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Mercado reduz previsão da Selic para 11,75% em 2027 e inflação para 5,19% em 2026, enquanto Banco Central aponta crescimento menor do PIB no Boletim Focus
Escrito por Carla Teles
Publicado em 27/10/2026 às 20:03
Atualizado em 27/10/2026 às 20:20
Economia
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Levantamento com instituições financeiras aponta juros menores nos próximos anos, mas mantém a previsão de alta dos preços acima do limite de 4,5% em 2026.
A previsão de inflação para 2026 caiu de 5,22% para 5,19%, enquanto a expectativa para a taxa Selic em 2027 foi reduzida de 12% para 11,75% ao ano. As revisões aparecem no Relatório Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, 26 de outubro de 2026. Apesar da redução, a inflação projetada para este ano permanece acima do teto de 4,5% estabelecido pelo regime de metas brasileiro.
Segundo reportagem do Money Times, publicada em 26 de outubro, os economistas também reduziram as expectativas para o crescimento da economia e para o dólar no encerramento de 2026. O levantamento considera informações coletadas até sexta-feira (23), antes do segundo turno presidencial de domingo (25), portanto não incorpora a reação dos mercados ao resultado eleitoral.
Inflação de 2026 cai para 5,19%, mas permanece acima do teto da meta
A principal alteração do Focus foi a redução da projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador utilizado para medir a inflação oficial no Brasil.
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A estimativa para o encerramento de 2026 passou de 5,22% para 5,19%. A diferença é de 0,03 ponto percentual em relação ao relatório anterior, mas ainda mantém o índice acima do limite de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional.
A meta de inflação é de 3% ao ano, com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o limite superior é de 4,5%, patamar ultrapassado pela previsão atual.
Para 2027, o movimento foi contrário. Os economistas elevaram a estimativa de 4,32% para 4,34%, na segunda semana consecutiva de revisão para cima.
Nos anos seguintes, as expectativas permaneceram em 3,75% para 2028 e 3,50% para 2029, também acima do centro da meta.
Os números indicam que a inflação ainda é uma preocupação no horizonte das decisões de política monetária. A redução na estimativa de 2026 não significa que os preços estejam caindo, mas que a alta acumulada esperada ficou ligeiramente menor.
O comportamento das expectativas mudou ao longo do ano. Em maio, o CPG mostrou que a inflação havia subido para 4,89% nas projeções do Focus, após oito semanas consecutivas de elevação.
Selic é projetada em 13,25% para dezembro, com novos cortes esperados em 2027
No caso dos juros, a revisão mais relevante não ocorreu nas expectativas para o encerramento de 2026, mas nos anos seguintes.
O Focus manteve em 13,25% ao ano a projeção para a Selic no fim de dezembro. A expectativa permaneceu estável pela segunda semana consecutiva.
Para 2027, a mediana caiu de 12% para 11,75%. A previsão de 2028 também foi reduzida, passando de 10,50% para 10%, enquanto a estimativa para 2029 continuou em 10%.
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. Ela influencia a remuneração de aplicações financeiras, o custo do crédito e as condições de financiamento das empresas.
Na reunião de setembro, o Copom reduziu a taxa efetiva para 13,75% ao ano, conforme o Relatório de Política Monetária publicado pelo BC.
A projeção de 13,25% no encerramento de 2026 considera, portanto, novas reduções em relação ao nível vigente no momento da divulgação do Focus.
Essa expectativa não representa uma decisão já tomada. O Copom avalia indicadores econômicos e riscos para a inflação antes de determinar a taxa aplicável à economia.
A trajetória dos juros também afeta as contas públicas. Uma reportagem do CPG mostrou que a dívida pública alcançou R$ 9,29 trilhões ao final de agosto de 2026, com participação elevada de títulos remunerados por taxas ligadas à Selic.
PIB brasileiro deve crescer 1,80% em 2026 e apenas 1,31% no próximo ano
O levantamento também trouxe uma revisão negativa para o crescimento da economia brasileira.
A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 caiu de 1,83% para 1,80%. Para 2027, passou de 1,32% para 1,31%.
