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Messi ficou bilionário com a bola no pé, mas quem olha só para os gramados perde metade da história, porque a família dele também apostou pesado na terra e o resultado é uma fazenda de 68 quilômetros quadrados no norte da Argentina, uma área maior que a cidade inteira de Balneário Camboriú, com gado, arroz e erva-mate saindo do mesmo lugar
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 28/07/2026 às 14:45
Curiosidades
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A Estância Rincón Chico, ligada à família do craque argentino, tem 6.800 hectares na província de Corrientes e reúne pecuária, cultivo de arroz e produção de erva-mate. A fazenda foi avaliada em cerca de US$ 20 milhões quando a negociação apareceu na imprensa argentina, em 2015.
A maior parte do patrimônio de Lionel Messi veio do futebol, mas os negócios ligados à família dele não pararam nos contratos e nos imóveis urbanos. Uma fazenda de 6.800 hectares na província argentina de Corrientes aparece associada ao sobrenome do jogador e opera em um setor bem distante do gramado: o agronegócio, segundo o NSC Total.
A propriedade se chama Estância Rincón Chico e reúne três frentes de produção ao mesmo tempo. São criação de gado bovino, cultivo de arroz e produção de erva-mate em uma área de 68 quilômetros quadrados, no nordeste da Argentina. O valor citado quando a negociação veio a público foi de aproximadamente US$ 20 milhões, o equivalente a cerca de R$ 103 milhões na conversão apresentada pela reportagem.
A conta que dá a real dimensão do terreno
O número em hectares esconde o tamanho real do lugar. Os 6.800 hectares equivalem a exatos 68 quilômetros quadrados, já que cada quilômetro quadrado corresponde a cem hectares.
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É aí que a comparação com cidade brasileira faz sentido. Balneário Camboriú, em Santa Catarina, tem 45,2 quilômetros quadrados de área territorial, segundo o IBGE ou seja, a propriedade rural é cerca de uma vez e meia maior que todo o município catarinense. O manejo de culturas como arroz e erva-mate é objeto de pesquisa de instituições como a Embrapa.
A diferença de densidade, claro, é gritante. Enquanto o município catarinense concentra prédios, comércio e mais de cem mil habitantes em menos de 46 quilômetros quadrados, a estância usa 68 para pasto, lavoura e erval, o que dá a medida do contraste entre solo urbano e solo produtivo.
Onde fica a Estância Rincón Chico
A localização é de fronteira entre duas províncias. A propriedade fica na região de San Carlos, uma pequena localidade da província de Corrientes, próxima à divisa com Misiones, no nordeste argentino.
O ponto de referência mais conhecido não é da mesma província. A fazenda está a cerca de 60 quilômetros de Posadas, capital de Misiones, e integra administrativamente o departamento de Ituzaingó.
A escala do lugar contrasta com a do povoado ao redor. San Carlos tinha aproximadamente 3 mil moradores quando a aquisição foi noticiada pela imprensa local, população menor que a de muitos bairros brasileiros.
Como a negociação apareceu na imprensa argentina
O caso ganhou repercussão em um momento específico. A negociação começou a ser divulgada por veículos argentinos em maio de 2015, quando jornais da região trataram do assunto.
A condução do negócio foi atribuída a um nome conhecido do entorno do jogador. As reportagens afirmavam que a compra teria sido realizada por intermédio de Jorge Messi, pai do atleta e responsável por parte dos negócios da família.
A imprensa argentina tratou o assunto no plano da informação de bastidores, e não houve divulgação de confirmação oficial do jogador ou de seus representantes sobre a operação, razão pela qual a propriedade aparece descrita como ligada ou associada à família, e não como bem declarado publicamente por ele.
Quem era o dono antes
A estância já tinha passado por outro proprietário de peso. Antes da negociação, a área teria pertencido a um empresário espanhol ligado à indústria petrolífera, segundo o material divulgado sobre o caso.
Esse detalhe ajuda a explicar o perfil do ativo. Propriedades desse porte costumam circular entre investidores, e não entre produtores locais, justamente pelo volume de capital necessário para adquiri-las.
E o interesse pela área não era segredo na região. Segundo produtores consultados pelo jornal argentino El Territorio, a Rincón Chico era considerada uma das propriedades mais atraentes do local, pelas dimensões e pelas possibilidades de exploração agropecuária.
O que é produzido dentro da fazenda
As atividades declaradas são três e convivem no mesmo terreno. A propriedade reúne criação de gado bovino, cultivo de arroz e produção de erva-mate, conforme descrito na reportagem.
Essa combinação não é aleatória para a região. Corrientes tem tradição na pecuária e no cultivo de arroz, cítricos, chá, tabaco e erva-mate, o que faz da localização um fator favorável às atividades.
Há ainda uma possibilidade que ficou registrada na época. A imprensa argentina mencionou o interesse em investimentos em criação intensiva de bovinos, modalidade que concentra mais animais em menos espaço.
Os números que ninguém divulgou
Aqui entra o limite do que se sabe de fato. Não foram divulgados publicamente números atualizados sobre rebanho, produção anual ou faturamento da propriedade.
