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De faxineira a juíza: mulher que limpava o chão de uma Santa Casa para pagar a faculdade supera deboche, conquista cinco pós-graduações e assume duas varas em Goiás
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 29/07/2026 às 13:12
Curiosidades
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Filha de trabalhadores rurais, Adriana Maria dos Santos Queiróz foi faxineira para pagar os estudos e chegou à magistratura em Goiás após sete anos de rotina intensa
A trajetória da juíza Adriana Maria dos Santos Queiróz, da comarca de Quirinópolis, em Goiás, ganhou repercussão nacional por reunir origem humilde, trabalho como faxineira, estudo em escola pública e aprovação na magistratura. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, ela é autora do livro “Dez passos para alcançar seus sonhos: a história real da ex-faxineira que se tornou juíza de Direito”, lançado em 2017.
A história, também relatada em entrevista ao UOL, começa em uma família de trabalhadores rurais que deixou o sertão da Bahia e migrou para Tupã, no interior de São Paulo, em busca de melhores condições de vida. Entre a limpeza de uma Santa Casa, uma bolsa de estudos, anos de preparação no Complexo Jurídico Damásio de Jesus e a aprovação em concurso público, Adriana construiu uma das trajetórias mais conhecidas do Judiciário goiano.
Quem é Adriana Maria dos Santos Queiróz e como começou a trajetória da ex-faxineira que virou juíza
A origem de Adriana Maria dos Santos Queiróz está distante dos tribunais. Segundo relato publicado pelo UOL, seus pais eram trabalhadores rurais no sertão da Bahia e migraram para Tupã, no interior paulista, onde passaram a buscar uma vida mais estável para a família.
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Na nova cidade, o pai trabalhou como motorista de ônibus e a mãe como vendedora ambulante. Mesmo com algum avanço na renda familiar, pagar uma faculdade particular ainda estava muito além da realidade financeira da casa.
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Caçula da família, Adriana estudou em escola pública e passou a alimentar o sonho de cursar Direito. Aos 18 anos, foi aprovada no vestibular de uma instituição privada, mas a aprovação trouxe junto um obstáculo imediato: faltava dinheiro para pagar a matrícula e as mensalidades.
Emprego de faxineira na Santa Casa de Tupã ajudou a pagar os primeiros passos na faculdade de Direito
Diante da dificuldade financeira, Adriana procurou ajuda para conseguir trabalhar e estudar. Segundo o UOL, um professor que atuava no corpo administrativo da Santa Casa de Tupã conseguiu uma vaga para ela como faxineira no hospital.
Durante cerca de seis meses, Adriana trabalhou na limpeza da Santa Casa. A função, segundo ela relatou à imprensa, é motivo de orgulho, mas o salário mínimo recebido ainda não era suficiente para custear integralmente a faculdade.
Além da dificuldade financeira, havia o peso do preconceito. Em entrevistas, Adriana recordou a frase “Força nos braços, advogadinha!”, dita por colegas enquanto ela trabalhava na limpeza, em tom de deboche diante do sonho de se formar em Direito.
Bolsa de 50% na faculdade impediu que a matrícula fosse perdida
O ponto de virada veio quando o prazo de matrícula estava perto de terminar. Segundo o relato publicado pelo UOL, Adriana foi até a faculdade e pediu para conversar diretamente com o diretor do curso de Direito.
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Na conversa, explicou sua situação financeira e falou do sonho de estudar. O diretor concedeu uma bolsa de 50% nas mensalidades e ainda parcelou o valor da matrícula, tornando possível o início da graduação.
A partir dali, a rotina passou a ser dividida entre trabalho e estudo. Durante o dia, Adriana trabalhava; à noite, frequentava as aulas de Direito, em uma sequência que exigia esforço físico, resistência emocional e disciplina.
Sete anos no Complexo Jurídico Damásio de Jesus marcaram a preparação para a magistratura
Depois da graduação, Adriana enfrentou outro período difícil. Segundo o TJGO, ela seguiu para São Paulo com o objetivo de estudar no Complexo Jurídico Damásio de Jesus, uma das instituições mais conhecidas na preparação para concursos jurídicos.
De acordo com a ASMEGO, Adriana trabalhou e estudou por sete anos no complexo. O período foi decisivo para a preparação que a levaria ao concurso da magistratura.
