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Fascinado pela Lamborghini Countach que viu no cinema, engenheiro passa 17 anos trabalhando no porão, molda à mão uma carroceria inteira de alumínio, instala motor Ford V8 de 514 cv e derruba uma parede para retirar a réplica pronta
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 29/07/2026 às 11:00
Atualizado em 29/07/2026 às 11:01
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Ken Imhoff passou 17 anos construindo no porão uma réplica da Lamborghini Countach com carroceria de alumínio, chassi tubular e motor Ford V8 de 514 cv.
O engenheiro e fabricante norte-americano Ken Imhoff decidiu construir a própria Lamborghini Countach depois de ver o supercarro no filme The Cannonball Run. Sem comprar um exemplar original, ele iniciou em 1990 um projeto artesanal no porão de sua casa, no estado norte-americano de Wisconsin.
O trabalho avançou durante noites, fins de semana e períodos livres deixados pela rotina profissional e familiar. Em vez de adaptar um carro pronto ou instalar um kit de fibra de vidro, Imhoff decidiu produzir o chassi, a carroceria e diversos componentes mecânicos da réplica.
Foram 17 anos de fabricação até a conclusão, em 2008. O veículo ficou conhecido como Basement Lambo, ou Lamborghini do porão, e reproduzia o formato de uma Countach LP5000 S europeia de 1982.
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Réplica da Lamborghini Countach recebeu chassi tubular próprio
A construção começou pela base estrutural. Imhoff projetou um chassi espacial feito com tubos de aço, solução capaz de acomodar o motor central, a transmissão, a suspensão, o tanque de combustível, os radiadores e a cabine extremamente baixa.
A estrutura precisava acompanhar as proporções largas e angulares da Countach sem utilizar a plataforma de outro automóvel. Dessa forma, a réplica não seria apenas uma carroceria diferente colocada sobre um carro comum.
O projeto recebeu cubos de roda derivados do Chevrolet Corvette e braços de suspensão fabricados especialmente para o veículo. A estrutura tubular também foi planejada para suportar um motor de alta potência e componentes de competição.
Carroceria de alumínio foi moldada inteiramente à mão
A carroceria tornou-se uma das partes mais impressionantes da Basement Lambo. Todos os painéis externos foram produzidos em alumínio, sem o uso das grandes peças de fibra de vidro encontradas em muitas réplicas artesanais.
Imhoff construiu um molde estrutural de madeira, conhecido como wooden buck, para servir de referência. As chapas foram trabalhadas sobre esse suporte com uma roda inglesa, equipamento usado para curvar, esticar e alisar o metal gradualmente.
Cada painel precisou ser cortado, moldado, ajustado e soldado até reproduzir o desenho da Countach. A dianteira em forma de cunha, os para-lamas largos, as entradas de ar laterais e a traseira baixa surgiram de chapas inicialmente planas.
Countach verdadeira forneceu medidas para a réplica artesanal
Para aproximar a carroceria das proporções originais, Imhoff teve acesso a uma Lamborghini Countach verdadeira e utilizou o automóvel como referência para realizar medições.
O trabalho permitiu reproduzir o perfil extremamente baixo, a largura da carroceria e os principais elementos visuais do modelo italiano. A réplica foi baseada na aparência de uma Countach LP5000 S europeia de 1982.
O cuidado com as medidas diferenciou a Basement Lambo de projetos que apenas imitam superficialmente o formato de um supercarro. Imhoff buscou recriar as proporções completas, mesmo que a mecânica utilizasse componentes de outras fabricantes.
Peças originais da Lamborghini aumentaram a fidelidade visual
A réplica também recebeu componentes genuínos da Lamborghini. Entre eles estavam o para-brisa, as lanternas traseiras, as luzes de posição, os vidros laterais, os emblemas e partes aerodinâmicas externas.
O aerofólio, as extensões dos para-lamas e o spoiler dianteiro ajudaram a reproduzir a configuração visual das versões mais agressivas da Countach.
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As famosas portas com abertura vertical também foram incorporadas ao projeto. Por fora, o veículo apresentava uma aparência próxima da versão italiana, mas escondia sob a carroceria uma combinação mecânica totalmente diferente.
Motor Ford Boss 351 entrega 514 cv à Lamborghini artesanal
No lugar do motor V12 originalmente utilizado pela Lamborghini, Imhoff instalou um Ford Cleveland Boss 351 V8 preparado.
O bloco recebeu um kit stroker que ampliou o deslocamento para 377 polegadas cúbicas, equivalentes a aproximadamente 6,2 litros. O conjunto incluía pistões forjados, bielas reforçadas, comando de válvulas de alto desempenho e cabeçotes retrabalhados.
Quatro carburadores Weber 48 IDA completavam a alimentação. A potência informada para o motor chegou a 514 cv a 6.800 rpm, número elevado mesmo para um veículo artesanal produzido no porão de uma residência.
Câmbio ZF de cinco marchas leva a força às rodas traseiras
A potência do V8 era enviada às rodas traseiras por uma transmissão manual ZF de cinco marchas, ligada a componentes associados ao De Tomaso Pantera.
A escolha permitiu manter a arquitetura de motor central e tração traseira. Essa configuração aproximava a distribuição mecânica da réplica daquela utilizada em supercarros tradicionais.
