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Projeto leva mulheres de caminhões menores às carretas, custeia mudança da CNH C para E e cria trilha de formação em setor onde elas são apenas 1,06% dos motoristas
Escrito por Carla Teles
Publicado em 22/10/2026 às 16:21
Atualizado em 22/10/2026 às 16:40
Transporte Rodoviário
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Mulheres caminhoneiras ganham trilha para chegar às carretas, com formação interna, acompanhamento e CNH custeada, em setor onde elas representam só 1,06% dos motoristas brasileiros.
Um projeto voltado às mulheres caminhoneiras está criando uma trilha para que profissionais já habilitadas e com experiência em veículos menores avancem até a condução de carretas. A iniciativa da West Cargo inclui treinamento interno, acompanhamento com instrutores, prática progressiva em diferentes operações e custeio integral da mudança da CNH da categoria C para a E.
Segundo o Blog do Caminhoneiro, em reportagem publicada em 22 de outubro de 2026, o programa foi estruturado diante da baixa participação feminina no transporte rodoviário de cargas. Dados da ANTT baseados na RAIS de 2024 apontam 713.229 motoristas de caminhão com vínculo formal no país, dos quais apenas 7.567 eram mulheres, equivalentes a 1,06% do total.
Mulheres caminhoneiras ainda representam parcela mínima do setor
A presença feminina permanece reduzida em um mercado que depende de centenas de milhares de profissionais para movimentar cargas pelo país.
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Os números citados pela reportagem mostram que, embora mais de 7,5 mil mulheres já estejam formalmente empregadas como motoristas de caminhão, elas ainda representam pouco mais de 1% do total registrado.
Ao mesmo tempo, o setor enfrenta dificuldades para preencher vagas.
Pesquisa apresentada pela NTC&Logística no CONET&Intersindical de agosto de 2026 apontou que 88% das transportadoras enfrentavam dificuldades para contratar motoristas ou agregados.
Esse cenário cria uma combinação particular: de um lado, falta mão de obra; do outro, existe um grupo ainda pouco representado nas cabines dos caminhões.
Projeto Comando Rosa tenta criar caminho até a carreta
Foi nesse contexto que a West Cargo estruturou o Projeto Comando Rosa.
A iniciativa procura criar condições para que mulheres caminhoneiras consigam avançar profissionalmente dentro do transporte de cargas, principalmente em operações que exigem veículos maiores e habilitação de categoria superior.
Um dos principais instrumentos é o Programa Motorista Trainee.
A empresa seleciona profissionais habilitadas na categoria C e oferece uma sequência de treinamento que inclui direção preventiva e defensiva, telemetria, acompanhamento com motoristas instrutores e preparação para condução de carretas.
A formação não coloca a profissional diretamente em uma carreta de grande porte. O avanço ocorre progressivamente, com participação em diferentes tipos de operação até que a motorista esteja preparada para assumir atividades mais complexas.
Empresa paga mudança da CNH C para a categoria E
Uma das barreiras enfrentadas por profissionais que querem avançar para veículos maiores é a própria habilitação exigida.
Ao final da formação, a West Cargo custeia integralmente a mudança da CNH da categoria C para a E, necessária para conduzir determinadas combinações de veículos e carretas.
Segundo Luigi Rosolen, diretor da empresa, muitas mulheres já possuem experiência com caminhões menores, mas encontram dificuldade para acessar oportunidades que permitam chegar às carretas.
A proposta do programa é justamente criar esse percurso dentro da empresa.
Treinamento, experiência prática e mudança de categoria da habilitação passam a fazer parte da mesma trilha profissional, reduzindo parte das barreiras de entrada em operações mais pesadas.
Segurança fora da cabine também entra na formação
A preparação não fica restrita à condução do veículo.
A West Cargo também mapeou pontos de parada nas principais rotas utilizadas pela empresa, buscando estruturas consideradas adequadas para atender as motoristas durante viagens.
Esse cuidado procura responder a outra dimensão da presença feminina no transporte: a necessidade de segurança durante deslocamentos de longa distância e períodos de descanso.
