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Hatch fabricado em Minas Gerais bate 750 mil unidades produzidas, vendeu 102.636 só em 2025 e esconde uma pegadinha, os faróis full LED aparecem em apenas duas versões, ambas com o motor de 107 cv
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 29/07/2026 às 20:36
Atualizado em 29/07/2026 às 20:39
Automotivo
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A linha atual tem cinco configurações, e o motor mais forte fica restrito às automáticas. Enquanto a marca celebra o número de produção, prepara a chegada da segunda geração do modelo, prevista para este ano, com base em um projeto europeu.
O Fiat Argo alcançou 750 mil unidades produzidas no Brasil ao longo de nove anos de trajetória, conforme comunicado divulgado pela Stellantis em 26 de junho de 2026. O hatch é fabricado desde 2017 no Polo Automotivo Stellantis de Betim, em Minas Gerais, com produção inteiramente nacional, e nasceu para substituir dois modelos históricos da marca, o Palio e o Punto.
O desempenho comercial acompanha o número industrial. Em 2025, o modelo registrou 102.636 unidades comercializadas e terminou como o segundo veículo mais vendido da Fiat no país, além de figurar entre os dez automóveis mais vendidos do Brasil há mais de quatro anos. Frederico Battaglia, head das marcas Fiat e Abarth para a América do Sul, afirmou no comunicado que a marca reforça a força de um projeto criado para ter forte impacto no segmento.
O que 750 mil significa, e o que não significa
Vale separar os dois números, porque eles medem coisas diferentes e costumam ser confundidos.
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As 750 mil unidades correspondem ao volume acumulado de produção na fábrica brasileira ao longo de nove anos, e não a vendas de um único período. Parte dessa produção abasteceu o mercado interno e parte foi destinada a outros países da região.
Os 102.636 são emplacamentos de um ano específico, 2025. Colocando os dois lado a lado, a média anual de produção fica próxima de 83 mil unidades, o que mostra que o desempenho de 2025 ficou acima da média histórica do modelo.
O dado que dá contexto ao segundo lugar dentro da própria marca veio da reportagem publicada pelo jornal O Povo em 1º de julho de 2026: o Argo ficou atrás apenas da Fiat Strada, que registrou 142.891 emplacamentos no mesmo período.
A pegadinha das versões
Aqui está o ponto que interessa a quem vai à concessionária esperando encontrar o carro do anúncio.
A linha atual do Argo é oferecida em cinco versões, conforme o comunicado da Stellantis. Os faróis full LED, porém, equipam apenas duas delas: a Drive 1.3 CVT e a Trekking 1.3 CVT. As demais configurações usam conjuntos halógenos.
O motor mais potente segue a mesma lógica. As versões de entrada trazem o motor 1.0 associado ao câmbio manual, e a potência máxima de 107 cavalos só aparece nas configurações equipadas com o 1.3.
Há ainda uma armadilha adicional que vale registrar. Ter o motor 1.3 não garante automaticamente os demais itens superiores, porque rodas, central multimídia, ar-condicionado digital e acesso sem chave variam entre versões e pacotes.
Isso significa que a lista de equipamentos divulgada em anúncio institucional descreve a linha inteira, não uma versão específica. Quem quiser um item determinado precisa conferir em qual configuração ele aparece.
O 1.3 Firefly e o câmbio de sete velocidades simuladas
A combinação que dá ao modelo o desempenho mais alto chegou em 2023, segundo o comunicado da Stellantis.
Foi naquele ano que o Argo passou a oferecer versões com câmbio CVT de sete velocidades associadas ao motor Firefly 1.3, de até 107 cavalos com etanol. Trata-se de um propulsor aspirado, sem turbocompressor, com tração dianteira em toda a linha.
O CVT funciona de forma diferente de um automático convencional. Ele varia continuamente a relação de transmissão, em vez de trocar entre marchas fixas, e as sete relações são simuladas por programação eletrônica. Há também um modo Sport, que altera as respostas conforme a pressão no acelerador.
O comportamento tem duas faces. A vantagem é a suavidade, porque não há troca perceptível nem pedal de embreagem. A característica que incomoda parte dos motoristas é que, em aceleração forte, a rotação do motor pode permanecer alta enquanto a velocidade sobe aos poucos, e isso é normal nesse tipo de transmissão.
