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Shell planeja perfurar até 15 poços no pré-sal brasileiro para conectar a plataforma capaz de produzir 120 mil barris de petróleo por dia
Escrito por Ana Alice
Publicado em 31/10/2026 às 22:03
Atualizado em 31/10/2026 às 22:04
Setor Offshore
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A campanha de perfuração prevista para o campo de Orca entra em nova fase de análise ambiental, enquanto avançam os preparativos de uma unidade offshore que integra os planos de produção da Shell no pré-sal brasileiro.
A Shell Brasil avança nos preparativos para uma campanha de perfuração de até 15 poços no campo de Orca, localizado no pré-sal da Bacia de Santos, na costa brasileira.
Os poços deverão integrar o sistema de produção do FPSO Gato do Mato, plataforma em construção com capacidade projetada para processar 120 mil barris de petróleo por dia.
O empreendimento entrou em uma nova etapa do licenciamento ambiental após a abertura de prazo para pedidos de audiência pública.
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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou, na terça-feira (27 de outubro de 2026), o Edital nº 38/2026, que estabelece 45 dias para a solicitação de audiência pública sobre a atividade de perfuração marítima.
A medida permite que interessados peçam a realização de um encontro para discutir os estudos ambientais apresentados no processo.
A informação sobre a campanha de até 15 poços foi divulgada pela jornalista Eliane Velloso, da Brasil Energia, em reportagem publicada em 28 de outubro. Segundo a publicação, as estruturas previstas serão conectadas ao FPSO Gato do Mato, que está sendo desenvolvido para atender à produção de petróleo e gás do campo de Orca.
Localizado a aproximadamente 200 quilômetros ao sul do Rio de Janeiro, o projeto faz parte dos investimentos da Shell em águas profundas e ultraprofundas no Brasil.
A área reúne reservatórios do pré-sal em lâminas d’água que variam entre 1.750 e 2.050 metros, conforme informações divulgadas pela companhia.
Ibama abre prazo para audiência sobre os 15 poços da Shell
O novo procedimento ambiental envolve a apresentação e a discussão do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) referentes à campanha de perfuração no campo de Orca.
Conforme o Edital nº 38/2026, publicado no Diário Oficial da União em 27 de outubro, o prazo de 45 dias é destinado à solicitação de audiência pública, e não à autorização imediata para perfurar os poços. O processo está registrado sob o número 02001.038279/2026-67.
A realização de audiências públicas permite apresentar os estudos ambientais à sociedade, esclarecer dúvidas e receber críticas e sugestões relacionadas às atividades propostas.
Segundo as orientações oficiais do Ibama, essa participação integra o procedimento de licenciamento de empreendimentos sujeitos à avaliação de impactos ambientais.
Os pedidos de audiência podem ser encaminhados presencialmente às unidades do instituto ou por meio de petição eletrônica no Sistema Eletrônico de Informações (SEI).
A documentação ambiental também foi disponibilizada para consulta pública. Entre os locais indicados estão a sede do Ibama, em Brasília, e a Coordenação de Licenciamento Ambiental de Exploração de Petróleo e Gás Offshore, no Rio de Janeiro.
Além desses endereços, os estudos podem ser consultados em instituições e entidades localizadas nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina.
A relação inclui organizações ligadas à atividade pesqueira, órgãos ambientais e outras instituições relacionadas às áreas de influência do empreendimento.
A abertura desse prazo não significa que a campanha de perfuração já tenha recebido todas as autorizações necessárias. A análise dos estudos e o atendimento às exigências do licenciamento permanecem como etapas do processo conduzido pelo órgão ambiental.
Enquanto essa avaliação avança, a Shell desenvolve outras frentes do projeto, incluindo a contratação de equipamentos de perfuração e a construção da unidade que receberá a produção dos poços.
FPSO Gato do Mato terá capacidade para produzir 120 mil barris por dia
O centro do sistema de produção de Orca será o FPSO Gato do Mato, uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo, conhecida pela sigla inglesa FPSO.
De acordo com a Modec, empresa responsável pela construção da embarcação e contratada para sua operação e manutenção, a plataforma terá capacidade para produzir até 120 mil barris de petróleo por dia e armazenar aproximadamente 850 mil barris.
