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George Patton supervisionou em 1935 o lançamento de 40 bombas sobre o Mauna Loa para desviar uma erupção que ameaçava Hilo: algumas atingiram túneis de lava, o fluxo parou seis dias depois e a experiência entrou para a história como o primeiro bombardeio aéreo de lava ativa
Escrito por Carla Teles
Publicado em 30/07/2026 às 04:09
Atualizado em 30/07/2026 às 04:10
Curiosidades
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O Mauna Loa recebeu 40 bombas lançadas por aeronaves do Exército dos Estados Unidos em 1935, sob supervisão de George Patton, numa tentativa de romper túneis de lava, dispersar o fluxo que avançava rumo a Hilo e proteger o abastecimento de água, embora a eficácia permaneça controversa entre especialistas.
O Exército dos Estados Unidos lançou 40 bombas sobre o Mauna Loa, no Havaí, em 27 de dezembro de 1935, numa tentativa de alterar um fluxo de lava que avançava em direção a Hilo e ameaçava as nascentes usadas no abastecimento de água da cidade. A operação militar foi supervisionada pelo então tenente-coronel George S. Patton.
As informações foram publicadas pelo Daily Galaxy em 29 de julho de 2026. O episódio é reconhecido pelo Serviço Nacional de Parques como o primeiro bombardeio aéreo de lava ativa, embora cientistas ainda discutam se as explosões contribuíram para o encerramento da erupção seis dias depois.
Erupção começou no topo do vulcão
A erupção do Mauna Loa começou em 21 de novembro de 1935, na caldeira localizada no topo do vulcão. Pouco depois, a atividade migrou para a Zona de Fenda Nordeste, modificando o ponto de emissão do material.
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Uma nova cratera se abriu na encosta norte em 27 de novembro. A partir dela, lava do tipo pāhoehoe acumulou-se na região entre o Mauna Loa e o Mauna Kea antes de seguir para leste.
Lava avançava cerca de 1,6 quilômetro por dia
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o fluxo avançava aproximadamente 1,6 quilômetro diariamente. Essa velocidade aumentou o temor de que a lava alcançasse áreas importantes próximas de Hilo.
A principal preocupação era o rio Wailuku e as nascentes ligadas ao sistema de abastecimento da cidade. Moradores e autoridades buscavam uma maneira de diminuir ou alterar o avanço da rocha derretida.
Túneis mantinham o fluxo quente por mais tempo
A lava pāhoehoe apresenta superfície lisa, ondulada ou semelhante a cordas. Enquanto a parte externa esfria e forma uma crosta, o material líquido pode continuar avançando por canais isolados abaixo da superfície.
Esses túneis reduzem a perda de calor e permitem que a lava percorra distâncias maiores. Romper esses caminhos subterrâneos tornou-se o objetivo central do plano de bombardeio.
Vulcanólogos propuseram atacar os canais
Thomas A. Jaggar, fundador do Observatório Vulcanológico do Havaí, e o vulcanólogo Ruy Finch defenderam o uso de explosivos para atingir os canais que alimentavam o fluxo.
A intenção não era apagar a erupção nem destruir completamente a lava. O plano previa abrir os túneis para que o material se espalhasse por uma área maior e perdesse velocidade antes de chegar a Hilo.
Ideia já havia surgido no século XIX
O uso de explosivos contra um fluxo de lava já havia sido discutido no Havaí durante uma erupção ocorrida entre 1880 e 1881. Naquela ocasião, o material também ameaçava Hilo.
O plano não chegou a ser executado. Somente em 1935 as autoridades transformaram a proposta em uma missão aérea contra um fluxo ativo do Mauna Loa.
George Patton supervisionou a missão
O tenente-coronel George S. Patton acompanhou a operação do Exército antes de se tornar conhecido por seu comando durante a Segunda Guerra Mundial. Aeronaves militares partiram de Oʻahu em direção ao fluxo de Humuʻula.
Os pilotos deveriam atingir áreas próximas aos canais de lava na encosta norte do Mauna Loa. A missão dependia de observar alvos difíceis em meio à fumaça, ao calor e à superfície irregular.
Aeronaves transportaram dois tipos de bomba
A operação utilizou 20 bombas de demolição e 20 bombas menores de marcação. As cargas mais leves serviam para indicar os pontos de impacto às equipes que acompanhavam a missão.
Cada bomba de demolição MK I pesava 272 quilos e carregava 161 quilos de TNT, conforme estudo citado pelo Serviço Nacional de Parques. Um fusível com pequeno atraso permitia que o artefato penetrasse na superfície antes da explosão.
