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Moradores escavam casas dentro das colinas na Espanha e criam um bairro subterrâneo com cerca de 2 mil residências, internet, eletrodomésticos e temperatura próxima de 20 °C durante o ano
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 29/07/2026 às 21:30
Construção, Indústria
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Em Guadix, na província de Granada, cerca de 4,5 mil pessoas vivem em casas caverna que aproveitam a proteção da terra, mantêm ambientes modernos e ficam próximas de 20 °C durante o ano, mesmo quando o verão supera 40 °C e o inverno pode chegar a 0 °C.
Chaminés brancas parecem brotar do chão em Guadix, no sul da Espanha, mas elas revelam algo muito maior sob a paisagem: um bairro subterrâneo com cerca de 2 mil casas caverna, onde vivem aproximadamente 4,5 mil pessoas. A apuração foi publicada em 23 de agosto de 2012 por El País, jornal espanhol com cobertura nacional e internacional.
Atrás das fachadas claras existem quartos, cozinhas, máquinas de lavar louça, acesso à internet e outros recursos comuns em uma residência moderna. O interior permanece próximo de 20 °C durante o ano, mesmo quando a temperatura externa ultrapassa 40 °C no verão.
A terra ao redor dos cômodos funciona como uma camada de proteção contra mudanças rápidas no clima. Ela não produz frio como um aparelho e não elimina cuidados com ventilação e conservação, mas ajuda a criar conforto térmico natural dentro das casas.
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O bairro subterrâneo quase desaparece entre as colinas
De longe, o bairro das cavernas pode parecer formado apenas por morros secos, fachadas brancas e chaminés espalhadas pelo terreno. A maior parte das residências permanece escondida, pois paredes e tetos foram abertos dentro das colinas.
As fachadas marcam as entradas e recebem portas e janelas. Logo depois começam os cômodos escavados, ligados uns aos outros e organizados para atender à rotina das famílias.
Essa forma de arquitetura subterrânea reduz o volume visível das construções. Por isso, uma área ocupada por milhares de moradores pode parecer quase vazia quando observada à distância.
Como a terra mantém as casas próximas de 20 °C
O segredo está na grande quantidade de terra que envolve cada residência. Esse material recebe calor e libera essa energia lentamente, o que reduz as mudanças bruscas dentro dos ambientes.
Esse efeito recebe o nome de massa térmica. Em palavras simples, significa que a terra demora mais para esquentar e também demora mais para perder o calor acumulado.
Durante o verão, a camada ao redor dos cômodos atrasa a entrada do calor intenso. No inverno, ela ajuda a evitar que o interior esfrie na mesma velocidade do lado de fora. O resultado é uma temperatura interna próxima de 20 °C durante o ano.
El País, jornal espanhol com cobertura nacional e internacional, registrou que o exterior pode superar 40 °C no verão e cair até 0 °C no inverno, enquanto as casas permanecem próximas de 20 °C.
Casas caverna têm internet, eletrodomésticos e vida moderna
Morar dentro de uma colina não significa abrir mão de conforto ou tecnologia. As casas de Guadix possuem quartos, cozinhas, eletrodomésticos e internet, além de móveis e instalações usadas no cotidiano.
Algumas residências também contam com máquinas de lavar louça e banheiras de hidromassagem. Esses elementos desfazem a imagem de que uma casa caverna seria apenas um abrigo simples ou uma habitação parada no passado.
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A principal diferença está na estrutura que cerca os ambientes. Em vez de deixar todas as paredes expostas ao sol, ao vento e ao frio, a construção usa a própria terra como parte da proteção.
Ainda assim, conforto térmico não significa ausência de manutenção. Ventilação, conservação das superfícies e adaptação dos espaços continuam importantes para manter uma residência segura e agradável.
Uma tradição antiga também virou hospedagem na Espanha
As cavernas são usadas como moradia na região há muito tempo, e Guadix desenvolveu um bairro completo dentro das colinas. O lugar não funciona apenas como atração turística, pois continua sendo a casa de aproximadamente 4,5 mil moradores.
Parte das cavernas foi adaptada para receber visitantes. Essa mudança transformou a arquitetura local em uma experiência de hospedagem, sem apagar a presença das famílias que vivem no bairro.
A combinação entre moradia e turismo ampliou o interesse pela paisagem e pela técnica de construção. Ao mesmo tempo, o bairro preserva sua função cotidiana, com pessoas que cozinham, trabalham, descansam e usam internet dentro das colinas.
Essa permanência mostra que uma solução antiga pode conviver com recursos modernos quando recebe conservação e adaptações adequadas.
O que as casas caverna podem ensinar às regiões quentes do Brasil
Guadix enfrenta verões secos e muito quentes. Algumas regiões semiáridas brasileiras também convivem com calor forte, o que torna útil observar soluções que reduzem a entrada rápida de calor nas residências.
Isso não significa que o bairro espanhol possa ser copiado diretamente no Brasil. Solo, rocha, umidade e chuvas variam entre os locais, e uma construção escavada depende da estabilidade e das características do terreno.
O aprendizado mais importante está na chamada arquitetura passiva, que usa o formato da construção, os materiais e a posição dos ambientes para melhorar o conforto. A ideia é reduzir o impacto do clima antes de depender apenas de equipamentos elétricos.
No Brasil, essa lógica pode inspirar projetos pensados para cada região, com proteção contra o sol e materiais adequados ao clima local. A solução precisa respeitar a geologia e as condições de cada terreno, sem copiar uma técnica fora de seu contexto.
As cerca de 2 mil casas caverna de Guadix mostram como a própria paisagem pode fazer parte da residência. Sob colinas que parecem quase vazias, aproximadamente 4,5 mil pessoas vivem com internet, eletrodomésticos e ambientes próximos de 20 °C durante o ano.
O bairro subterrâneo também deixa uma lição simples: uma construção antiga não precisa ser tratada como primitiva. Quando a técnica respeita o terreno e recebe cuidados, ela pode continuar útil diante do calor e do frio.
Você moraria dentro de uma colina para ter temperatura mais estável, ou sentiria falta de uma casa totalmente aberta para o lado de fora? Conte sua opinião e compartilhe o post.
Fonte
El País
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

