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Santa Catarina questionou no TCU a concessão que definirá o futuro da Malha Sul: o governo afirma não ter recebido os documentos usados na modelagem, critica a divisão da rede em três lotes e alerta que quase 3 mil quilômetros de ferrovias ficaram sem destino claro no novo projeto ferroviário
Escrito por Carla Teles
Publicado em 30/07/2026 às 04:27
Economia
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A Malha Sul entrou no centro de uma disputa entre Santa Catarina e o governo federal, após o Estado recorrer ao TCU, cobrar estudos da concessão, contestar a divisão em três lotes e pedir explicações sobre quase 3 mil quilômetros de ferrovias excluídos da modelagem proposta para a região Sul.
O governo de Santa Catarina apresentou uma representação ao Tribunal de Contas da União para questionar a futura concessão da Malha Sul, rede ferroviária que inclui trechos catarinenses. O processo envolve o Ministério dos Transportes, a ANTT e a Infra S.A., responsáveis por fornecer informações sobre a modelagem em discussão.
As informações foram publicadas pelo NSC Total em 29 de julho de 2026. Depois da representação catarinense, o TCU estabeleceu prazo para que os órgãos federais expliquem a elaboração do projeto, o acesso dos estados aos documentos e o destino de quase 3 mil quilômetros de ferrovias não incluídos nos lotes propostos.
TCU cobra documentos usados na concessão
O Tribunal de Contas da União solicitou estudos, relatórios, diagnósticos, análises de viabilidade e outros documentos utilizados na preparação da concessão da Malha Sul. O objetivo é verificar quais informações sustentaram as escolhas apresentadas durante a audiência pública.
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Santa Catarina afirma não ter recebido esse material, embora seja diretamente afetada pela reorganização ferroviária. Sem acesso aos documentos técnicos, o Estado sustenta que não consegue avaliar plenamente os impactos econômicos, logísticos e territoriais do projeto.
Governo catarinense questiona falta de participação
A representação também afirma que Santa Catarina e os demais estados integrantes do Codesul não participaram adequadamente da elaboração da concessão. O grupo reúne unidades da Região Sul interessadas no futuro da rede ferroviária.
O TCU quer saber quais medidas foram tomadas para garantir essa participação e como os órgãos federais responderam às manifestações encaminhadas pelos estados. A discussão envolve não apenas transparência, mas a influência regional sobre decisões capazes de afetar portos, indústrias e corredores de carga.
Divisão em três lotes gera resistência
A nova proposta prevê o fracionamento da Malha Sul em três lotes distintos. O governo catarinense não concorda com esse modelo e aponta possíveis dificuldades para manter a integração entre os diferentes trechos da rede.
Outra preocupação é que alguns lotes possam despertar menos interesse econômico do que outros. Caso uma parte seja concedida e outra permaneça sem operador, a fragmentação poderá reduzir a continuidade do transporte ferroviário entre regiões.
Quase 3 mil quilômetros ficaram fora do desenho
O tribunal também pediu explicações sobre quase 3 mil quilômetros de linhas ferroviárias que não foram incluídos nos três lotes previstos. A fonte não detalha quais trechos compõem integralmente essa extensão.
A ausência de um destino claro para essas ferrovias é um dos pontos centrais da representação. Santa Catarina quer saber se haverá manutenção, desativação, reaproveitamento, devolução ou algum novo processo para as linhas excluídas.
Estado teme perda de integração ferroviária
Uma rede ferroviária depende da conexão entre origens de carga, centros industriais, terminais e portos. Quando diferentes partes ficam submetidas a contratos ou operadores separados, a coordenação pode se tornar mais complexa.
O governo estadual argumenta que o fatiamento da Malha Sul pode dificultar essa integração. O risco apontado é que decisões individuais sobre cada lote comprometam a eficiência do sistema regional como conjunto.
Ferrovias catarinenses atendem áreas portuárias
Em Santa Catarina, a ferrovia em operação liga Mafra a São Francisco do Sul. O trecho participa do transporte de cargas destinadas ao complexo portuário localizado no Norte do estado.
Cerca de metade dos grãos exportados pelo Porto de São Francisco do Sul chega por trem, segundo a fonte. Esse vínculo mostra por que qualquer mudança na concessão pode repercutir diretamente na logística de exportação catarinense.
Joinville convive com trens dentro da área urbana
A ferrovia atravessa áreas urbanizadas de Joinville e cruza vias importantes da cidade. Os trens transportam cargas em direção aos portos de São Francisco do Sul, mantendo uma operação relevante para a economia regional.
Ao mesmo tempo, a passagem pela área urbana provoca debates sobre mobilidade, segurança e interferência no trânsito. O futuro da Malha Sul também se relaciona a projetos capazes de retirar parte dessa circulação das regiões mais densamente ocupadas.
