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Com a mãe enfrentando um tratamento de saúde, um jovem de 18 anos do Acre estudou em escola pública sem nenhum cursinho e passou em segundo lugar nas cotas em Medicina na Universidade Federal do Acre
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 30/07/2026 às 18:00
Atualizado em 30/07/2026 às 18:06
Curiosidades
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Gabriel Braga Souza estudou em casa com PDFs e provas antigas, sem cursinho, enquanto a mãe enfrentava um tratamento de saúde iniciado em março de 2025. O jovem de 18 anos ficou em segundo lugar entre os candidatos das cotas para escolas públicas no vestibular de Medicina da Ufac.
Gabriel Braga Souza estava na academia quando o celular começou a encher de mensagens da família mandando ele voltar para casa. O jovem de 18 anos tinha acabado de conquistar o segundo lugar entre os candidatos do sistema de cotas para escolas públicas no vestibular de Medicina da Universidade Federal do Acre, segundo reportagem de Jhenyfer de Souza publicada pelo g1 AC em março de 2026.
Ele concluiu o ensino médio em 2025 no Instituto Federal do Acre, onde estudou por três anos, e não frequentou cursinho preparatório em nenhum momento. A preparação foi feita em casa, sozinho, com material encontrado na internet, em paralelo ao tratamento de saúde que a mãe dele, Gláucia Jéssica Barbosa Braga, de 40 anos, iniciou em março de 2025. A lista com o resultado final saiu em 9 de março de 2026.
A rotina que substituiu o cursinho
O método era simples e repetitivo. Nos dias de semana, depois das aulas no Ifac, Gabriel estudava de três a quatro horas em casa. Nos fins de semana, o volume subia para sete ou oito horas por dia. O material vinha de PDFs, provas anteriores e listas de questões que ele garimpava na internet.
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O detalhe que ele faz questão de destacar não é a quantidade de horas, e sim a forma de distribuí-las. A estratégia era fracionar o estudo em blocos menores para tornar a carga suportável e sustentar o foco por mais tempo. Quem já tentou encarar oito horas seguidas de conteúdo sabe por que isso importa: a diferença entre um sábado produtivo e um sábado perdido costuma estar na divisão do tempo, não na força de vontade.
Por que ele decidiu não fazer cursinho
A escolha de estudar por conta própria não foi ideológica nem uma aposta em método alternativo. Gabriel explicou ao g1 que a dificuldade estava em encaixar mais aulas presenciais numa rotina que já era cheia. O Ifac funciona com carga horária pesada, e somar um cursinho ao dia significaria abrir mão de tudo o mais.
Vale entender o que isso implica na prática. Sem cursinho, ninguém entrega cronograma pronto, simulado corrigido nem ranking de desempenho. O estudante precisa decidir sozinho o que estudar, em que ordem e por quanto tempo, e ainda avaliar se está evoluindo. Foi esse trabalho de organização que Gabriel assumiu enquanto cursava o último ano do ensino médio.
O tratamento de saúde da mãe atravessou a preparação
O ponto mais difícil do percurso chegou em março de 2025, quando Gláucia Jéssica começou o tratamento. O efeito sobre o filho foi imediato e ele não tenta suavizar o relato: perdeu qualidade de estudo, reduziu as horas e ficou sem foco, principalmente nos primeiros dias.
A retomada foi gradual. Ele conta que, com o tempo, voltou ao ritmo anterior. Não houve fórmula nem virada heroica, apenas a reconstrução lenta de uma rotina que tinha desabado. Esse trecho costuma ser o que mais escapa das histórias de aprovação, que quase sempre são contadas do fim para o começo, como se a linha tivesse sido reta.
A notícia chegou pelo celular no meio do treino
Gabriel não estava acompanhando a divulgação. Estava na academia quando parou para checar o telefone e encontrou várias mensagens da família pedindo que ele voltasse porque havia motivo para comemorar. Ele mesmo classificou a situação como estranha, já que não esperava ver a lista naquele dia.
Sobre o significado da aprovação, a frase dele é curta: os esforços deram resultado. Gabriel acrescentou que, depois de ter convicção de que queria Medicina, ficou muito mais fácil direcionar a preparação. É uma observação prática que vale para qualquer vestibulando indeciso, porque escolher o alvo é o que permite descartar o que não interessa e concentrar energia no que cai na prova.
O que mudou no vestibular de Medicina da Ufac em 2026
O processo seletivo que esse jovem de 18 anos enfrentou não era o mesmo dos anos anteriores. Para o ingresso em 2026, a Ufac adotou vestibular próprio para o curso de Medicina, organizado pela banca Cebraspe, conforme o Edital nº 1 publicado em 17 de outubro de 2025. A prova envolveu questões objetivas e uma etapa discursiva de redação.
O resultado final saiu no Edital nº 13, divulgado pela universidade em 9 de março de 2026, com a relação de aprovados, a divisão por subsistemas das cotas para escolas públicas e as orientações de matrícula da primeira chamada. Em 31 de março, a Ufac publicou o Edital nº 16 com uma retificação do resultado. Nesse documento, Gabriel Braga Souza aparece com nota final de 281 pontos, sob a inscrição de número 10002808.
O que significa entrar pelas cotas para escolas públicas
O sistema de reserva de vagas para egressos do ensino médio público não é um bloco único. Ele se divide em subsistemas que combinam critérios de renda familiar bruta por pessoa e outros recortes, o que faz com que a concorrência aconteça dentro de cada faixa, e não apenas contra o conjunto geral de candidatos.
Por isso a classificação precisa ser lida com cuidado. O segundo lugar de Gabriel é a posição dele entre os candidatos que concorreram pela reserva destinada a estudantes de escola pública, não a colocação geral do vestibular inteiro. A distinção não diminui em nada o resultado. Ela apenas evita que o dado circule inflado, algo comum quando histórias de aprovação viram post de rede social.
Dois estudantes de 18 anos e uma confusão fácil de cometer
Há um detalhe que ajuda a explicar por que essa história vem circulando com informações trocadas. Na mesma lista de aprovados em Medicina da Ufac, divulgada em 9 de março de 2026, aparece outro jovem de 18 anos com nome parecido: Pedro Gabriel Braga da Silva, aluno da Escola Estadual José Ribamar Batista, morador da região da Sobral, em Rio Branco.
São pessoas diferentes, com trajetórias diferentes. Reportagens do ac24horas e do portal O Rio Branco, ambas de março de 2026, contam que Pedro Gabriel é filho de um marceneiro autônomo e de uma mãe que voltou a estudar e concluiu graduação em gestão pública, e que ele se preparou com um cursinho online, na condição de bolsista, assistindo a videoaulas durante o jantar. Nenhum desses elementos pertence à história de Gabriel Braga Souza, e vice versa.
E você, acha possível passar em Medicina só com estudo em casa, ou o cursinho ainda faz diferença demais para ser ignorado? Conta aqui nos comentários como foi a sua preparação para o vestibular e o que funcionou de verdade no seu caso.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

