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Para construir uma barragem com mais de 140 metros na Bahia, trabalhadores precisaram abrir dois túneis e mudar temporariamente o caminho do rio Paraguaçu
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 16/10/2026 às 10:01
Construção
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A construção de Pedra do Cavalo, na Bahia, exigiu desviar o rio Paraguaçu por túneis escavados na rocha. A operação liberou o leito original para as fundações da barragem, que recebeu milhões de metros cúbicos de materiais. O reservatório também provocou deslocamentos de famílias, e a operação começou em 1985.
Dois túneis abertos na rocha permitiram retirar temporariamente o fluxo principal do rio Paraguaçu do trecho onde seria construída a barragem de Pedra do Cavalo, na Bahia. Enquanto a água passava pelas escavações e retornava ao curso mais abaixo, máquinas entravam na área antes ocupada pela correnteza.
Segundo a reconstrução histórica apresentada pelo canal O Mundo em Construção, em vídeo publicado em 14 de setembro de 2026, o desvio ocorreu em março de 1980. A operação abriu caminho para erguer uma estrutura com mais de 140 metros de altura, mas ainda seria necessário drenar e preparar o terreno.
Cheias atingiam Cachoeira e São Félix antes da obra
As enchentes do rio Paraguaçu atingiam Cachoeira e São Félix e estavam entre os problemas que motivaram a construção. Nos períodos de grandes chuvas, o aumento do volume de água afetava as duas cidades da Bahia.
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O engenheiro José Joaquim Dias Fernandes Neto é citado na narrativa por suas lembranças sobre essas cheias. Seu relato associa os episódios a graves consequências para a população, contexto que ajuda a explicar o objetivo de controlar parte das águas.
Dois túneis foram escavados enquanto o rio mantinha seu curso
Os trabalhos preparatórios começaram no final da década de 1970. Antes de bloquear a passagem natural da água, as equipes abriram túneis nas formações rochosas das laterais do vale.
A escavação combinava perfurações, explosivos e retirada do material fragmentado. O rio Paraguaçu continuava seguindo pelo leito original enquanto o caminho alternativo era preparado.
O sistema precisava conduzir a água para além da área de construção. A capacidade de receber o fluxo era decisiva para evitar que ele voltasse a ocupar o canteiro durante a obra.
Jornal registrou conclusão de túnel em agosto de 1979
A narrativa cita uma notícia do jornal A Cachoeira, publicada em 11 de agosto de 1979, sobre a conclusão de um túnel de desvio. O registro aparece como um marco da preparação para mudar o caminho das águas.
A passagem escavada ainda precisava ser conectada ao fluxo do rio. A etapa seguinte exigiria avançar com estruturas provisórias sobre o leito e direcionar a correnteza para as entradas dos túneis.
Fechamento do leito direcionou a água em março de 1980
Pedras e outros materiais foram usados para formar as estruturas provisórias de desvio. À medida que o fechamento avançava, diminuía o espaço disponível para a passagem da corrente pelo caminho original.
A água passou a entrar pelas aberturas na rocha e reaparecer abaixo do canteiro. O canal cita outra edição do jornal A Cachoeira, de 23 de março de 1980, que registrou o desvio como o início da construção de Pedra do Cavalo.
Água acumulada e lama precisaram sair antes das fundações
O desvio do fluxo principal não deixou o terreno imediatamente seco. Nas áreas isoladas, ainda havia água acumulada, infiltrações, lama e sedimentos que precisavam ser removidos.
A drenagem permitiu ampliar o acesso das máquinas ao antigo fundo do rio. Depois, as equipes retiraram materiais soltos e prepararam as fundações para receber o peso da barragem.
Estrutura recebeu cerca de 8,64 milhões de metros cúbicos de materiais
A barragem principal de Pedra do Cavalo foi construída com enrocamento, uma estrutura formada por grandes volumes de rocha, e um núcleo de material argiloso. As diferentes partes tinham funções próprias: dar estabilidade ao conjunto e limitar a passagem da água.
O volume informado é de aproximadamente 8,64 milhões de metros cúbicos de aterro compactado e enrocamento. O trabalho exigia transportar, descarregar, espalhar e compactar os materiais em camadas.
A elevação da estrutura dependia da repetição dessas etapas. Caminhões e equipamentos pesados abasteciam as frentes de serviço enquanto o maciço crescia no vale.
Desvio não eliminou o risco de cheias durante a construção
O rio Paraguaçu continuava chegando à área da obra, embora seguisse pelo percurso artificial. Uma cheia poderia aumentar o volume de água diante das estruturas provisórias e ameaçar o canteiro.
O acompanhamento do rio permaneceu necessário durante a construção. Os túneis liberavam a área de trabalho, mas não dispensavam a vigilância sobre as condições do escoamento.
Vertedouro recebeu cinco comportas para liberar água
O vertedouro foi construído para permitir a liberação controlada de grandes volumes de água do reservatório. A estrutura apresentada conta com cinco comportas.
As obras dessa parte do empreendimento na Bahia também envolveram escavações, fundações, concreto e instalação de equipamentos. Enquanto o corpo principal subia, outras equipes preparavam o sistema destinado a conduzir as descargas.
Famílias precisaram deixar terras que seriam inundadas
A implantação do reservatório mudou a vida de famílias que ocupavam a área atingida. Terras usadas para moradia, plantio e criação de animais seriam cobertas pela água.
Entre as memórias mencionadas está a de uma assistente social que ingressou na Desenvale em 1981 para trabalhar no projeto. A narrativa também cita pesquisas posteriores que registraram o deslocamento das comunidades e a reconstrução da vida em outros lugares.
O impacto humano integra a história de Pedra do Cavalo na Bahia. A formação do lago alterou tanto a paisagem quanto os espaços de trabalho e convivência das pessoas atingidas.
Fechamento do desvio deu início ao enchimento do reservatório
O enchimento exigiu interromper a saída livre da água pelo sistema de desvio. A parcela que chegava e não era liberada pelas estruturas de controle passou a se acumular atrás da barragem.
O nível subiu primeiro nas partes mais baixas e depois avançou pelas margens. Com o aumento da água armazenada, instrumentos e equipes acompanhavam infiltrações, movimentações e drenagem da estrutura.
Pedra do Cavalo entrou em operação em 1985
Assista o vídeo
A entrada em operação ocorreu em 1985, conforme a cronologia apresentada. O empreendimento passou a armazenar parte das águas e controlar sua liberação, modificando a relação entre o rio e as cidades situadas abaixo da barragem.
O sistema de desvio havia cumprido sua função de liberar o leito durante a construção. Com o reservatório formado, Pedra do Cavalo assumiu a função de controle das águas para a qual a obra foi projetada.
Na sua opinião, como obras desse porte devem conciliar o controle de cheias com a proteção das famílias que precisam deixar suas terras? Deixe sua opinião nos comentários.
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barragem de Pedra do Cavalo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