Isso significa que a área é conhecida, mas o desempenho não. Sabe-se o tamanho do terreno e o tipo de atividade, mas não quantas cabeças de gado existem nem quantas toneladas de arroz saem por safra.
É uma lacuna comum em negócios privados desse porte. Empresas rurais de capital fechado não têm obrigação de publicar balanços, o que mantém os resultados fora do alcance público.
O valor de 2015 e o que ele significa hoje
O preço citado é o da época da negociação. A aquisição dos 6.800 hectares foi estimada em aproximadamente US$ 20 milhões quando o caso veio à tona, em 2015.
A conversão para reais depende do câmbio do momento. A cifra de R$ 103 milhões corresponde à conversão apresentada pela reportagem, e não a um valor atualizado de mercado da propriedade.
Vale lembrar que o cálculo por hectare é simples. Vinte milhões de dólares divididos por 6.800 hectares dão cerca de US$ 2,9 mil por hectare, referência da negociação daquele ano.
Uma história de 2015, não de agora
Compra foi noticiada na Argentina em maio de 2015, ou seja, há mais de uma década, e não se trata de uma aquisição recente.
O que muda ao longo dos anos é o interesse pelo assunto. A pauta volta a circular sempre que o jogador aparece em destaque, ainda que os dados sobre a fazenda continuem sendo os mesmos de quando o caso foi noticiado.
Por isso a cautela com a linguagem é necessária. Nada indica que tenha havido mudança de propriedade, ampliação de área ou encerramento das atividades desde então, mas também não há atualização pública que confirme a situação atual.
A erva-mate e uma coincidência curiosa
Um dos produtos da fazenda tem ligação direta com a imagem do jogador. A erva-mate é insumo do mate, bebida presente na rotina de atletas argentinos e frequentemente associada à seleção do país.
A planta é típica justamente daquela faixa do continente. A produção se concentra no nordeste argentino, no Paraguai e no sul do Brasil, região que inclui a área onde fica a propriedade.
A conexão, porém, é de contexto, e não de negócio declarado. Não há informação divulgada de que a produção da estância seja destinada a qualquer marca ligada ao jogador, e o registro é apenas uma coincidência entre o cultivo e a cultura esportiva do país.
Messi não é o único jogador no agronegócio
O caso se encaixa em um padrão mais amplo entre atletas. Gabriel Batistuta mantém propriedades rurais voltadas a grãos e criação de gado na Argentina, e Edinson Cavani investe em cavalos crioulos e produção de vinhos no Uruguai.
Na Europa, a preferência costuma ser por vinhedos. Andrea Pirlo é proprietário de uma vinícola de espumantes na Lombardia, na Itália, e Andrés Iniesta mantém uma vinícola familiar com cerca de 300 hectares de vinhedos na Espanha.
Há também casos fora do eixo tradicional. Cristiano Ronaldo está associado a um projeto de produção de cenouras e outros vegetais em Portugal, James Rodríguez lançou uma marca de cafés especiais na Colômbia e Sadio Mané apoia projetos agrícolas em sua cidade natal, no Senegal.
Por que tanto atleta compra terra
A lógica financeira por trás desse movimento é conhecida no setor. Terra é um ativo que não some com o fim da carreira, ao contrário de contratos e patrocínios, que têm prazo curto e dependem do desempenho em campo.
A janela de ganhos de um jogador é estreita. Um atleta de elite concentra a maior parte da renda em pouco mais de uma década, o que empurra parte do dinheiro para investimentos de prazo mais longo.
E o agronegócio oferece um tipo específico de retorno. Além da valorização do terreno, a operação gera receita corrente com produção, combinação que explica a presença recorrente de nomes do futebol nesse mercado.
O que o caso mostra sobre o patrimônio do craque
A estância revela uma face menos comentada dessa fortuna. Os investimentos associados à família Messi vão além de imóveis urbanos, contratos publicitários e negócios ligados ao futebol.
E a dimensão da propriedade é o que dá o impacto. Com 68 quilômetros quadrados, a fazenda transforma o patrimônio acumulado nos campos de futebol em uma operação de tamanho comparável ao de uma cidade inteira.
Ainda assim, a leitura precisa ser honesta com o que existe de informação. O que se sabe com segurança é a área, a localização, as atividades e o valor da época; o restante segue sem divulgação pública, e é assim que o caso deve ser lido.
E você, compraria terra ou deixaria o dinheiro no banco?
Uma fazenda de 68 quilômetros quadrados em Corrientes, com boi, arroz e erva-mate saindo do mesmo terreno, mostra que a fortuna construída com a bola no pé foi parar também no chão de terra batida do nordeste argentino. A propriedade é maior que Balneário Camboriú inteira, foi negociada por cerca de US$ 20 milhões em 2015 e segue sem números públicos de produção.
E você, se ganhasse muito dinheiro em pouco tempo, colocaria em terra ou em investimento financeiro? Acha que comprar fazenda ainda é o negócio mais seguro do mundo? Conte nos comentários a sua opinião e marque aquela pessoa que sempre sonhou em ter um pedaço de terra.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

