utilizado. A própria arquitetura da embarcação foi desenvolvida para diminuir resistência na água, melhorar o aproveitamento da potência dos motores e reduzir o gasto energético necessário para transportar cada metro cúbico de carga.
Casco recebeu pintura para deslizar com menor resistência
Entre as soluções incorporadas à nova geração está uma pintura de ultrabaixo atrito aplicada ao casco. A proposta é diminuir a resistência entre a superfície do navio e a água durante a navegação, fazendo com que menos energia seja necessária para manter determinada velocidade.
Em viagens oceânicas que duram muitos dias, pequenas reduções de resistência podem produzir diferenças relevantes no consumo acumulado.
Essa lógica se soma à operação em velocidade otimizada, outra estratégia adotada para equilibrar tempo de viagem e eficiência energética.
Hélice e leme também foram redesenhados para gastar menos
O conjunto de propulsão possui soluções conhecidas como Pre-Swirl Duct e Twisted Rudder. Esses sistemas trabalham o fluxo de água antes e depois da hélice para reduzir perdas e aproveitar melhor a energia produzida pelo motor principal.
A embarcação também utiliza sistemas VFD, que permitem controlar velocidade e torque de determinados motores elétricos conforme a necessidade operacional.
Em vez de equipamentos funcionando permanentemente em potência máxima, o sistema ajusta o consumo de energia à demanda real.
A redução da pegada ambiental também envolve poluentes diferentes do dióxido de carbono. Os navios dessa nova série incorporam scrubbers, equipamentos utilizados para reduzir emissões de óxidos de enxofre presentes nos gases de exaustão.
Outra tecnologia é o sistema SCR, de redução catalítica seletiva, voltado a diminuir óxidos de nitrogênio. Esses poluentes estão associados à qualidade do ar e são alvo de regras internacionais cada vez mais rígidas para a navegação comercial.
Blooming Future não está sozinho na renovação da frota
A Braskem está construindo uma pequena família de navios LR1 para ampliar sua autonomia no transporte de nafta.
O Beautiful Future foi o primeiro da nova geração a atracar no Brasil, em agosto, enquanto o Blooming Future realizou sua primeira operação brasileira em outubro.
O Blissful Future também já foi incorporado à frota em 2026. O quarto navio, Bold Future, possui entrada em operação prevista para janeiro de 2027, completando a série planejada dentro do programa Sea(s) of the Future.
Quatro navios poderão transportar quase metade da nafta importada
Quando as quatro embarcações estiverem em operação, a Braskem estima que a frota poderá movimentar entre 40% e 50% de sua demanda de importação de nafta.
Isso cria uma mudança importante na maneira como a petroquímica organiza o abastecimento de suas unidades brasileiras.
Ter navios dedicados reduz exposição às oscilações de disponibilidade do mercado de afretamento. Em períodos de forte demanda global, conflitos ou congestionamentos, empresas sem frota contratada podem enfrentar fretes maiores e dificuldade para encontrar embarcações adequadas no momento necessário.
Porto de Aratu recebe mais uma peça da nova logística da Braskem
A atracação na Bahia transforma um projeto iniciado em estaleiros asiáticos em parte concreta da operação brasileira.
Depois do batismo na China e do início das viagens internacionais em junho, o Blooming Future chegou a Aratu carregando uma capacidade comparável a dezenas de piscinas olímpicas e entrou oficialmente no ciclo logístico que abastece a petroquímica nacional.
A próxima etapa será ampliar o uso dessa frota conforme os quatro LR1 entrarem em operação. Com motores preparados para biocombustíveis, tecnologias de redução de consumo e capacidade para movimentar até metade da nafta importada pela empresa, os novos navios colocam transporte marítimo, segurança de abastecimento e eficiência energética dentro da mesma estratégia industrial da Braskem.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

