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Eles passaram seis anos transformando um reservatório subterrâneo desativado em uma casa improvável, compraram por 98 mil libras um tanque que armazenava 2,5 milhões de litros de água, demoliram 650 metros quadrados de teto de concreto, reaproveitaram o entulho no pátio e lixaram com as próprias mãos as antigas paredes, criando uma residência surreal de quatro quartos.
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 28/07/2026 às 21:48
Construção
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Casal compra reservatório subterrâneo por 98 mil libras, remove 650 m² de teto de concreto e transforma tanque de 2,5 milhões de litros em casa de quatro quartos
Reservatório subterrâneo na Inglaterra virou casa de quatro quartos após seis anos de obra, reaproveitamento de concreto e projeto exibido no Grand Designs. O que parecia apenas um monte de terra coberto de grama na saída de North Ferriby, no norte da Inglaterra, escondia uma estrutura gigantesca sob o solo. Ali funcionava um antigo reservatório de água da Yorkshire Water, construído para armazenar milhões de litros e abastecer a região próxima ao estuário do rio Humber.
Segundo a Grand Designs Magazine, o engenheiro Richard Bennett e sua parceira Felicia Böhm compraram o reservatório desativado em 2013 por 98 mil libras. A partir dali, iniciaram uma obra que durou cerca de seis anos e transformou o tanque subterrâneo em uma casa de quatro quartos exibida no programa britânico Grand Designs.
Reservatório subterrâneo em North Ferriby virou projeto do Grand Designs
A construção original não nasceu para ser moradia. O reservatório havia sido erguido no fim da década de 1950 para armazenar água potável, em uma estrutura enterrada, robusta e quase invisível para quem passava pela superfície.
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Segundo a Grand Designs Magazine, o tanque tinha capacidade para cerca de 2,5 milhões de litros de água. A escala do espaço foi justamente o que chamou a atenção do casal, que enxergou no antigo depósito uma oportunidade rara de criar uma residência incomum.
A localização perto do estuário do Humber também ajudou a definir a proposta. O terreno oferecia privacidade, silêncio e uma massa de terra ao redor capaz de funcionar como isolante térmico natural.
Tanque de 2,5 milhões de litros virou base para uma casa enterrada
O antigo reservatório possuía paredes e base de concreto já moldadas para suportar enorme pressão. Antes, essa pressão vinha da água armazenada. Depois da conversão, a mesma estrutura passou a funcionar como esqueleto da nova residência.
A lógica do projeto aproveitou uma característica essencial das construções enterradas. A terra ao redor ajuda a manter a temperatura interna mais estável ao longo do ano, reduzindo a necessidade de aquecimento intenso no inverno e de resfriamento no verão.
Segundo a Grand Designs Magazine, Richard Bennett trabalhava com consultoria de engenharia de instalações prediais, conhecimento que foi decisivo para transformar uma estrutura técnica e escura em uma casa habitável, eficiente e com controle térmico.
Demolição removeu 650 m² de teto de concreto do antigo reservatório
A primeira grande etapa da obra foi a remoção do teto. Segundo a Grand Designs Magazine, o casal precisou demolir cerca de 650 m² de laje de concreto, preservando as paredes externas e a base do reservatório.
A abertura foi decisiva para mudar completamente o caráter da estrutura. Sem o teto original, o antigo tanque deixou de ser uma cavidade escura e passou a permitir a criação de um pátio central aberto, elemento que levou luz natural ao coração da casa.
O material retirado não foi simplesmente descartado. A revista informa que o concreto quebrado foi reaproveitado no próprio terreno, ajudando a preencher o pátio central e reduzindo o volume de resíduos da obra.
Entulho do teto e pilares metálicos foram reaproveitados ou reciclados
O reaproveitamento de material virou uma das marcas da transformação. O concreto resultante da demolição foi usado dentro do próprio projeto, reforçando a lógica de reduzir desperdício e aproveitar a estrutura existente.
Segundo a Grand Designs Magazine, os pilares de aço que sustentavam a antiga cobertura também foram retirados e vendidos para reciclagem. Essa decisão reduziu descarte e ajudou a recuperar parte do valor dos materiais.
A obra seguiu uma lógica de baixo impacto sempre que possível. Em vez de demolir tudo e começar do zero, o casal manteve o que poderia ser aproveitado e transformou o antigo tanque em uma base estrutural para a nova moradia.
Paredes de concreto foram lixadas à mão durante a transformação
Depois da remoção do teto, veio uma das etapas mais trabalhosas: tratar as paredes internas do reservatório. Segundo a Grand Designs Magazine, Richard e Felicia lixaram manualmente as superfícies de concreto para que elas pudessem permanecer aparentes na casa final.
Esse trabalho consumiu tempo e exigiu esforço físico intenso. As paredes que antes ficavam escondidas dentro de um reservatório técnico passaram a funcionar como parte da estética da residência.
O resultado preservou a memória industrial da construção original. Em vez de esconder completamente o passado do tanque, o projeto incorporou o concreto como elemento visual, estrutural e histórico.
