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Parece Marte, mas o deserto de Tabernas existe e fica na Espanha: deserto europeu que já foi cenário de filmes de faroeste também é usado para testar robôs espaciais, graças às condições extremas que reproduzem desafios encontrados no planeta vermelho
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 28/07/2026 às 14:33
Atualizado em 28/07/2026 às 14:34
Ciência e Tecnologia
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Deserto de Tabernas, na Espanha, reúne calor extremo, cânions semelhantes aos de Marte e testes de equipamentos destinados à exploração espacial.
No sul da Espanha, uma área cercada por montanhas reúne características que fizeram o local passar dos filmes de faroeste para as pesquisas sobre outros planetas. O deserto de Tabernas, situado na província de Almería, possui relevo erodido, vegetação limitada e extensões cobertas por poeira que lembram imagens enviadas por sondas em Marte.
Considerado o único deserto propriamente dito da Europa, o território já recebeu atividades da Agência Espacial Europeia e de universidades interessadas em reproduzir dificuldades que poderão surgir fora da Terra. Veículos exploradores, trajes e experimentos com microrganismos estão entre as tecnologias e estudos levados para a região.
Deserto de Tabernas possui um microclima extremo
A área ocupa aproximadamente 280 quilômetros quadrados e enfrenta temperaturas superiores a 40 °C durante determinados dias do verão espanhol. A forte incidência solar se combina com índices reduzidos de chuva, entre 100 e 150 ao ano.
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A escassez de precipitação está ligada à posição geográfica do deserto. As cadeias de Filabres, Alhamilla e Nevada formam uma barreira ao redor da região e dificultam a chegada da umidade transportada a partir do Atlântico.
Esse isolamento contribuiu para a formação de condições semiáridas. Animais, plantas e outros organismos encontrados no local precisam suportar calor intenso, baixa disponibilidade de água e longos períodos de exposição ao Sol.
Erosão criou paisagem semelhante à superfície de Marte
O solo do deserto de Tabernas é vulnerável ao desgaste provocado pelo vento e pela água. Ao longo do tempo, esse processo produziu ravinas, desfiladeiros, canais e paredões que lembram formações fotografadas no planeta vermelho.
A irregularidade do terreno oferece um desafio útil para equipamentos espaciais. Um veículo enviado a Marte precisa avançar sobre superfícies instáveis, evitar obstáculos, selecionar rotas e trabalhar sem assistência humana direta.
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Por essa razão, o ambiente espanhol permite observar como rodas, sistemas de navegação e instrumentos científicos respondem fora de uma pista preparada. Problemas identificados durante os testes podem ser corrigidos antes do lançamento de uma missão real.
Deserto de Tabernas recebeu o robô Rosalind Franklin
Um dos principais equipamentos avaliados na região foi o rover Rosalind Franklin, desenvolvido para uma missão da Agência Espacial Europeia prevista para 2028. Os testes procuraram reproduzir não somente o deslocamento, mas também as limitações de comunicação encontradas entre a Terra e Marte.
As equipes precisaram enviar comandos e aguardar respostas com atraso, evitando controlar o robô como se ele estivesse a poucos metros de distância. Essa dinâmica aproximou o exercício das condições que os cientistas enfrentarão quando o veículo estiver no outro planeta.
Durante os trabalhos, os pesquisadores acompanharam três operações importantes:
- movimentação sobre terrenos irregulares;
- perfuração e retirada de materiais;
- análise das amostras dentro do próprio rover.
O treinamento também permitiu observar o desempenho dos sistemas enquanto o equipamento realizava várias tarefas consecutivas.
Robô buscará amostras protegidas da radiação
Depois de chegar a Marte, o Rosalind Franklin deverá perfurar até dois metros abaixo da superfície. A profundidade foi escolhida porque materiais subterrâneos podem permanecer mais protegidos da radiação que atinge as camadas externas do planeta.
As amostras serão examinadas por instrumentos instalados no próprio veículo. Os dados obtidos deverão ser enviados aos pesquisadores, que trabalharão com o intervalo natural de comunicação entre os dois planetas.
O objetivo é procurar evidências que ajudem a investigar a possível existência de vida microbiana atual ou passada. O deserto de Tabernas funciona, nesse contexto, como uma preparação técnica, e não como uma cópia perfeita de Marte.
Outras regiões, como o Atacama, também são utilizadas em pesquisas semelhantes. O local espanhol se destaca pela combinação de terreno seco, coloração, poeira, pouca vegetação e formações geológicas variadas dentro de uma área acessível às equipes.
Experimentos também investigam formas de vida resistentes
Além dos testes com máquinas, cientistas utilizam ambientes extremos para compreender como microrganismos suportam calor e falta de água. Essas pesquisas ajudam a definir quais sinais devem ser procurados em regiões consideradas hostis.
A presença de organismos adaptados à secura terrestre mostra que a vida pode desenvolver estratégias para permanecer em condições severas. Isso não confirma a existência de seres vivos em Marte, mas amplia as possibilidades analisadas pelos pesquisadores.
Os testes realizados em Almería integram uma investigação maior sobre exploração planetária. Antes de enviar um equipamento para milhões de quilômetros de distância, as equipes precisam antecipar falhas e compreender como os instrumentos reagem a poeira, desníveis e variações do terreno.
Deserto de Tabernas também ficou famoso no cinema
Décadas antes de receber projetos espaciais, a paisagem da região já chamava atenção de diretores. Durante os anos 1960 e 1970, diferentes produções utilizaram o deserto para representar regiões áridas e cidades do Velho Oeste.
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Entre os filmes gravados no local estão Por um Punhado de Dólares, lançado em 1964, e Três Homens em Conflito, de 1966. As formas naturais do terreno permitiam criar cenários convincentes sem que as equipes precisassem filmar no continente americano.
Parte das estruturas construídas para as gravações foi preservada e convertida em atrações turísticas. O Oasys MiniHollywood é um dos espaços onde visitantes podem conhecer ambientes inspirados nos antigos faroestes.
Com informações da Revista Galileu
Fonte
Revista Galileu
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

