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A China está erguendo a cerca de 4.700 metros de altitude uma estrutura que deverá se tornar o maior telescópio solar axissimétrico do planeta, usar um espelho de 2,5 metros e enxergar erupções inteiras capazes de ameaçar satélites, comunicações e redes elétricas
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 29/07/2026 às 17:20
Curiosidades
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Construído nas montanhas de Daocheng, o WeHoST reunirá grande abertura, visão ampla e alta resolução para acompanhar fenômenos solares capazes de afetar tecnologias essenciais na Terra, enquanto desafios de altitude, calor e precisão transformam sua instalação em uma das mais ambiciosas da astronomia moderna.
Nas montanhas de Daocheng, na província chinesa de Sichuan, está sendo construído um telescópio solar capaz de combinar grande abertura, campo de visão amplo e alta resolução em um dos locais de observação mais elevados do planeta.
Batizado de WeHoST, o equipamento receberá um espelho principal de 2,5 metros e deverá se tornar o maior telescópio solar axissimétrico do mundo depois que a montagem, a integração dos sistemas e os testes técnicos forem concluídos.
Telescópio solar chinês será instalado a 4.700 metros
A cerca de 4.700 metros de altitude, a instalação foi projetada para acompanhar áreas extensas do Sol sem perder detalhes decisivos de sua superfície, ampliando a capacidade de observar fenômenos que evoluem rapidamente e alcançam dimensões difíceis de registrar integralmente.
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Ao reunir visão ampla e precisão elevada, o projeto pretende acompanhar erupções solares e ejeções de massa coronal, eventos que liberam energia, partículas e plasma capazes de interferir em satélites, comunicações, sinais de navegação e redes elétricas próximas da Terra.
Espelho de 2,5 metros ampliará a observação do Sol
Segundo a Universidade de Nanjing, responsável pela liderança científica, o WeHoST poderá observar cerca de 300 mil quilômetros quadrados da superfície solar e distinguir estruturas com resolução aproximada de 100 quilômetros dentro da área monitorada pelo instrumento.
Para dimensionar esse desempenho, a instituição compara a capacidade do telescópio à identificação de um objeto do tamanho de uma moeda visto a 50 quilômetros de distância, referência usada para traduzir a precisão alcançada pelo conjunto óptico.
Em vez de limitar a análise a pequenas porções da superfície solar, a estrutura deverá acompanhar regiões ativas mais amplas, onde campos magnéticos acumulam energia e podem desencadear explosões que se expandem além do alcance de instrumentos com visão restrita.
Esse desenho permitirá registrar diferentes etapas de uma mesma erupção dentro do campo observado, oferecendo aos pesquisadores dados contínuos sobre a origem das regiões ativas, a concentração de energia magnética e os mecanismos envolvidos em sua liberação.
Campo magnético solar será analisado em detalhes
Além das imagens obtidas em várias faixas de comprimento de onda, o projeto prevê medições do campo magnético solar, recurso necessário para examinar camadas distintas da atmosfera do Sol e reconstruir a dinâmica de eventos intensos.
Ao acompanhar mudanças de forma, intensidade e extensão, o telescópio poderá produzir séries de dados mais completas sobre fenômenos solares que evoluem em alta velocidade e nem sempre permanecem inteiramente visíveis para equipamentos com campos menores.
Condições de Daocheng favorecem observações astronômicas
A escolha de Daocheng está ligada às condições atmosféricas das áreas elevadas da região, onde o ar rarefeito, a estabilidade do céu e a menor interferência ambiental favorecem observações dependentes da passagem da luz solar pela atmosfera terrestre.
Embora ofereça vantagens científicas, a altitude impõe desafios logísticos e operacionais, pois componentes de grande porte precisam ser transportados por uma área montanhosa e trabalhar sob temperaturas baixas, pressão reduzida e condições severas para pessoas e equipamentos.
Sistema de refrigeração protegerá o espelho principal
Entre os problemas técnicos mais importantes está o calor concentrado pelo espelho principal, cuja superfície poderá receber até 5 mil watts de energia quando ficar diretamente exposta à luz solar, conforme os dados divulgados pela Universidade de Nanjing.
Para dissipar essa carga térmica, a parte traseira do espelho deverá utilizar mais de cem tubos de ar, responsáveis por lançar ar frio e remover a energia absorvida antes que o aquecimento comprometa a estabilidade do sistema óptico.
Sem esse controle, pequenas deformações poderiam alterar o caminho da luz e reduzir a nitidez das imagens, efeito especialmente crítico em um instrumento destinado a distinguir estruturas relativamente pequenas em uma estrela situada a aproximadamente 150 milhões de quilômetros.
WeHoST poderá observar o céu durante a noite
Outro recurso previsto no WeHoST é a alternância entre caminhos ópticos de observação diurna e noturna, realizada por meio de um espelho plano capaz de completar a mudança em menos de dez minutos, segundo a descrição técnica da universidade.
Durante o dia, o conjunto será dedicado ao estudo do Sol, enquanto as horas noturnas poderão ser utilizadas na observação de supernovas, explosões de raios gama, rupturas estelares provocadas por buracos negros e erupções em outras estrelas.
Essa versatilidade amplia o aproveitamento científico da instalação, permitindo que a infraestrutura continue produzindo dados quando a observação solar não estiver disponível e conectando pesquisas sobre a atividade do Sol a outros fenômenos transitórios do Universo.
Construção do telescópio envolve instituições chinesas
Iniciada oficialmente em 2022, a construção avançou para uma nova etapa de infraestrutura em junho de 2025, enquanto o cronograma divulgado prevê a conclusão da montagem principal até o fim de 2026, seguida por integração e comissionamento.
Sob liderança da Universidade de Nanjing, o projeto reúne o Instituto de Óptica e Tecnologia Astronômica de Nanjing e os Observatórios de Yunnan, instituições vinculadas à Academia Chinesa de Ciências e especializadas em diferentes áreas da engenharia astronômica.
Tempestades solares podem afetar tecnologias na Terra
No centro das aplicações científicas está o estudo do clima espacial, expressão usada para descrever as condições produzidas pela atividade solar e por sua interação com o ambiente ao redor da Terra, incluindo tempestades geomagnéticas e fluxos de partículas.
Erupções intensas lançam radiação e partículas carregadas, enquanto ejeções de massa coronal transportam plasma e campos magnéticos pelo Sistema Solar; ao alcançar a Terra, esse material pode alterar a magnetosfera e provocar perturbações em sistemas tecnológicos.
Com maior cobertura e detalhamento, as observações poderão ajudar pesquisadores a testar modelos físicos, reconhecer sinais de eventos severos e aperfeiçoar métodos de previsão destinados a satélites, comunicações de rádio, navegação e redes de energia.
Daocheng se consolida como polo de observação científica
Integrado a uma região que também abriga o observatório LHAASO, dedicado a raios cósmicos e fontes de alta energia, o WeHoST reforçará Daocheng como um polo científico voltado à observação do Sol e de outros fenômenos do Universo.
Até que ponto um telescópio capaz de enxergar erupções solares inteiras poderá ampliar a antecedência dos alertas e proteger serviços essenciais que dependem diariamente de satélites, comunicações, navegação e redes elétricas espalhadas pelo planeta em diferentes regiões?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