Plano de nove meses se transformou em obra de seis anos
O casal iniciou a obra com uma previsão extremamente otimista. Segundo o resumo do episódio no TheTVDB, Richard Bennett e Felicia Böhm começaram o projeto em 2013 com orçamento de apenas 150 mil libras, mas a transformação se mostrou muito mais difícil do que o planejado.
O cronograma inicial, estimado em cerca de nove meses, acabou se estendendo por aproximadamente seis anos. A complexidade técnica, o volume de trabalho manual e problemas familiares no meio do processo fizeram a obra avançar em ritmo muito mais lento.
O projeto foi exibido no Grand Designs em 2019. O episódio acompanhou a tentativa do casal de converter uma infraestrutura subterrânea pesada em uma casa de família iluminada, eficiente e adaptada à vida cotidiana.
Casa subterrânea ganhou pátio central para trazer luz natural
A transformação só funcionaria se o projeto conseguisse resolver o maior problema de um reservatório enterrado: a falta de luz. A solução foi organizar a casa em torno de um pátio central aberto, criado a partir da remoção da cobertura original.
Esse pátio passou a funcionar como fonte de iluminação natural e área de respiro para os ambientes. Com isso, a antiga caixa de concreto deixou de parecer um espaço fechado e ganhou uma relação direta com o céu, o jardim e a circulação interna.
Segundo a Grand Designs Magazine, a casa final ficou seca, quente e de baixo consumo energético. A massa de terra ao redor colaborou para a estabilidade térmica, enquanto a abertura central reduziu a sensação de confinamento.
Terra ao redor funciona como isolante térmico natural
A residência final aproveitou a própria condição enterrada do reservatório. A terra acumulada ao redor da estrutura passou a atuar como uma camada de isolamento natural, ajudando a reduzir variações bruscas de temperatura.
Esse recurso é comum em construções conhecidas como earth-sheltered homes, ou casas protegidas pela terra. A massa do solo funciona como barreira térmica, deixando o interior mais estável em diferentes estações.
No caso de North Ferriby, essa característica era parte essencial do projeto. O casal não queria apenas uma casa incomum, mas uma moradia com menor consumo de energia e maior aproveitamento da estrutura existente.
Antigos canos do reservatório viraram floreiras no novo projeto
A conversão também reaproveitou detalhes menores da estrutura original. Segundo a Grand Designs Magazine, antigos canos de aço do reservatório foram transformados em floreiras, integrando o passado técnico da obra ao paisagismo da nova residência.
Esse tipo de decisão reforçou a identidade do projeto. A casa não tentou apagar completamente o que o lugar havia sido, mas reinterpretou peças industriais como elementos domésticos.
O resultado foi uma residência que combina concreto aparente, pátio interno, vegetação e memória da infraestrutura de abastecimento. A antiga função de armazenar água continua visível em detalhes materiais e espaciais.
Reservatório virou casa de quatro quartos depois de seis anos de obra
Depois de anos de construção, o tanque subterrâneo foi convertido em uma casa de quatro quartos. O projeto manteve paredes e base do reservatório, mas reorganizou completamente o uso interno para criar ambientes habitáveis.
A residência final deixou de ser um espaço industrial escuro e passou a funcionar como moradia familiar. O pátio central, a luz natural, o reaproveitamento de materiais e o isolamento pela terra transformaram a antiga infraestrutura em uma casa de baixo consumo.
Segundo a Grand Designs Magazine, a escala do projeto, o esforço manual e o tempo de execução fizeram da obra uma das conversões mais marcantes exibidas no programa.
Antigo reservatório voltou ao mercado como imóvel raro na Inglaterra
A propriedade voltou a chamar atenção após reaparecer no mercado imobiliário britânico. Segundo anúncios imobiliários consultados em 2026, a área ligada ao antigo reservatório em North Ferriby passou a ser apresentada com potencial para uma residência de quatro quartos, reforçando o apelo de uma construção subterrânea incomum.
A trajetória do imóvel ajuda a explicar o interesse. Poucas propriedades combinam localização rural, passado industrial, estrutura subterrânea de concreto e ligação com um programa de arquitetura conhecido internacionalmente.
O antigo reservatório deixou de ser apenas uma peça esquecida de infraestrutura hídrica. Transformou-se em exemplo de como estruturas técnicas desativadas podem ganhar novo valor quando arquitetura, engenharia e reaproveitamento entram no mesmo projeto.
Tanque escuro virou exemplo de reaproveitamento arquitetônico
A história de Richard Bennett e Felicia Böhm mostra como uma estrutura feita para armazenar água pôde ser convertida em casa sem apagar completamente sua origem.
A obra aproveitou paredes, base, massa térmica do solo, concreto demolido e até peças metálicas retiradas do reservatório.
O projeto também mostra o peso real de uma conversão desse tipo. O reservatório custou 98 mil libras, mas a transformação exigiu anos de trabalho, decisões técnicas complexas e esforço físico intenso.
No fim, o tanque que antes guardava 2,5 milhões de litros de água virou uma residência de quatro quartos construída dentro de uma estrutura subterrânea. O que era uma cavidade escura sob um gramado em North Ferriby passou a ser uma das casas mais incomuns já exibidas pelo Grand Designs.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

