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Mais de 460 trabalhadores, entre paraguaios e brasileiros, enfrentaram jornadas até a meia-noite para erguer ponte de 1.294 metros entre Brasil e Paraguai
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 24/07/2026 às 19:09
Atualizado em 24/07/2026 às 19:10
Construção
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Durante quatro anos, equipes encararam temperaturas extremas, alojamentos, distância da família e diferenças culturais para erguer a ligação internacional que poderá receber inicialmente cerca de 250 caminhões por dia na principal obra da Rota Bioceânica
Mais de 460 trabalhadores chegaram a atuar diretamente na construção da Ponte Bioceânica, ligação de 1.294 metros entre Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai. Durante quatro anos, as equipes enfrentaram temperaturas extremas, jornadas até a meia-noite e longos períodos longe da família.
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Mais de 460 funcionários trabalharam no auge da construção
A Ponte Bioceânica é considerada a principal obra do corredor logístico que conectará o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Oceano Pacífico, passando por Paraguai, Argentina e Chile.
No auge dos trabalhos, cerca de 460 pessoas atuavam diretamente no canteiro. Aproximadamente 80% desses profissionais vieram de outras localidades, segundo René Gómez, superintendente de obras do Consórcio Binacional PYBRA e coordenador principal da ponte.
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Em 2024, quando aproximadamente 55% da estrutura estava concluída, o ritmo de trabalho se estendia diariamente até a meia-noite. As equipes precisavam cumprir etapas técnicas em meio a grandes variações de temperatura.
Os trabalhadores também enfrentaram sol intenso, frio rigoroso, lama e a necessidade de morar em alojamentos.
Para muitos, o maior desafio não estava na engenharia, mas na distância dos filhos, pais e demais familiares.
Jornadas exigiram adaptação e distância de até 800 quilômetros
O engenheiro civil paraguaio Kevin Larrea, de 28 anos, trabalha há três anos no empreendimento. Ele deixou Assunção para atuar em Carmelo Peralta, a cerca de 800 quilômetros de sua casa.
Larrea afirmou que a distância da família foi uma das maiores dificuldades enfrentadas durante a construção. Mesmo longe, ele manteve contato frequente com os parentes, que permaneceram na capital paraguaia.
A experiência, no entanto, também representa um marco profissional. Esta é a segunda ponte dessa magnitude da qual o engenheiro participa, fato que ele considera motivo de orgulho pessoal e profissional.
Entre os brasileiros envolvidos está o sergipano Valdileno Batista dos Santos, de 42 anos. Ele ficou responsável pela operação do carro de avanço, equipamento utilizado na execução das aduelas sem escoramento no solo.
Idioma, alimentação e costumes também desafiaram as equipes
Valdileno trabalha em grandes obras desde 2010 e já participou da construção da ponte que liga o Brasil à Guiana Francesa. Na Ponte Bioceânica, além da técnica, precisou se adaptar a uma nova rotina cultural.
O trabalhador relatou dificuldades para compreender o guarani, embora conseguisse entender parte das conversas em espanhol. A alimentação paraguaia, os costumes locais e as condições do terreno também exigiram adaptação.
Nordestino, Valdileno também precisou se acostumar à cultura do Mato Grosso do Sul. Após cerca de um ano e meio na obra, ele participa agora da desmontagem do carro de avanço.
Quando concluir essa etapa, prevista para os próximos meses, seguirá para Aracaju, em Sergipe, onde trabalhará na construção de novas pontes.
Ponte terá capacidade inicial para 250 caminhões por dia
A união definitiva das duas partes da estrutura foi chamada por René Gómez de “beijo da ponte”. Para o coordenador, o momento representa o resultado de quatro anos de trabalho e sacrifícios coletivos.
Gómez também destacou que a obra chegou à reta final sem nenhum acidente grave. O resultado foi alcançado mesmo com centenas de profissionais, atividades noturnas e serviços de alta complexidade.
Agora, cerca de 140 trabalhadores permanecem no canteiro. As equipes executam pavimentação, acabamentos, instalação de guarda-corpos, iluminação e outras estruturas necessárias antes da entrega definitiva.
Com 1.294 metros de extensão, a ponte terá capacidade inicial estimada para receber aproximadamente 250 caminhões por dia, segundo a Receita Federal.
O movimento poderá crescer com a consolidação da Rota Bioceânica como alternativa logística para o Mercosul e os mercados asiáticos.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas sobre a Ponte da Rota Bioceânica, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://amp.campograndene
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

