O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), disse que foi alvo de fake news. O petista refere-se ao pedido de instauração de um processo disciplinar por quebra de decoro, protocolado pelo deputado distrital Daniel de Castro (PP), nessa terça-feira (26/8).
Daniel de Castro justificou o requerimento com base em discurso de Lindbergh Farias sobre o projeto de lei que cria o tipo penal de alta traição à pátria, com pena de até 40 anos de prisão. Na ocasião, o parlamentar citou a pena de fuzilamento para o crime de traição à pátria nos Estados Unidos.
Na representação popular, o distrital afirmou que Lindbergh Farias defendeu “execução sumária de cidadãos brasileiros”, o que violaria, segundo Daniel de Castro, o decoro parlamentar e afronta “princípios basilares do Estado Democrático de Direito”.
Ao Metrópoles, Lindbergh negou ter defendido fuzilamento e disse que a fala foi retirada de contexto. “No dia em que o Celso Amorim estava na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, chamei o 8 de Janeiro de de alta traição nacional. Sou autor de um PL para tipificar esse crime, que não existe no Brasil”, declarou.
“Aí eu disse: vocês que lutam tanto pelos Estados Unidos precisam saber que lá tem estado em que traição é tratada com fuzilamento. Não estou defendendo fuzilamento de ninguém. É mentira”, afirmou o petista.
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Durante a audiência citada por Lindbergh Farias, realizada no dia 20 de agosto, o deputado federal criticou políticos que se posicionaram a favor das medidas impostas pelo governo dos Estados Unidos. “Os senhores falaram de tudo – Hamas, Israel, guerra da Ucrânia –, e não falam do que está acontecendo no Brasil. É um discurso defensivo. É de dar vergonha, porque os senhores estão traindo o país. Já viu algum grupo político defender de forma tão aberta uma bandeira de outro país contra os interesses nacionais?”, questionou, na ocasião.
Nas redes sociais, o petista disse que foi “para cima dos golpistas e traidores”. O parlamentar citou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mudou-se para os EUA e articula junto ao governo norte-americano sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator das ações que tratam dos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro e da tentativa de golpe.
“Eu apresentei um projeto que pune com até 40 anos de prisão traidores como Eduardo Bolsonaro. Achou exagerado? Tem países que punem esse crime com prisão perpétua ou de morte, a exemplo, dos EUA, Reino Unido e Israel, pra ficar apenas em alguns exemplos”, escreveu Lindbergh Farias.