A companhia também utiliza monitoramento, rastreamento, câmeras, telemetria e treinamentos específicos de segurança.
A evolução até a carreta, portanto, envolve tanto domínio técnico quanto adaptação à rotina das estradas.
Primeira formada passou por coleta, entrega e veículos pesados
Andreia Cardoso foi a primeira motorista a concluir integralmente o processo de formação.
Antes de chegar à etapa final, ela passou por treinamento interno, operações de coleta e entrega e preparação específica para condução de veículos pesados.
A trajetória funciona como exemplo da lógica adotada pelo programa: avançar por etapas em vez de exigir experiência prévia imediata em carretas.
Depois de concluir a formação, Andreia passou a conduzir uma carreta pintada totalmente de rosa, primeira unidade da história da West Cargo com identidade visual diferente do padrão tradicional da frota.
O veículo funciona como símbolo do projeto, mas o elemento central continua sendo a capacitação profissional necessária para assumir a operação.
West Cargo ainda tem apenas quatro motoristas mulheres
Apesar da iniciativa, a presença feminina dentro da própria frota ainda é pequena.
Atualmente, a West Cargo possui quatro motoristas mulheres e afirma trabalhar com a perspectiva de ampliar gradualmente esse número.
Durante o projeto, o total de mulheres na empresa dobrou, com presença feminina distribuída por todos os departamentos.
O dado mostra que o programa ainda está em fase de expansão e que a mudança não acontece de forma imediata.
Para aumentar de maneira significativa o número de mulheres caminhoneiras, será necessário manter formação, oportunidades reais de contratação e condições para permanência dessas profissionais na atividade.
ANTT também passou a reconhecer participação feminina
O tema ganhou espaço além das empresas.
Em 2026, a ANTT incluiu no Prêmio Destaques do Transporte Terrestre critérios específicos voltados a empresas de transporte rodoviário de cargas com participação feminina entre motoristas.
A medida coloca a inclusão das mulheres dentro da agenda institucional do setor.
A West Cargo também participa de iniciativas como A Voz Delas, da Mercedes-Benz, e Vez & Voz – Mulheres no TRC, criada pelo SETCESP.
Essas ações indicam que a discussão deixou de ficar restrita a casos individuais e passou a fazer parte de uma estratégia mais ampla de atração de profissionais.
Falta de motoristas pode acelerar abertura para novos públicos
A dificuldade das transportadoras para contratar profissionais cria uma pressão adicional.
Com 88% das empresas pesquisadas relatando problemas para encontrar motoristas ou agregados, ampliar o acesso de grupos ainda pouco presentes na profissão pode se tornar uma alternativa para reduzir parte dessa escassez.
Isso não significa que a participação feminina vá crescer automaticamente.
Ainda existem barreiras relacionadas à formação, experiência, segurança, estrutura de apoio e acesso a oportunidades em operações mais complexas.
Projetos como o Comando Rosa tentam atacar justamente alguns desses pontos ao criar uma transição estruturada entre caminhões menores e carretas.
Mulheres caminhoneiras ganham trilha em mercado ainda muito desigual
O programa da West Cargo mostra uma tentativa prática de ampliar o acesso feminino às operações de maior porte dentro do transporte rodoviário de cargas.
A profissional pode entrar com CNH categoria C, passar por treinamento, ganhar experiência em diferentes atividades e chegar à categoria E com o custo da mudança assumido pela empresa.
Ainda assim, os números nacionais deixam clara a distância a ser percorrida.
Com apenas 1,06% dos motoristas formais de caminhão sendo mulheres, a presença feminina continua extremamente reduzida em relação ao tamanho do setor.
Ao mesmo tempo, a falta de profissionais enfrentada pelas transportadoras torna a formação de novos públicos uma questão operacional, além de social.Nos comentários, você acredita que programas com capacitação e CNH custeada podem aumentar de forma significativa o número de mulheres caminhoneiras nas estradas brasileiras?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

