Durante os três dias do Festival Noke Koi a Terra Indígena Capinas/Katukina, na BR364, em Cruzeiro do Sul,conta com apresentações de cantos, danças tradicionais, rezos, jogos indígenas, exibição de filmes, artesanato e momentos de espiritualidade, incluindo a consagração das medicinas tradicionais, como a ayahuasca.O evento teve início nesta terça-feira, 28 e segue até quinta-feira, 30,aberto ao público. O Festival celebra a demarcação do território , em 1984 e reforça a resistência, a espiritualidade e a preservação da cultura do povo indígena. A TI foi demarcada em 1984 e homologada em 1993.
O cacique e líder espiritual Pina Varinawa,destacou que a data representa um momento de celebração e de reconhecimento da luta dos ancestrais. Segundo ele, o festival também simboliza a resistência do povo Noke Kuin e o fortalecimento da identidade cultural.“São três dias de muita cantoria, dança, jogos tradicionais e das nossas medicinas sagradas, que fortalecem nossa conexão com a Mãe Natureza. Também queremos mostrar à sociedade a nossa luta e a nossa resistência. Seguimos vivos, mantendo nossa cultura e defendendo nossa floresta.Essa é uma data muito significativa para nós. Estamos celebrando a demarcação da nossa terra, reunidos com nosso povo e nossa família, preservando a floresta, a biodiversidade, mantendo viva nossa cultura, nossa espiritualidade e honrando nossos grandes pajés e anciãos que lutaram por esse território.”
Ao relembrar a conquista da terra indígena, Pina ressaltou a atuação dos antigos pajés, que chegaram à região ainda na década de 1960.“A luta começou com nossos grandes pajés. Eles decidiram permanecer aqui para garantir o futuro do nosso povo. Hoje seguimos defendendo nossa terra, nossa saúde, nossa educação e a memória dos nossos ancestrais.A floresta é nossa casa, nossa vida, nosso mercado e nossa farmácia. É dela que tiramos nosso alimento, nossa medicina e os materiais para viver. Nós não vivemos na floresta, nós somos a floresta”, destaca ele.
Pesquisa internacional une grafismo indígena e tecnologia
O festival também despertou o interesse da comunidade científica. O pesquisador Marcelo Marques, doutorando em Artes pela Universidade da Beira Interior, em Portugal, participa do evento em parceria com a Universidade Federal do Acre (Ufac).
Ele explicou que desenvolve um estudo sobre os grafismos indígenas e sua relação com a arte digital e as tecnologias, buscando contribuir para a preservação da Amazônia.“Estou pesquisando os grafismos dos povos originários para criar uma obra de arte voltada à preservação e à conscientização sobre a floresta amazônica. Como eles dizem, são o corpo da floresta.”
Marcelo contou que conheceu o festival por meio do professor Hamilton Matos, da Ufac, e classificou a experiência como transformadora.“É uma experiência fantástica. Moro em Portugal há algum tempo e percebi que conhecia muito pouco da Amazônia. Este universo é incrível. Convido todos a conhecerem este e outros festivais dos povos originários e a participarem da preservação do meio ambiente.”
Prefeitura destaca potencial do etnoturismo
Representando a Prefeitura de Cruzeiro do Sul, a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Janaína Terças, afirmou que o município apoia os festivais indígenas por reconhecer a importância cultural e turística desses eventos.“O prefeito Zequinha Lima incentiva e apoia os festivais indígenas. A cultura dos povos originários é passada de geração em geração e precisa ser preservada. Aqui vemos as crianças falando a língua, produzindo artesanato e mantendo vivas as tradições.”
Ela destacou que o festival recebe visitantes de diversos países e fortalece o etnoturismo na região“Encontramos aqui portugueses, russos e visitantes de vários lugares do mundo. Muitas vezes quem mora em Cruzeiro do Sul ainda não conhece essa riqueza. Em pouco mais de uma hora é possível chegar ao território e viver essa experiência. O festival fortalece o turismo, movimenta nossa economia e mostra ao mundo a riqueza da cultura indígena do Vale do Juruá”, concluiu.
A Terra Indígena Campinas/Katukina cortada pela rodovia BR-364,fica localizada a cerca de 80 quilômetros da zona urbana de Cruzeiro do Sul. Possui uma área aproximada de 33 mil hectares. Abriga atualmente cerca de 900 indígenas da etnia Noke Koí (historicamente conhecidos como Katukina), distribuídos por diversas aldeias na região.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