O jurista Damásio de Jesus teve papel importante nessa fase. Segundo reportagens publicadas à época do lançamento do livro, ele ofereceu bolsa de estudos e trabalho na biblioteca da instituição, permitindo que Adriana continuasse estudando para concursos.
Aprovação no concurso de juiz substituto de Goiás mudou a trajetória da ex-faxineira
A virada definitiva veio com a aprovação no concurso para juiz substituto do Estado de Goiás, em 2011. O resultado marcou a passagem de Adriana da rotina de estudos e trabalho para a carreira na magistratura.
Segundo o TJGO, ela passou a atuar na comarca de Quirinópolis. Em 2017, ano de lançamento do livro, a magistrada era mencionada pelo tribunal como juíza da comarca e autora de uma obra que já repercutia nacionalmente.
A posse também teve um elemento simbólico. Reportagens da época registraram que Damásio de Jesus compareceu à cerimônia, em um gesto associado ao vínculo criado durante os anos em que Adriana estudou e trabalhou no complexo jurídico.
Livro lançado em 2017 transformou a trajetória da juíza em relato de superação
Em abril de 2017, Adriana lançou em Goiânia o livro “Dez passos para alcançar seus sonhos: a história real da ex-faxineira que se tornou juíza de Direito”, pela Editora Novo Século. Segundo o TJGO, a obra foi lançada na livraria Saraiva do Shopping Flamboyant.
O livro ganhou repercussão por narrar a trajetória de uma mulher que saiu de uma realidade de baixa renda, trabalhou na limpeza para custear estudos e chegou à magistratura por concurso público.
Dias depois do lançamento, segundo o TJGO, Adriana entregou um exemplar ao então presidente do tribunal, desembargador Gilberto Marques Filho. A obra também teve prefácio assinado por Damásio de Jesus, reforçando a ligação entre a trajetória da magistrada e o período de preparação em São Paulo.
Judiciário goiano destacou o exemplo de Adriana Maria dos Santos Queiróz para jovens
O lançamento do livro reuniu magistrados e representantes do Judiciário goiano. Segundo o TJGO, o desembargador Carlos Alberto França compareceu ao evento e destacou a importância da trajetória de Adriana como exemplo para jovens.
A ASMEGO também registrou a história da juíza em ações voltadas a mostrar que o ingresso na magistratura ocorre por concurso público e pode ser alcançado por pessoas de diferentes origens sociais.
Nesse contexto, a história de Adriana passou a ser usada como exemplo de mobilidade social por meio da educação, da preparação para concursos e do acesso à carreira jurídica.
Trajetória de Adriana mostra o peso da educação, da oportunidade e da persistência
A história de Adriana Maria dos Santos Queiróz ganhou força porque conecta três elementos de grande impacto social: origem humilde, trabalho duro e acesso à educação. A ex-faxineira que ouviu deboche enquanto limpava uma Santa Casa tornou-se juíza de Direito após anos de estudo.
O percurso também mostra que a aprovação em concurso não nasceu de um único momento de esforço, mas de uma sequência longa de oportunidades aproveitadas. Houve a vaga na Santa Casa, a bolsa na faculdade, o apoio no Complexo Damásio e os anos de preparação.
Ao transformar essa trajetória em livro, Adriana passou a apresentar sua história como mensagem para estudantes, trabalhadores e jovens que enxergam a carreira jurídica como algo distante. O impacto público da narrativa está justamente na distância entre o ponto de partida e o cargo alcançado.
A trajetória de Adriana não se resume ao contraste entre o balde de limpeza e a toga. Ela revela como o acesso à educação pode mudar radicalmente o destino profissional de uma pessoa quando encontra apoio, disciplina e condições mínimas para continuidade.
Segundo os materiais do TJGO, o reconhecimento público da história veio acompanhado da publicação do livro e de eventos institucionais que destacaram sua caminhada. A narrativa ganhou força porque uniu experiência pessoal, concurso público e representatividade dentro da magistratura.
O caso permanece como uma das histórias mais lembradas sobre superação no Judiciário goiano. Filha de trabalhadores rurais, estudante de escola pública e ex-faxineira, Adriana Maria dos Santos Queiróz construiu uma carreira que passou por dificuldades financeiras, preconceito e anos de estudo até chegar à magistratura.
Fonte
tjgo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