Parte das bombas atingiu o alvo
Relatos posteriores indicam que 16 bombas de demolição chegaram à área planejada. Doze delas teriam atingido o túnel de lava escolhido como alvo principal.
Os impactos abriram crateras e romperam partes da crosta, mas a lava continuou avançando depois da operação. Essa continuidade tornou mais difícil medir o efeito real das explosões.
Jaggar considerou a experiência bem-sucedida
Thomas Jaggar observou a missão por meio de um telescópio instalado próximo ao Mauna Kea. Posteriormente, afirmou que os resultados haviam ocorrido conforme o previsto.
Ele também sustentou que o bombardeio ajudou a acelerar o fim do fluxo. Para Jaggar, a interrupção teria sido abrupta demais para representar apenas o encerramento natural da atividade.
Fluxo parou seis dias após as explosões
A lava perdeu força nos dias seguintes e deixou de avançar em 2 de janeiro de 1936. O intervalo entre o bombardeio e a paralisação foi de seis dias.
A proximidade temporal alimentou a interpretação de que as bombas haviam funcionado. No entanto, a erupção já apresentava sinais de enfraquecimento antes de o fluxo parar.
Geólogo considerou resultado uma coincidência
Howard Stearns, geólogo do Serviço Geológico dos Estados Unidos que participou da missão a bordo da última aeronave, discordou da conclusão de Jaggar.
Em uma autobiografia publicada décadas depois, Stearns declarou acreditar que a interrupção havia sido uma coincidência. Segundo sua avaliação, a lava não mudou significativamente de direção e continuou avançando após as explosões.
Efeito não pôde ser separado do fim natural
Como a erupção terminou poucos dias depois e já estava diminuindo, os pesquisadores não conseguiram isolar a influência das bombas. Não havia um segundo fluxo idêntico que pudesse funcionar como comparação.
A eficácia do bombardeio do Mauna Loa permanece controversa, porque o mesmo resultado poderia ter ocorrido sem a intervenção militar. A operação produziu impactos visíveis, mas não comprovou que eles encerraram o avanço.
Experimentos posteriores tiveram efeito limitado
Outra tentativa de bombardear lava ocorreu em 1942. Estudos posteriores concluíram que tanto essa operação quanto a realizada em 1935 produziram resultados limitados.
Essas experiências mostraram a dificuldade de alterar fluxos alimentados continuamente por um vulcão. Romper um canal não impede necessariamente que a lava encontre outra passagem ou continue avançando pela superfície.
Missão inaugurou uma nova tentativa de defesa
Apesar das dúvidas, a operação entrou para a história como o primeiro bombardeio aéreo de um fluxo de lava ativo. O episódio também se tornou um exemplo inicial de tentativa de desvio vulcânico.
A estratégia não buscava impedir que o magma chegasse à superfície. O objetivo era modificar sua trajetória para proteger pessoas, fontes de água e áreas urbanas ameaçadas.
Intervenções em lava exigem riscos elevados
Bombardear uma erupção envolve dificuldades de precisão, calor extremo, fumaça, instabilidade do terreno e comportamento imprevisível do fluxo. Mesmo um impacto bem colocado pode produzir apenas uma alteração temporária.
Além disso, desviar lava de uma área pode transferir o risco para outra. Qualquer intervenção exige compreender relevo, velocidade, volume e possíveis caminhos alternativos do material.
Episódio permanece entre ciência e história militar
A missão sobre o Mauna Loa reuniu vulcanólogos, militares, aeronaves e explosivos em uma experiência sem precedentes. O episódio ocorreu antes de George Patton se tornar uma das figuras mais conhecidas do Exército norte-americano.
Mais de nove décadas depois, a operação continua citada tanto na história da vulcanologia quanto na história militar. Ela demonstra como uma ameaça natural levou autoridades a testar uma solução extrema sem garantia de sucesso.
Bombardeio ainda provoca debate
As 40 bombas atingiram parte dos canais, o fluxo diminuiu e a erupção terminou seis dias depois, mas não existe consenso de que esses fatos estejam diretamente ligados. A ausência de uma mudança clara de direção reforça a cautela dos geólogos.
Você acredita que autoridades deveriam tentar desviar uma erupção quando uma cidade está ameaçada, mesmo sem certeza sobre os efeitos? Conte nos comentários se o bombardeio do Mauna Loa foi uma experiência necessária ou um risco difícil de justificar.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

