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Montadores de subestação no Rio Grande do Norte esperam 2.299 vagas no Lote 7 da Axia, que tem 42 meses de obra e negocia até R$ 680 milhões com o BID para 3 compensadores síncronos em Açu e João Câmara
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 28/10/2026 às 11:45
Atualizado em 28/10/2026 às 11:46
Geração de Energia
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A Axia Energia, antiga Eletrobras, negocia com o braço privado do BID um financiamento de até R$ 680 milhões para o Lote 7 de transmissão no Rio Grande do Norte, uma obra de 42 meses com previsão de 2.299 empregos durante a implantação.
A companhia informou nesta terça-feira (27) que assinou, na sexta-feira (23), uma carta-mandato com o IDB Invest, instituição do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento voltada ao setor privado, segundo o Movimento Econômico.
A carta abre a negociação, mas ainda não garante o dinheiro. No comunicado ao mercado, a Axia afirma que o documento não constitui, neste momento, compromisso de concessão do financiamento.
São três máquinas de 500 kV para segurar a tensão da rede potiguar
O Lote 7 prevê a instalação de três compensadores síncronos de 500 quilovolts. São equipamentos que regulam a voltagem e ajudam a manter a estabilidade do sistema elétrico.
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Dois deles ficarão na Subestação Açu III, no Oeste potiguar. O terceiro vai para a Subestação João Câmara III, no Agreste, que funciona como ponto de conexão das usinas renováveis da região.
Segundo a CNN Brasil, esses equipamentos são especialmente importantes no Nordeste, onde a geração eólica e solar tem peso elevado na rede.
A obra tem 42 meses de prazo e 2.299 empregos previstos
De acordo com a Axia, o empreendimento tem prazo de construção de 42 meses, ou três anos e meio. A estimativa da empresa é gerar 2.299 empregos durante a implantação.
A companhia não detalhou quantas dessas vagas ficam em Açu e quantas em João Câmara, nem a divisão entre montagem eletromecânica, obra civil e serviços de apoio ao canteiro.
Também não divulgou quando as contratações começam. A própria fonte de recursos da obra ainda está em negociação com o banco.
O lote garante à Axia R$ 71,9 milhões por ano
O Lote 7, formado pelos sublotes 7A e 7B, foi arrematado pela Axia no Leilão de Transmissão nº 4/2025 da Aneel, em outubro do ano passado.
O contrato assegura à empresa uma Receita Anual Permitida, a RAP, de R$ 71,9 milhões por ano. É a remuneração paga pelo serviço de transmissão depois que os equipamentos entram em operação.
Por isso o interesse em financiar a obra a longo prazo. A receita é regulada e previsível, mas só começa a entrar quando a obra fica pronta.
O BID ainda vai analisar o projeto antes de liberar o dinheiro
A entrada do IDB Invest depende da conclusão das análises técnicas e financeiras, da negociação dos documentos e das aprovações internas da instituição, segundo a Axia.
“Esse potencial financiamento faz parte da nossa estratégia de crescer com disciplina na alocação de capital”, disse Eduardo Haiama, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Axia.
“Ter o BID ao nosso lado reforça a relevância do projeto, pela experiência e pelo rigor da instituição na avaliação de investimentos”, completou o executivo. Para ele, o projeto combina geração de valor com uma contribuição concreta para a segurança do sistema elétrico.
A Axia venceu 12 lotes de transmissão desde a capitalização
O Lote 7 faz parte de uma carteira de R$ 8,7 bilhões em investimentos contratados pela Axia em leilões de transmissão nos últimos três anos, com receita anual permitida de cerca de R$ 850 milhões.
Desde a capitalização, em 2022, a empresa passou a disputar mais lotes. Dos 51 oferecidos pela Aneel no período, apresentou propostas em 46 e venceu 12, segundo o Petronotícias.
A companhia diz responder por 17% da capacidade de geração do país e por 37% das linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional. Seu parque reúne 81 usinas.
A João Câmara III recebe a energia dos parques renováveis
A Subestação João Câmara III integra um corredor relevante de transmissão e funciona como hub para a conexão de fontes renováveis, segundo a Axia. É ali que parte da energia dos parques entra no sistema.
A gente lembra que o Nordeste já convive com cortes de geração renovável por limitação da rede. A ABEEólica calculou que o curtailment tirou R$ 6,5 bilhões de eólicas e solares em 2025.
A Axia não relacionou o Lote 7 diretamente a esses cortes. O que a empresa afirma é que os compensadores contribuem para a segurança do sistema elétrico.
O RN tem outros projetos grandes ligados à energia limpa
A obra da Axia não é o único investimento puxado pela energia renovável no estado. Em 20 de agosto, o governo federal anunciou em Macaíba, na Grande Natal, a compra de um supercomputador para inteligência artificial de cerca de R$ 1 bilhão.
A máquina deve ficar no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, da UFRN, e entrar em operação no fim de 2027. A escolha considerou a produção potiguar de energia limpa, segundo a ministra Luciana Santos, citada pelo Movimento Econômico.
No litoral norte, o BNDES começou em agosto os estudos do Porto-Indústria Verde, em Caiçara do Norte, com investimento estimado em R$ 10 bilhões, pensado primeiro para a eólica offshore.
O que ainda falta saber sobre a obra em Açu e João Câmara
A Axia não informou a data prevista de início das obras nem o valor total do investimento no Lote 7. Não se sabe, portanto, que fatia da conta os R$ 680 milhões cobririam.
Também não está definido o prazo para o IDB Invest concluir as análises e aprovar, ou não, o empréstimo.
Quem trabalha com montagem elétrica no Rio Grande do Norte já está de olho nas 2.299 vagas previstas? Conte nos comentários se você atua no setor e o que espera da obra.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