Ainda segundo o comunicado da Stellantis, essa combinação levou o modelo a ser reconhecido em 2023 como um dos automáticos mais econômicos do segmento.
O incentivo que mexeu no preço em 2025
Um fator externo ajudou o desempenho comercial recente e raramente aparece nas matérias sobre a marca de produção.
Em 2025, o Argo passou a integrar a campanha de incentivo do IPI do programa Carro Sustentável, promovida pelo governo federal, conforme informa o comunicado da Stellantis. O programa reduz o imposto para veículos que atendem a critérios de eficiência e conteúdo local definidos pela iniciativa.
O efeito prático é sobre o preço final ao consumidor, especialmente nas versões de entrada. Análise publicada pelo PortalR3 em 28 de junho de 2026 aponta que a medida ampliou o interesse justamente por essas configurações.
Isso significa que parte da competitividade recente do modelo vem de política tributária, e não apenas de produto. Vale considerar isso na comparação com concorrentes, porque benefício fiscal pode mudar de regra e alterar a conta.
A informação que muda a decisão de compra
Este é o dado que nenhuma matéria comemorativa costuma trazer e que interessa mais a quem está pensando em comprar do que qualquer número de produção.
A segunda geração do Argo está em desenvolvimento e deve chegar às concessionárias ainda em 2026, segundo reportagens publicadas pela Revista Fórum e pelo Band Motor em julho de 2026. O lançamento integra as comemorações dos 50 anos da Fiat no Brasil.
O projeto muda de base. O novo modelo será derivado do Grande Panda europeu e deve adotar a plataforma Smart Car da Stellantis, o que representa alteração significativa em relação ao que existe hoje.
Existe um detalhe que evita mal-entendido. Segundo o Band Motor, a geração atual seguirá em produção como opção de entrada da marca, ou seja, o carro vendido hoje não sai de linha imediatamente. Há especulação de que o novo modelo receba outro nome, possivelmente Uno, mas isso não foi confirmado pela fabricante.
O efeito para o comprador é conhecido em qualquer troca de geração. A entrada de um modelo novo tende a pressionar para baixo o valor de revenda da geração anterior, e é uma variável que pesa mais do que a lista de equipamentos.
Os concorrentes de sempre
O contexto competitivo ajuda a entender por que o modelo se manteve tanto tempo entre os mais vendidos.
Segundo a Revista Fórum, o Argo enfrenta ao longo da trajetória rivais tradicionais do segmento de hatches compactos, com Volkswagen Polo, Chevrolet Onix e Hyundai HB20 entre os principais.
A permanência entre os dez mais vendidos do país por mais de quatro anos aconteceu em um cenário desfavorável ao formato. A expansão dos utilitários esportivos compactos reduziu bastante o espaço dos hatches no mercado brasileiro, e manter volume nessa categoria exigiu atualizações sucessivas de desenho, equipamento, motor e transmissão.
O que pesar antes de comprar
O que o comunicado da Stellantis confirma é produção, vendas, motor e transmissão. O que ele não faz, porque não é a função dele, é comparar preços.
Antes de fechar negócio, vale confrontar valor de compra, itens de série da versão específica, custo de seguro, preço das revisões e consumo real, e não apenas a potência anunciada.
Também vale considerar a mecânica. O 1.3 aspirado com CVT entrega conforto no trânsito urbano, enquanto as versões 1.0 com câmbio manual priorizam simplicidade e preço menor. São propostas diferentes dentro da mesma linha.
O que fica dessa marca
Nove anos de fábrica em Betim, 750 mil unidades produzidas, 102.636 emplacamentos em 2025, cinco versões na linha atual, faróis full LED em apenas duas delas e uma segunda geração prevista para chegar neste mesmo ano. O número de produção conta a história do hatch até aqui, mas quem vai comprar precisa olhar o que vem depois.
E você, o que acha? Vale comprar a geração atual agora, sabendo que a nova chega ainda em 2026 e que isso mexe no valor de revenda, ou é melhor esperar? Você acha justo anúncio institucional listar equipamento sem dizer em qual versão ele aparece? E mais: hatch compacto ainda faz sentido no Brasil ou o SUV pequeno já ganhou essa disputa de vez? Comente sua opinião, principalmente se você tem um Argo e pode dizer como ele se comporta no consumo e na manutenção.
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Fiat Argo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

