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Avibras fecha acordo com jornada de 42 horas no lugar de 44, reajuste de 6,06% e vale-alimentação de R$ 450 na primeira campanha após 1.281 dias de greve
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 11/10/2026 às 19:39
Atualizado em 11/10/2026 às 19:40
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Os metalúrgicos de Jacareí aprovaram a proposta em assembleia na quinta-feira (8). A conta mostra o que a jornada de 42 horas e o reajuste de 6,06% valem no bolso, e o que o acordo ainda não diz.
Os trabalhadores da Avibras aprovaram na quinta-feira (8), em assembleia em Jacareí (SP), a nova proposta da empresa para a campanha salarial. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região publicou o resultado às 12h41 do mesmo dia: jornada de 42 horas, reajuste de 6,06% e vale-alimentação de R$ 450.
É a primeira luta dos metalúrgicos na fábrica depois da retomada e da greve de 1.281 dias, segundo o sindicato. A empresa tem hoje cerca de 600 trabalhadores.

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O que os trabalhadores da Avibras aprovaram em Jacareí?
Segundo o sindicato, a proposta aprovada reúne cinco pontos:
- reajuste de 6,06%, descrito como INPC mais 2% de aumento real;
- jornada de 42 horas semanais no lugar de 44, com o compromisso de a Avibras negociar as 40 horas ainda este ano;
- implementação do vale-alimentação de R$ 450;
- redução da coparticipação no plano de saúde e do valor cobrado pelas refeições na fábrica;
- renovação das cláusulas sociais por mais dois anos.
Os metalúrgicos rejeitaram a primeira proposta da empresa no dia 29 de setembro. O texto do sindicato não conta o que essa oferta trazia.
O presidente do sindicato, Weller Gonçalves, resumiu: “Esta foi uma campanha salarial vitoriosa”.
Quanto o reajuste de 6,06% muda no contracheque?
O sindicato não divulga a tabela salarial da Avibras. A conta abaixo usa três salários de exemplo, que não são salários reais da fábrica. A multiplicação é simples: salário vezes 1,0606.
A notícia não informa a data-base nem se o reajuste de 6,06% vale retroativo. Quem trabalha na fábrica precisa conferir isso no texto do acordo coletivo.
O que duas horas a menos por semana significam na conta?
A jornada de 42 horas tira 2 horas por semana. Isso dá 104 horas por ano, o equivalente a 13 jornadas de 8 horas. É a conta do relógio, sem depender de salário.
A conta do bolso depende de uma informação que o sindicato não deu: se o salário mensal foi mantido com a jornada menor. O texto trata a redução como conquista, mas não escreve “sem redução de salário”.
Se o salário mensal for o mesmo, a conta muda. Pelo divisor usual, 220 horas por mês para 44 horas semanais, a jornada de 42 horas passa a ter 210 horas. O valor da hora sobe 4,76%.
Somado ao reajuste de 6,06%, o ganho por hora chega a cerca de 11,1%. É uma conta minha, só vale com salário mensal mantido. Fica perto dos 11% da pauta que os metalúrgicos aprovaram em junho.

O vale-alimentação de R$ 450 é mensal?
O sindicato escreve “implementação do vale-alimentação, no valor de R$ 450”. Não diz se é mensal e não informa qual era o benefício antes.
Se o vale-alimentação de R$ 450 for mensal, são R$ 5.400 por ano (R$ 450 vezes 12). É uma hipótese, registrada para o trabalhador saber o que perguntar no RH.
Ficaram sem valor divulgado os cortes na coparticipação do plano de saúde e no preço da refeição. O texto fala em “redução”, sem percentuais.
Como a jornada de 42 horas se compara ao que o Senado discute?
A Agência Senado informou em 6 de outubro que a PEC 221/2019 começou a tramitar no Plenário. A proposta prevê jornada de 42 horas dois meses após a publicação da emenda e de 40 horas um ano e dois meses depois.
A PEC ainda não foi votada. Na Avibras, a jornada de 42 horas veio por acordo com o sindicato, e as 40 horas ficaram como compromisso de negociação.
Na região, a pauta de junho lembrava que a Embraer, a maior empregadora entre as metalúrgicas, já trabalha 42 horas por semana, e a GM, 40 horas. Pelo que o sindicato publicou, a Avibras passa a ficar na faixa da Embraer.
O que ainda não se sabe sobre o acordo da Avibras?
Faltam itens que mudam a conta do trabalhador:
- o texto do acordo coletivo, que não está no site do sindicato;
- a data em que a jornada de 42 horas passa a valer;
- se o salário mensal foi mantido;
- a data-base e o retroativo do reajuste de 6,06%;
- o valor da coparticipação e da refeição depois da redução.
Procurei o texto do acordo e uma nota da Avibras sobre a assembleia em Jacareí e não achei. O sindicato registra ainda que o Cade aprovou a compra da empresa pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, por meio da Globe Investimentos. A Avibras segue sob o controle do fundo Brasil Crédito.
A fábrica voltou a operar depois do acordo de março. Os trabalhadores aprovaram então a proposta para quitar a dívida trabalhista de cerca de R$ 230 milhões e encerrar a greve, conforme o Times Brasil. A empresa previa recontratar 210 pessoas em abril e chegar a 450 a partir de junho. O sindicato diz que hoje são cerca de 600.

Para quem está dentro da fábrica, a sequência é curta: o vale-alimentação de R$ 450, a jornada de 42 horas e o reajuste de 6,06% entram na folha, e a conversa sobre as 40 horas fica marcada para este ano. O presidente do sindicato avisou na assembleia que quem estiver à frente da empresa vai encontrar metalúrgicos organizados.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