As duas estimativas foram reduzidas pela segunda semana consecutiva, segundo os dados do relatório divulgados pelo InfoMoney.
Para 2028, o mercado manteve a previsão de crescimento de 1,81%, enquanto a de 2029 permaneceu em 2%.
O PIB representa o valor dos bens e serviços produzidos no país durante determinado período. Sua evolução está relacionada à atividade industrial, ao comércio, aos serviços e ao agronegócio.
Uma expansão de 1,31% em 2027, caso se confirme, significaria um ritmo inferior ao projetado para 2026. Isso não representa uma retração da economia, mas um crescimento mais lento.
Juros elevados podem contribuir para esse cenário ao encarecer investimentos e financiamentos. Empresas que dependem de crédito para ampliar instalações, comprar máquinas ou aumentar a produção enfrentam custos financeiros maiores.
Em outubro, o CPG mostrou que a indústria de fundição em Minas Gerais relatava queda de aproximadamente 40% na demanda, apontando os juros elevados e a concorrência com importados entre os fatores de pressão.
Dólar projetado para 2026 recua de R$ 5,13 para R$ 5,05
As instituições financeiras também reduziram as projeções para a taxa de câmbio em todos os anos acompanhados pelo Focus.
Para o encerramento de 2026, o dólar passou de R$ 5,13 para R$ 5,05. Foi a terceira semana consecutiva de redução dessa estimativa.
Em 2027, a previsão caiu de R$ 5,22 para R$ 5,15. Para 2028, passou de R$ 5,29 para R$ 5,20, enquanto a expectativa para 2029 diminuiu de R$ 5,30 para R$ 5,28.
Os valores representam projeções para o encerramento de cada ano, não as cotações efetivamente negociadas na segunda-feira (26).
Essa distinção é especialmente importante porque o relatório foi elaborado com informações anteriores ao resultado eleitoral. Oscilações posteriores do câmbio poderão modificar as próximas estimativas.
O dólar influencia diversos setores da economia brasileira, incluindo importações de máquinas, insumos industriais, fertilizantes, petróleo e derivados.
Uma moeda americana mais cara pode pressionar custos de produção e importação. Entretanto, o efeito final sobre a inflação depende da duração da oscilação e das condições de cada mercado.
Focus de 26 de outubro ainda não registra os efeitos da eleição presidencial
O momento da coleta dos dados é um dos pontos centrais para interpretar o relatório desta semana.
De acordo com o Banco Central, o Focus reúne expectativas informadas por instituições financeiras, consultorias e outros participantes do mercado.
O levantamento divulgado na segunda-feira utiliza como referência as projeções recebidas até a sexta-feira anterior. Portanto, os números de 26 de outubro refletem expectativas registradas até o dia 23.
O segundo turno presidencial ocorreu em 25 de outubro, depois do encerramento dessa coleta. A reação dos mercados financeiros na segunda-feira não está contemplada nas medianas apresentadas.
Isso significa que a queda nas projeções de inflação e dólar não pode ser atribuída diretamente ao resultado das eleições.
O próximo Focus poderá apresentar alterações nas expectativas conforme as instituições atualizem seus modelos e considerem novos acontecimentos econômicos.
O relatório também não representa uma previsão oficial do Banco Central. As medianas são calculadas a partir das estimativas fornecidas pelos participantes da pesquisa, enquanto as projeções próprias da autoridade monetária aparecem em outras publicações.
Próximo Focus mostrará se mercado mantém previsões após a turbulência cambial
O relatório de 26 de outubro apresenta uma combinação de inflação ligeiramente menor em 2026, juros mais baixos projetados para os anos seguintes e expectativa de crescimento econômico mais fraco.
A próxima divulgação regular está prevista para 3 de novembro de 2026, conforme o calendário apresentado pelo Banco Central.
Até lá, os dados continuarão representando as expectativas coletadas antes da eleição. A atualização seguinte permitirá verificar se a reação do mercado financeiro alterou as medianas para inflação, Selic, PIB e câmbio.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

