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Fábrica da Novo Nordisk em Minas usou gêmeo digital para evitar R$ 900 mil em testes e economizar quase 300 mil litros de água; validação pode cair para cinco meses
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 23/10/2026 às 23:06
Atualizado em 23/10/2026 às 23:34
Indústria
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Modelo virtual foi usado antes da conclusão da instalação para testar pressão, temperatura e formação de espuma, antecipar falhas de engenharia e preparar sistemas e operadores. A economia informada pela companhia se refere aos testes evitados; o prazo de cinco meses ainda é uma projeção.
A Novo Nordisk usou um gêmeo digital no planejamento de uma nova instalação em Montes Claros (MG) para testar condições de operação antes da montagem definitiva de tubulações, válvulas e equipamentos. Uma das simulações identificou antecipadamente uma falha de pressão em uma válvula.
O caso foi apresentado por Carlos Ednaldo Barbosa Santos, representante da farmacêutica, durante o painel “Gêmeos Digitais: O Futuro em Tempo Real”, na Mercopar, feira industrial realizada em Caxias do Sul (RS), e registrado pela Agência Sebrae de Notícias.
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A empresa buscava reduzir o risco de descobrir problemas somente depois da instalação física dos sistemas. Com a falha detectada no ambiente virtual, a equipe pôde rever a solução antes de reproduzir na planta real toda a sequência de montagem e testes necessária para localizar o problema.
O gêmeo digital reuniu representações tridimensionais da fábrica com diagramas elétricos e hidrossanitários. Nesse ambiente, os engenheiros simularam condições de pressão, temperatura e formação de espuma em processos biológicos antes de levar essas condições à estrutura física.
Santos atribuiu ao conjunto de testes virtuais uma economia de quase 300 mil litros de água e aproximadamente R$ 900 mil em despesas relacionadas a testes de tubulações e válvulas. Os valores foram apresentados pela Novo Nordisk durante a palestra e se referem especificamente ao processo descrito.
Os números não representam uma auditoria independente sobre uma economia permanente da unidade nem indicam redução contínua no consumo de água da fábrica. O resultado informado está ligado aos testes físicos que a companhia afirmou ter evitado ao antecipar problemas no modelo digital.
Validação pode cair de até dez para cinco meses
O prazo de validação também apareceu entre os ganhos esperados do projeto. Santos informou que essa etapa normalmente leva de nove a dez meses por linha e estimou que, com a preparação virtual, o ciclo poderá cair para cinco meses.
A redução permanece como projeção, e não como resultado já comprovado. A reportagem que registrou a apresentação não informa uma medição posterior demonstrando que o novo ciclo tenha sido concluído nesse período.
O modelo virtual também não elimina a necessidade de validar a instalação física. No processo apresentado, sua função foi permitir que condições de operação, falhas e ajustes fossem avaliados antes que todos os sistemas estivessem montados, reduzindo a quantidade de problemas descobertos somente na etapa real de testes.
A nova instalação foi planejada dentro de um cronograma de construção de três anos e meio, conforme o relato feito na Mercopar. Nesse planejamento, o período de validação tinha peso próprio porque poderia acrescentar de nove a dez meses ao processo de preparação de uma linha.
Operação em Minas e outros usos do modelo
A dimensão da operação de Montes Claros ajuda a contextualizar o projeto. A Novo Nordisk informa em sua página oficial no Brasil que a unidade mineira, fundada em 2007, emprega cerca de 1.800 pessoas.
A companhia também informa que a fábrica responde por 25% da insulina produzida globalmente pela própria Novo Nordisk, volume equivalente a aproximadamente 12% da insulina consumida no mundo. A mesma página atribui à unidade 25% das exportações brasileiras de produtos farmacêuticos.
Os percentuais medem universos diferentes. O primeiro se refere à produção mundial da própria companhia, enquanto os 12% correspondem à parcela estimada do consumo global de insulina atendida pela produção da unidade, distinção necessária para não tratar os dois indicadores como equivalentes.
O uso do gêmeo digital não ficou restrito às simulações de pressão e demais parâmetros do processo. A ferramenta também foi empregada para aproximar sistemas de operação e controle, incluindo PCS e SAP, ainda durante a preparação da instalação.
A apresentação relacionou o ambiente virtual ao treinamento dos operadores, permitindo que parte da preparação fosse realizada antes da entrada em funcionamento da estrutura física. O modelo também foi citado como base para aplicações futuras de manutenção preditiva, sem que esse uso tenha sido apresentado como resultado já alcançado.
O desenvolvimento do modelo envolveu ainda a escolha de uma startup brasileira. Santos afirmou que a alternativa teve custo inferior ao de uma proposta apresentada por um grande fornecedor internacional e que o acordo garantiu à Novo Nordisk a propriedade do código-fonte usado no projeto.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