O sistema também recebeu embreagem hidráulica, volante de alumínio e seletor de marchas ligado à transmissão instalada atrás da cabine. Embora o motor não fosse italiano, a disposição mecânica preservava a proposta de um automóvel de alto desempenho.
Escapamento artesanal reproduziu solução usada em carros de corrida
Imhoff também construiu o sistema de escape. Os coletores foram produzidos em aço inoxidável com tubos de 180 graus, seguindo um desenho conhecido como bundle of snakes.
A solução lembra sistemas empregados em carros de competição, nos quais os tubos percorrem trajetos calculados antes de se encontrarem nos coletores. O projeto foi associado à configuração utilizada no Ford GT40.
O controle térmico exigiu dois radiadores de alumínio, ventiladores elétricos, resfriador de óleo e filtros remotos. Esses equipamentos precisavam manter o V8 refrigerado dentro de uma carroceria baixa, larga e com espaço interno limitado.
Freios Wilwood e rodas BBS completaram o conjunto mecânico
Para controlar a potência, a réplica recebeu pinças de freio Wilwood de quatro pistões e discos ventilados de 12 polegadas.
Os pedais, os cilindros mestres e o acionamento hidráulico da embreagem também foram escolhidos entre componentes destinados a aplicações de alto desempenho.
As rodas foram montadas com aros BBS e centros produzidos especificamente para o carro. Na dianteira, elas tinham 10 polegadas de largura; na traseira, chegavam a 12 polegadas, reforçando a aparência larga característica da Countach.
Interior de competição substituiu o luxo convencional
A cabine recebeu painéis de alumínio anodizado, painel revestido de couro, bancos Momo e cintos de segurança de cinco pontos.
O volante podia ser removido para facilitar a entrada no espaço apertado. A réplica também contava com sistema de combate a incêndio com agente Halon, recurso encontrado em veículos preparados para competição.
Atrás dos bancos, uma barreira com isolamento térmico e acústico separava a cabine do motor. Um painel removível permitia acesso a componentes mecânicos sem desmontar toda a parte traseira do carro.
Lamborghini do porão pesava aproximadamente 1.225 quilos
O peso informado para o veículo era de aproximadamente 2.700 libras, equivalentes a cerca de 1.225 quilos.
A carroceria de alumínio ajudava a controlar a massa, enquanto o interior de competição evitava equipamentos pesados. Com 514 cv, a réplica apresentava uma relação entre peso e potência próxima da encontrada em automóveis de alto desempenho.
Imhoff também informou que o carro havia atingido 140 milhas por hora, aproximadamente 225 km/h. A Autoevolution registrou que, quando anunciado em 2022, o veículo acumulava apenas cerca de 112 quilômetros desde a conclusão.
Construção da Lamborghini artesanal consumiu 17 anos
A produção começou em 1990 e terminou em 2008. Durante esse período, Imhoff precisou combinar desenho estrutural, soldagem, modelagem de chapas, usinagem, montagem mecânica, elétrica e acabamento.
Praticamente cada componente exigia medição, fabricação e ajustes individuais. Sem uma linha de montagem, o veículo avançava conforme o construtor encontrava tempo para trabalhar no porão.
A dedicação prolongada fez com que o projeto ocupasse parte significativa da vida profissional e familiar de Imhoff.
O carro foi construído principalmente depois do trabalho e durante períodos que poderiam ser dedicados a outras atividades.
Parede da casa foi derrubada para retirar a Countach pronta
Quando a réplica ficou pronta, Imhoff enfrentou um problema causado pelo próprio local escolhido para a construção.
O automóvel havia sido montado em tamanho real dentro do porão, mas não existia uma abertura suficientemente grande para retirá-lo.
Foi necessário contratar profissionais para remover uma parte da parede da residência. O terreno diante do porão também foi escavado para criar uma rampa até o nível da rua.
Depois de 17 anos cercada por paredes, ferramentas e equipamentos domésticos, a Countach artesanal atravessou a abertura feita na casa e finalmente chegou ao lado de fora.
Basement Lambo alcançou preços de carro de coleção
Imhoff permaneceu com a criação por alguns anos e posteriormente vendeu o veículo por aproximadamente US$ 90 mil.
Em 2022, a réplica reapareceu em um anúncio no eBay. Os lances chegaram a US$ 100.100, mas não alcançaram o preço de reserva estabelecido pelo vendedor.
Em 2023, o carro voltou ao mercado com preço pedido de US$ 229 mil. O valor refletia não apenas a semelhança com uma Countach, mas a carroceria artesanal de alumínio, as peças personalizadas e a história de quase duas décadas de fabricação.
Engenheiro transforma sonho de cinema em supercarro artesanal
Ken Imhoff viu uma Lamborghini Countach no cinema e decidiu produzir a própria versão dentro de casa. O projeto começou com tubos de aço e chapas de alumínio e terminou como um automóvel funcional de 514 cv.
Durante 17 anos, o porão recebeu o chassi, a carroceria, o motor Ford V8, a transmissão ZF, a suspensão, os freios e o interior construído para reproduzir a experiência de um supercarro.
Quando a máquina ficou pronta, nem mesmo a parede da residência permaneceu intacta. A abertura precisou ser demolida para que a Lamborghini artesanal deixasse o porão onde havia sido construída painel por painel.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

