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Marcopolo valida novos ônibus digitalmente, reduz 45% do retrabalho e corta pela metade o tempo de protótipos; um modelo foi avaliado em tamanho real um ano antes da estreia no mercado
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 23/10/2026 às 22:42
Atualizado em 23/10/2026 às 23:10
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A fabricante afirma que a validação virtual antecipa interferências entre componentes e permite revisar design, ergonomia e etapas de montagem antes dos protótipos físicos, num processo que já alcança todos os projetos novos e também passou a ser usado na simulação da fábrica.
A Marcopolo afirmou na Mercopar 2026, em Caxias do Sul (RS), que a validação virtual já alcança todos os novos projetos de ônibus da empresa. A prática permite revisar interferências entre componentes, design e ergonomia antes da fabricação do protótipo físico e da entrada do veículo na linha de produção.
Os resultados foram apresentados por Tailon Andre Podewils no painel “Gêmeos Digitais: O Futuro em Tempo Real”, realizado na quinta-feira (22), durante a 35ª Mercopar. A Agência Sebrae de Notícias do Rio Grande do Sul registrou a apresentação e as declarações do representante da fabricante.
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“Hoje, validamos 100% dos nossos novos projetos de forma digital. Com isso, reduzimos 50% do tempo na fabricação de protótipos e reduzimos em 45% o número de retrabalhos”, afirmou Podewils. Os percentuais foram divulgados pela própria Marcopolo, sem detalhamento público, naquela apresentação, sobre período de comparação, universo considerado ou auditoria externa.
A empresa opera com diferentes configurações de carrocerias e adaptações para mercados e clientes específicos. Na apresentação, Podewils explicou que essa variedade amplia a complexidade do desenvolvimento e aumenta as possibilidades de interferência entre componentes que precisam ser verificadas pela engenharia.
Antes da expansão das ferramentas digitais, parte desses conflitos aparecia apenas durante o processo produtivo ou depois da construção de um protótipo físico, segundo o relato feito no evento. Nessa etapa, uma correção podia exigir revisão do projeto, retrabalho e novos testes quando peças e recursos de prototipagem já haviam sido mobilizados.
Validação digital passou a integrar o desenvolvimento
A transformação começou há cerca de dez anos, com atualizações nos sistemas usados para gestão do ciclo de vida do produto, desenho e montagem digital. A empresa também incorporou a plataforma 3DEXPERIENCE ao gerenciamento dos projetos e utiliza o CATIA no desenvolvimento digital de conjuntos.
A mudança não ficou restrita à criação de modelos tridimensionais. O processo descrito pela companhia envolve também a gestão das informações do produto e a montagem digital, para que diferentes verificações ocorram antes da construção do protótipo e possam ser incorporadas ao projeto ainda na fase de engenharia.
Modelos tridimensionais, informações de engenharia e parâmetros do projeto podem ser confrontados ainda durante o desenvolvimento, etapa em que a equipe procura localizar colisões e incompatibilidades entre componentes.
Podewils também citou escopo bidimensional, modelos paramétricos em 3D, tabelas de projeto, geração de documentação e integração com os sistemas da companhia. O uso conjunto dessas informações permite revisar o produto antes que a engenharia avance para etapas que dependem de materiais, montagem e infraestrutura de prototipagem.
DD G8 foi avaliado em tamanho real antes da estreia
O caso destacado pela Marcopolo foi o DD G8, versão Double Decker da Geração 8. Segundo a apresentação, o ônibus foi desenvolvido integralmente em ambiente digital, o que permitiu verificar interferências e avaliar design e ergonomia em tamanho real cerca de um ano antes do lançamento oficial.
A avaliação antecipada tornou possível examinar o veículo em escala real ainda durante o desenvolvimento, sem depender da conclusão do primeiro protótipo físico para essa etapa. O exemplo foi apresentado pela fabricante como uma aplicação das ferramentas virtuais dentro do processo de engenharia.
A experiência também aparece em um caso publicado pela Dassault Systèmes, fornecedora da plataforma utilizada pela Marcopolo. O material registra redução de 50% no processo de produção de protótipos e informa que os ônibus da Geração 8 foram desenvolvidos integralmente na 3DEXPERIENCE.
O registro da fornecedora sustenta o resultado sobre prototipagem apresentado na Mercopar, mas não substitui a atribuição dos demais indicadores à Marcopolo. O índice de 45% de redução nos retrabalhos permanece ligado ao dado informado pela própria fabricante durante o painel.
Simulação também chegou à linha de montagem
A aplicação dos modelos digitais ultrapassou o desenho do ônibus. A Marcopolo informou que passou a usar simulações para avaliar a própria linha de montagem e aspectos de ergonomia das estações de trabalho, levando a análise virtual também para atividades executadas durante a produção.
Nesse uso, as informações criadas na engenharia podem ser aproveitadas para observar como o veículo será montado e como determinadas tarefas se relacionam com os postos de trabalho. A simulação permite revisar essas condições antes de mobilizar fisicamente a estrutura correspondente.
Os modelos virtuais não eliminam testes físicos nem as decisões de engenharia necessárias para liberar um veículo. No processo descrito pela Marcopolo, eles funcionam como uma etapa anterior de validação, destinada a localizar incompatibilidades enquanto o projeto ainda pode ser revisado digitalmente.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

