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Ele ganhou meio milhão de dólares numa raspadinha, ficou tão surpreso que comprou outro bilhete na mesma loja no mesmo dia e ganhou de novo, dessa vez mais 25 mil dólares, num golpe de sorte duplo em Ohio
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 30/07/2026 às 10:06
Atualizado em 30/07/2026 às 10:07
Curiosidades
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Ele raspou um bilhete de 50 dólares e encontrou o prêmio máximo do jogo. Ainda no balcão da mesma loja de conveniência, comprou outra raspadinha e acertou de novo. Somando os dois prêmios e descontando o imposto, saiu de lá com 384 mil dólares.
Um morador de Toledo, no estado americano de Ohio, comprou uma raspadinha de US$ 50 do jogo Millionaire Blowout e encontrou o prêmio máximo, de US$ 40 mil por ano durante 25 anos, o equivalente a US$ 1 milhão. Ele optou por receber o valor à vista, de US$ 500 mil, e em seguida comprou um segundo bilhete na mesma loja, que rendeu outros US$ 25 mil.
O caso foi divulgado pela Loteria de Ohio em comunicado de 27 de julho de 2026 e repercutido pela revista People. O ganhador preferiu não ser identificado, e o que se sabe dele é o essencial: mora em Toledo, tem filhos e já tinha uma viagem planejada antes de a sorte aparecer duas vezes no mesmo balcão.
A raspadinha de US$ 50 que pagou US$ 1 milhão
Loteria de Ohio
O bilhete pertence ao jogo Millionaire Blowout, lançado pela Loteria de Ohio no fim de junho de 2026, com preço unitário de US$ 50. É uma das raspadinhas mais caras do catálogo do estado, categoria que costuma oferecer prêmios maiores em troca de um custo de entrada alto.
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O prêmio principal encontrado por ele não vem em uma única parcela. A premiação máxima do jogo é estruturada como US$ 40 mil por ano ao longo de 25 anos, o que resulta em US$ 1 milhão no total. Multiplicando os valores, a conta fecha exatamente, e é essa a forma tradicional de pagamento das grandes premiações de loteria nos Estados Unidos.
Por que ele levou meio milhão em vez de um milhão
Aqui está a parte que confunde muita gente ao ler manchetes de raspadinha premiada. Quem acerta esse tipo de prêmio tem duas opções: receber a anuidade ao longo dos anos ou pegar o valor à vista, que é sempre menor que o total nominal.
O ganhador escolheu o pagamento único e ficou com US$ 500 mil, ou seja, metade do valor anunciado como prêmio máximo. A diferença não é desconto arbitrário, é cálculo financeiro, já que receber tudo agora vale menos que receber parcelado durante 25 anos, do ponto de vista de quem paga. Foi esse número, o meio milhão, que virou a base para o resto da conta.
O que sobra depois do imposto retido na fonte
Sobre o valor à vista da raspadinha incide retenção obrigatória de impostos estadual e federal, no total de 26,75%. Aplicado aos US$ 500 mil, o desconto derruba o valor a receber para US$ 366.250.
Vale entender o que esse número significa. Trata se da retenção feita no momento do pagamento do prêmio, e não necessariamente do imposto final devido pelo ganhador no ajuste anual, que depende da renda total dele no ano. Prêmio de loteria nos Estados Unidos é renda tributável, e o valor que sai da loteria é apenas a primeira parcela dessa conta.
O segundo bilhete, comprado ainda no impulso da sorte
Foi o que ele fez depois que transformou a história em caso raro. Surpreso com o resultado, o ganhador comprou outro bilhete da mesma raspadinha, na mesma loja, e encontrou um prêmio de US$ 25 mil.
O segundo valor também passou pela mesma retenção de 26,75%, e o líquido ficou em US$ 18.312,50. Um bilhete de US$ 50 que devolve 25 mil dólares já seria notícia sozinho, e virou apenas o segundo parágrafo da história por causa do prêmio anterior. A sequência dos dois acertos foi o que chamou a atenção da própria loteria estadual.
A conta final que ele leva para casa
Somando os dois prêmios já descontados, o total líquido chega a US$ 384.562,50. É o valor efetivo que entra na conta bancária dele, resultado de dois bilhetes que custaram, juntos, US$ 100.
A relação entre o que ele gastou e o que recebeu é o que dá dimensão ao caso. Cada dólar investido nos dois bilhetes voltou multiplicado por mais de 3.800 vezes, proporção que não existe em nenhum investimento tradicional e que também não se repete para quem compra raspadinha no dia seguinte esperando o mesmo resultado.
Onde os bilhetes foram comprados
A loja é a Mike’s Corner Store, no número 2425 da Key Street, em Toledo. É uma loja de conveniência de bairro, do tipo que vende raspadinha junto com refrigerante e cigarro, e não uma casa lotérica especializada.
O endereço passou a ser assunto na cidade justamente pela coincidência. Segundo Stephanie Krampton, que trabalha no estabelecimento, aquela unidade da Key Street é a que concentra o maior número de clientes fiéis entre as lojas da rede. Ela levanta a hipótese de que o ganhador seja um desses fregueses de todo dia, embora o anonimato impeça qualquer confirmação.