A instalação será posicionada em uma região com cerca de 2 mil metros de profundidade, a aproximadamente 200 quilômetros da costa fluminense.
Depois de processado, o petróleo será armazenado nos tanques da própria unidade e transferido para navios aliviadores, responsáveis por seu transporte.
O FPSO terá casco de construção nova, desenvolvido com o projeto Next Generation Hull da Modec. A estrutura foi concebida especificamente para o empreendimento, com sistemas de processamento e armazenamento adaptados às características da produção em águas profundas.
Em março de 2025, a Modec anunciou a assinatura dos contratos de compra e venda da unidade e de operação e manutenção por um período de 20 anos.
A empresa também ficou responsável pelo desenvolvimento do casco e das instalações de processamento, conhecidas no setor como topsides.
A construção registrou avanços durante 2026. Em julho, a Modec informou que a seção dianteira do casco havia sido concluída no estaleiro da Sumitomo Heavy Industries, em Yokosuka, no Japão, e enviada à China para integração com a parte traseira.
No mês seguinte, a Shell comunicou que mais de 50% da construção do FPSO estava concluída. A atualização foi divulgada em 7 de agosto de 2026, mesma data em que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou o Plano de Desenvolvimento da jazida compartilhada de Orca e Sul de Orca.
A aprovação da ANP representa uma etapa regulatória diferente do licenciamento ambiental conduzido pelo Ibama.
Enquanto o plano estabelece as diretrizes para o desenvolvimento da jazida, a campanha de perfuração permanece sujeita às exigências ambientais aplicáveis.
Shell contrata sonda de US$ 300 milhões para perfuração offshore
Outro componente do projeto é a contratação de uma sonda especializada para executar atividades no mar.
Em dezembro de 2025, a Shell anunciou um contrato de aproximadamente US$ 300 milhões com a Valaris para utilização da sonda VALARIS DS-8.
Segundo o comunicado oficial da Shell, as atividades contratadas estão previstas para começar no primeiro trimestre de 2027, com utilização prioritária no projeto Orca.
O equipamento será empregado em trabalhos de perfuração e completação de poços, além de serviços previstos em outros ativos operados pela companhia no Brasil.
A completação corresponde à preparação do poço após a perfuração, com a instalação dos equipamentos necessários para sua operação. Trata-se de uma etapa anterior à entrada do poço em produção ou à sua utilização para outras funções previstas no projeto.
Projeto Orca tem produção prevista para 2029
O desenvolvimento de Orca também envolve mudanças na composição do consórcio responsável pelo empreendimento.
Em fevereiro de 2026, a Shell anunciou um acordo para transferir 20% de sua participação à Kuwait Foreign Petroleum Exploration Company (KUFPEC).
Com a conclusão da transação, sujeita às aprovações regulatórias e demais condições contratuais, a estrutura prevista será formada por Shell, com 50% e responsável pela operação, Ecopetrol, com 30%, e KUFPEC, com 20%.
A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) participa como gestora do contrato de partilha de produção.
A Shell Brasil informa que o projeto possui uma estimativa de aproximadamente 370 milhões de barris de recursos recuperáveis, com início da produção previsto para 2029.
Esse volume representa uma estimativa dos recursos que poderão ser recuperados ao longo do desenvolvimento do campo, e não uma quantidade já produzida.
A decisão final de investimento no empreendimento foi anunciada em março de 2025, quando a companhia confirmou o desenvolvimento do projeto, anteriormente conhecido como Gato do Mato.
O nome Orca passou a identificar a área de desenvolvimento, enquanto o FPSO manteve a denominação original.
O planejamento inicial também prevê a reinjeção de gás natural no reservatório para auxiliar na manutenção da pressão, com possibilidade de exportação de gás para instalações em terra em uma etapa futura, conforme as condições do projeto.
A campanha de até 15 poços integra esse planejamento de produção. Antes da execução das atividades contempladas no processo ambiental, a Shell deverá cumprir as condições de licenciamento exigidas pelo Ibama, que ainda recebe solicitações relacionadas à realização de audiência pública sobre os estudos apresentados.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