Contorno ferroviário permanece paralisado
O contorno ferroviário de Joinville foi planejado para retirar os trens de carga do perímetro urbano. As obras, porém, estão paralisadas desde 2011 e ainda não possuem uma data estimada para retomada.
A indefinição da concessão acrescenta outra variável ao projeto. Sem clareza sobre operador, investimentos e responsabilidade pelos trechos, intervenções ferroviárias de longo prazo podem permanecer sem avanço.
Santa Catarina tentou suspender audiência pública
O governo catarinense pediu ao TCU a suspensão da audiência pública relacionada à concessão. O tribunal deverá analisar essa solicitação depois de receber as manifestações dos órgãos envolvidos.
Antes disso, o Estado também tentou interromper os eventos por meio de uma ação na Justiça Federal. A liminar foi negada, e as sessões presenciais continuaram nas três capitais da Região Sul.
Audiência ainda poderá receber contribuições
As reuniões presenciais integram uma etapa de discussão pública sobre a futura Malha Sul. Após os encontros, o processo de audiência deverá permanecer aberto por mais algum tempo para novas manifestações.
A representação catarinense busca garantir que o debate não avance sem a apresentação completa dos documentos. O Estado considera que a participação pública precisa ocorrer com acesso às premissas técnicas usadas na modelagem.
Ministério, ANTT e Infra S.A. devem responder
O Ministério dos Transportes, a Agência Nacional de Transportes Terrestres e a Infra S.A. foram chamados a fornecer informações ao TCU. Cada órgão possui atribuições relacionadas ao planejamento, à regulação ou aos estudos ferroviários.
As respostas deverão esclarecer como a modelagem foi preparada, por que determinados documentos não chegaram aos estados e quais critérios levaram à divisão da rede. O material poderá influenciar a análise do tribunal sobre o pedido apresentado por Santa Catarina.
Concessão definirá investimentos e obrigações
O desenho final da concessão deverá estabelecer quais trechos serão operados, quais investimentos serão exigidos e como ocorrerá a manutenção da infraestrutura. Também precisará definir responsabilidades entre governo e futuros concessionários.
Esses pontos são decisivos porque ferrovias exigem planejamento de longo prazo. Trilhos, pontes, terminais, sinalização e material rodante dependem de contratos capazes de oferecer previsibilidade econômica e operacional.
Trechos menos atrativos podem enfrentar incerteza
Uma das críticas ao modelo em lotes é a possibilidade de alguns segmentos apresentarem menor retorno financeiro. Linhas com pouco volume de carga ou necessidade elevada de investimentos podem receber menos propostas.
Caso isso aconteça, parte da Malha Sul poderá continuar sem solução definida. O desafio será evitar que somente os corredores mais rentáveis sejam priorizados enquanto outros trechos perdem manutenção ou capacidade de operação.
Decisão afeta mais que o transporte ferroviário
A concessão tem impacto sobre portos, produtores rurais, empresas industriais, municípios e trabalhadores ligados à cadeia logística. Alterações na rede podem mudar custos de transporte e rotas utilizadas para o escoamento de mercadorias.
Uma ferrovia desintegrada ou com capacidade reduzida tende a aumentar a dependência das rodovias. Isso pode transferir mais cargas para caminhões, elevar a pressão sobre estradas e modificar a competitividade dos produtos movimentados na Região Sul.
Destino das linhas excluídas precisa ser explicado
Os quase 3 mil quilômetros fora dos lotes permanecem como uma das maiores dúvidas do processo. Mesmo trechos sem operação regular podem ter importância estratégica, patrimonial ou potencial para futuras utilizações.
O governo catarinense cobra uma definição antes que o novo modelo seja consolidado. Sem essa resposta, não é possível saber se a extensão excluída poderá ser reativada, transferida, abandonada ou destinada a outros projetos.
TCU poderá influenciar o avanço da modelagem
Após receber as explicações, o Tribunal de Contas da União deverá avaliar os argumentos e o pedido de suspensão. A atuação do órgão pode resultar em novas exigências de transparência, correções ou continuidade do processo.
A representação não significa automaticamente que a concessão será interrompida. O tribunal precisará verificar se houve falhas suficientes para justificar mudanças na audiência ou na modelagem da Malha Sul.
Futuro ferroviário permanece em disputa
O questionamento de Santa Catarina coloca em evidência a dificuldade de reorganizar uma rede extensa, integrada e marcada por trechos com diferentes níveis de utilização. O desafio envolve atrair investimentos sem romper conexões importantes para a logística regional.
Você acredita que a Malha Sul deve ser dividida em lotes para facilitar as concessões ou mantida como uma rede integrada, mesmo que isso torne o processo mais complexo? Conte nos comentários qual modelo parece mais seguro para o futuro das ferrovias do Sul.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