A reação de quem estava atrás do balcão
A descoberta na loja aconteceu em duas etapas. Primeiro veio a informação de que alguém havia acertado o prêmio principal. Só depois a equipe percebeu que as duas raspadinhas premiadas estavam em sequência, o que indicava tratar se da mesma pessoa comprando um atrás do outro.
A funcionária resumiu a reação em duas frases que explicam por que histórias assim viram assunto de cidade. Para ela, é uma vitória que muda a vida e que não pertence apenas ao ganhador. É também uma vitória da comunidade, disse ela, porque prova que esse tipo de coisa realmente acontece em Toledo, e não apenas em cidade grande e distante.
O anonimato e o que ele contou sobre os planos
O ganhador exerceu o direito de não ter o nome divulgado, prática permitida em parte dos estados americanos e frequentemente escolhida por quem recebe valores altos, sobretudo pelo risco de assédio e de golpes após a publicidade do prêmio.
Ainda assim, ele contou à loteria o que pretende fazer com o dinheiro das duas raspadinhas. A lista é bem terrena: esticar uma viagem que já estava marcada, comprar um carro novo, destinar parte aos filhos e guardar o restante no banco. Nada de mansão, iate ou aposentadoria imediata, o que aproxima o caso da realidade de quem recebe um valor grande e precisa decidir rápido o que fazer com ele.
O jogo por trás da sorte e a estatística que engana
Aqui entra o dado que merece leitura cuidadosa. O Millionaire Blowout aparece com chance geral de premiação de 1 em 2,73, a melhor entre as raspadinhas ativas em Ohio, número que soa quase generoso para quem lê rápido.
O detalhe é o que conta como prêmio nessa estatística. O jogo distribui valores que começam em US$ 75, então uma parte grande dessas premiações representa pouco mais que a devolução do valor pago pelo bilhete de US$ 50. Chance de ganhar algo não é chance de ganhar muito, e a probabilidade de encontrar o prêmio máximo é ordens de magnitude menor que a chance geral divulgada.
Quantos prêmios grandes ainda existem nesse jogo
A loteria estadual divulga o estoque restante de premiação, informação que ajuda a entender o tamanho do jogo. No balanço do fim de julho de 2026, ainda restavam 56 prêmios máximos e 48 prêmios de US$ 25 mil disponíveis nessa raspadinha.
Esses números explicam por que o caso, apesar de raro, não é impossível. Um jogo recém lançado tem o estoque de prêmios praticamente intacto, o que aumenta a chance de aparecerem ganhadores altos nas primeiras semanas de venda, período em que exatamente esse acerto duplo aconteceu.
A divergência sobre o intervalo entre os dois acertos
Existe um ponto em que os relatos não batem, e vale registrar. Parte das informações divulgadas descreve os dois bilhetes como comprados no mesmo dia, praticamente em sequência, enquanto outras versões falam em duas compras feitas na mesma semana.
A pista mais concreta está no detalhe percebido por quem trabalha na loja onde as raspadinhas foram vendidas. Os dois bilhetes premiados estavam em sequência numérica, o que indica compra consecutiva do mesmo bloco, cenário mais compatível com a versão de que os dois acertos aconteceram na mesma visita ou no mesmo dia. A loteria não detalhou o intervalo exato entre uma raspagem e a outra.
O que a história não conta
Faltam informações que mudariam a leitura do caso. Não se sabe quanto o ganhador costuma gastar em raspadinha por mês, se já jogava com frequência naquela loja ou se aquele dia foi uma exceção na rotina dele.
Também não há informação sobre acompanhamento financeiro. Prêmio grande recebido de uma vez costuma exigir planejamento, e o próprio relato dele, de usar parte em viagem e carro e guardar o resto, indica decisão tomada sem menção a qualquer orientação profissional. É o tipo de detalhe que não aparece na comemoração, mas define o que sobra do prêmio alguns anos depois.
Vale ainda um lembrete que costuma sumir das histórias de prêmio alto. Cada caso divulgado representa um ganhador entre milhões de bilhetes vendidos, e a raspadinha premiada é notícia justamente porque é exceção. Os milhares de bilhetes que não pagaram nada naquele mesmo dia, na mesma loja, não geram comunicado nenhum.
Sorte, coincidência ou apenas estatística
O caso de Toledo funciona como um bom teste de interpretação. Uma leitura vê coincidência extraordinária, alguém tocado duas vezes pela mesma sorte no espaço de minutos. Outra leitura vê o funcionamento normal de um jogo novo, com estoque cheio de prêmios e milhões de bilhetes vendidos, em que resultados raros aparecem com regularidade em algum lugar do país.
O que não muda é a natureza do jogo. Raspadinha é aposta, com resultado definido no momento da impressão do bilhete, e nenhuma estratégia de compra altera o que já está impresso embaixo da tinta. Comprar o segundo bilhete não aumentou a chance dele, apenas coincidiu com um prêmio que já estava naquele lote.
Agora queremos ouvir você. No lugar dele, você teria escolhido o meio milhão à vista ou os US$ 40 mil por ano durante 25 anos, garantindo renda por um quarto de século? E, sendo honesto, você acha que a decisão de comprar o segundo bilhete foi ousadia inteligente ou apenas impulso que por acaso deu certo? Comenta aqui embaixo o que você faria.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

