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Avanço histórico na Itália recupera a visão de paciente cega há 5 anos com transplante inédito, resultado que amplia o horizonte da medicina regenerativa e fortalece a busca por tratamentos mais eficazes para diferentes tipos de cegueira
Escrito por Hilton Libório
Publicado em 28/07/2026 às 19:48
Ciência e Tecnologia
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Entenda como um transplante inédito da medicina italiana devolveu a visão de uma paciente e pode transformar o tratamento da cegueira no futuro.
A medicina italiana alcançou um marco histórico ao realizar um transplante que devolveu a visão a uma mulher de 67 anos após cinco anos de cegueira total. A cirurgia foi realizada no Hospital Molinette, em Turim, no norte da Itália, e entrou para a história por incluir, pela primeira vez no mundo, o transplante da mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes.
Segundo matéria publicada pelo G1 no dia 28 de julho de 2026, a cirurgia inédita, liderada pelo professor Michele Reibaldi, utilizou tecidos saudáveis do próprio olho da paciente para reconstruir outro olho severamente lesionado. O resultado foi uma visão recuperada que reacende as esperanças para o futuro do tratamento da cegueira, especialmente em casos considerados irreversíveis.
Como um transplante mudou um caso considerado sem solução
A paciente, identificada apenas como Elena, tinha 67 anos e perdeu completamente a visão após um grave acidente de trânsito ocorrido cinco anos antes da cirurgia.
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Segundo o Hospital Molinette, o trauma causou uma lesão irreversível no nervo óptico do olho esquerdo. Embora as estruturas do olho permanecessem preservadas, os estímulos luminosos não conseguiam mais chegar ao cérebro.
O olho direito também apresentava um quadro extremamente complexo. Além de uma maculopatia pré-existente, novos traumatismos comprometeram de forma definitiva a retina e a córnea, tornando inviável um transplante convencional.
Até aquele momento, o caso era considerado sem alternativas terapêuticas.
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Hilton Libório
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A cirurgia inédita utilizou tecidos do próprio organismo
Diante desse cenário, a equipe da medicina italiana, coordenada por Michele Reibaldi, desenvolveu uma estratégia nunca aplicada anteriormente.
Os médicos retiraram tecidos saudáveis do olho esquerdo, que já não possuía função visual, e os transferiram para o olho direito.
O transplante envolveu um bloco anatômico completo composto por:
- córnea;
- esclera;
- conjuntiva;
- mácula, região central da retina.
Segundo os especialistas, foi a primeira vez que a mácula foi transplantada com sucesso em um ser humano.
Toda a operação durou quase seis horas e mobilizou oftalmologistas, anestesiologistas, enfermeiros e diversos profissionais do Hospital Molinette.
Por que a mácula tornou essa cirurgia um marco mundial
A mácula é uma pequena área localizada no centro da retina, mas exerce um papel essencial na qualidade da visão.
Ela permite reconhecer rostos, ler textos, identificar cores e perceber detalhes com precisão.
Antes desse procedimento, nunca havia sido possível transplantar essa estrutura. Michele Reibaldi explicou que sua equipe já havia participado do único transplante simultâneo do segmento anterior do olho realizado anteriormente, também em Turim, mas a transferência da mácula jamais havia sido alcançada.
Essa inovação coloca a cirurgia inédita entre os maiores avanços recentes da oftalmologia.
Visão recuperada surpreendeu médicos poucas semanas após o procedimento
Os primeiros sinais positivos apareceram rapidamente.
Logo após a cirurgia, Elena voltou a perceber a luz. Em menos de três semanas, começou a enxergar imagens em preto e branco e, pouco depois, voltou a distinguir as cores.
A visão recuperada proporcionou momentos marcantes para a paciente.
Entre eles, destacam-se:
- o reconhecimento imediato do filho;
- o reencontro com Joe, seu cão-guia, que permaneceu ao seu lado durante a internação;
- a expectativa de voltar a ver o neto.
Os exames também mostraram que os tecidos transplantados se integraram adequadamente, enquanto o acompanhamento médico continua avaliando a evolução da retina transplantada.
Medicina italiana abre novos caminhos para o tratamento da cegueira
Embora o procedimento ainda seja considerado experimental, os resultados iniciais animam especialistas do mundo todo.
O sucesso da operação mostra que estruturas antes consideradas impossíveis de serem reconstruídas podem, em determinadas condições, ser restauradas.
O tratamento da cegueira poderá ganhar novas possibilidades a partir dessa experiência, principalmente para pacientes com lesões oculares extremamente complexas.
Ainda assim, os médicos destacam que serão necessários novos estudos para confirmar a segurança e a eficácia da técnica em outros casos.
Hospital Molinette reforça protagonismo na oftalmologia internacional
O Hospital Molinette integra a Città della Salute e della Scienza de Turim, um dos principais centros médicos da Europa.
O diretor-geral Livio Tranchida classificou o procedimento como um feito extraordinário e ressaltou a importância do trabalho conjunto entre equipes multidisciplinares.
Além da liderança de Michele Reibaldi, dezenas de profissionais participaram da operação, demonstrando o elevado nível técnico alcançado pela medicina italiana.
O caso também evidencia o papel da pesquisa científica e da colaboração entre diferentes especialidades médicas para superar desafios considerados impossíveis há poucos anos.
O que torna esse transplante diferente dos demais
Durante décadas, os transplantes oftalmológicos concentraram-se principalmente na córnea.
Neste caso, porém, os médicos conseguiram transplantar simultaneamente estruturas essenciais do olho, incluindo a mácula, algo nunca realizado anteriormente.
Essa diferença faz do transplante um marco para a medicina regenerativa e amplia o conhecimento científico sobre reconstruções oculares de alta complexidade.
Os especialistas acreditam que essa experiência poderá servir de base para futuras pesquisas e novas abordagens cirúrgicas.
O avanço pode beneficiar outros pacientes no futuro?
Ainda não é possível afirmar quando a técnica estará disponível para outras pessoas.
Como se trata do primeiro procedimento desse tipo no mundo, o acompanhamento clínico continuará nos próximos meses e anos para avaliar a estabilidade da retina transplantada e da recuperação visual.
Os pesquisadores também deverão investigar:
- quais pacientes poderão se beneficiar da técnica;
- quais limitações ainda precisam ser superadas;
- como reduzir riscos e ampliar a aplicação do procedimento.
Essas respostas serão fundamentais para transformar esse avanço em uma alternativa terapêutica para um número maior de pessoas.
Um feito que pode transformar a oftalmologia nas próximas décadas
O caso de Elena representa muito mais do que uma visão recuperada após cinco anos de cegueira.
A operação realizada em Turim demonstra que a medicina regenerativa continua rompendo limites considerados intransponíveis. A combinação entre inovação científica, tecnologia cirúrgica e experiência da medicina italiana permitiu alcançar um resultado inédito que poderá influenciar futuras pesquisas sobre o tratamento da cegueira.
Embora ainda seja cedo para falar em aplicação ampla da técnica, o procedimento já entrou para a história da oftalmologia e reforça que avanços científicos consistentes podem mudar a vida de pacientes que antes não tinham qualquer perspectiva de voltar a enxergar.
Fonte
G1
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Hilton Libório.

