5 min de leitura
São Paulo inaugurou em 2025 no Brás o primeiro ecoponto têxtil do país, aberto 24 horas e preparado para receber 300 toneladas de roupas, cobertores e retalhos por mês, transformando resíduos descartados irregularmente em combustível para fornos industriais e ajudando a reduzir enchentes e poluição
Escrito por Carla Teles
Publicado em 28/07/2026 às 17:06
Curiosidades
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
O ecoponto têxtil inaugurado em 2025 no Brás funciona 24 horas, aceita roupas, cobertores e retalhos e pode receber 300 toneladas mensais, encaminhando os resíduos para produção de combustível usado em fornos industriais enquanto reduz descarte irregular, entupimento de bueiros, riscos de enchentes e impactos ambientais na região central paulistana.
São Paulo inaugurou em 20 de outubro de 2025 o primeiro ecoponto têxtil da cidade, instalado no Brás e aberto gratuitamente durante 24 horas. A unidade foi preparada para receber até 300 toneladas de roupas, cobertores, retalhos e outros resíduos têxteis por mês.
As informações foram publicadas pela Prefeitura de São Paulo em 20 de outubro de 2025. Segundo a administração municipal, o material recolhido é encaminhado para tratamento e pode ser transformado em combustível derivado de resíduos destinado a fornos industriais.
Primeiro ecoponto têxtil foi instalado no Brás
O ecoponto têxtil foi criado em uma das regiões de maior concentração de indústrias, confecções e lojas de moda da capital paulista. O Brás reúne mais de 6 mil estabelecimentos ligados ao setor e recebe até 200 mil pessoas diariamente.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A intensa circulação de mercadorias e consumidores também produz grandes volumes de restos de tecido. Antes da implantação do serviço, parte desse material era abandonada em calçadas, ruas e sarjetas, exigindo operações frequentes de limpeza urbana.
Unidade funciona gratuitamente durante 24 horas
O espaço foi projetado para permanecer aberto todos os dias, sem interrupção de horário. A proposta é permitir que moradores, comerciantes e empresas entreguem os resíduos no momento mais adequado às rotinas de produção e funcionamento das lojas.
O atendimento gratuito busca facilitar a destinação correta e retirar uma justificativa frequentemente associada ao abandono de retalhos nas vias públicas. Com um local permanente de recebimento, o descarte pode ocorrer sem depender dos horários convencionais de coleta.
Capacidade alcança 300 toneladas por mês
A capacidade mensal do ecoponto têxtil foi definida em 300 toneladas, volume semelhante ao que era recolhido irregularmente nas ruas da região. A estrutura aceita roupas, cobertores, retalhos e outros materiais produzidos pelas atividades de confecção e comércio.
O investimento informado pela Prefeitura foi de R$ 373 mil. A unidade foi instalada para absorver uma parcela relevante dos resíduos gerados no polo têxtil, mas seu funcionamento depende da adesão dos comerciantes, moradores e demais responsáveis pelo descarte.
Retalhos abandonados podiam chegar aos bueiros
Tecidos descartados nas ruas podem ser levados pela chuva até bocas de lobo e sistemas de drenagem. Diferentemente de resíduos que se desfazem rapidamente, roupas e retalhos podem formar barreiras capazes de dificultar a passagem da água.
Esse processo aumenta a pressão sobre a infraestrutura urbana em períodos de chuva intensa. A retirada dos tecidos das vias pode contribuir para diminuir obstruções, acúmulos de água e transtornos relacionados a enchentes na região.
Resíduos são transformados em combustível industrial
Depois de entregues ao ecoponto têxtil, os materiais seguem para tratamento e transformação em CDR, sigla para combustível derivado de resíduos. Esse produto pode alimentar fornos industriais utilizados na fabricação de cimento, cal ou no processamento de biomassa.
O aproveitamento energético oferece uma destinação diferente do abandono em vias públicas ou do envio direto para aterros. Segundo a Prefeitura, o CDR pode substituir parte de combustíveis fósseis e minerais utilizados nesses processos industriais.
Combustível não significa reutilização das roupas
A transformação em combustível ocorre depois que os resíduos passam por preparação e processamento. Isso significa que as peças não retornam necessariamente ao mercado como roupas, tecidos ou novos produtos têxteis.
Em vez disso, o valor energético dos materiais é aproveitado em instalações industriais. A medida atende principalmente aos resíduos que não encontram condições adequadas para reutilização direta, doação ou reaproveitamento em outras atividades.
Destinação correta também melhora a circulação
Pilhas de retalhos e sacos de descarte ocupavam calçadas e partes das ruas do Brás, prejudicando a passagem de pedestres, trabalhadores e veículos. O problema se tornava mais visível em áreas com grande concentração de oficinas e pequenos negócios de confecção.
Com o ecoponto têxtil, a administração municipal pretende reduzir esses pontos de descarte e melhorar as condições de circulação. A remoção dos resíduos também pode diminuir locais que favorecem a presença de insetos e outros animais indesejados.
Brás movimenta receita bilionária por ano
A região recebe até 200 mil pessoas por dia e movimenta aproximadamente R$ 26 bilhões por ano, conforme os dados divulgados pela Prefeitura. O volume de atividade ajuda a explicar por que o descarte de tecidos se tornou um problema recorrente.
A implantação do serviço também atende a uma demanda antiga dos comerciantes locais. Quanto maior a produção e a venda de roupas, maior tende a ser a necessidade de uma estrutura especializada para receber sobras, cortes e peças sem aproveitamento.
Unidade recebe somente resíduos têxteis
O espaço do Brás não foi criado para receber entulho, móveis, vidro ou outros tipos de descarte. A especialização permite direcionar a estrutura e o tratamento exclusivamente para roupas, cobertores, tecidos e retalhos.
Materiais de outras categorias devem ser levados aos ecopontos convencionais distribuídos pela cidade. São Paulo possuía 129 dessas unidades, que haviam recebido mais de 315 mil toneladas de resíduos no ano anterior à inauguração do novo serviço.
Endereço fica na região do Catumbi
O ecoponto têxtil está localizado na Rua Cachoeira, número 958, no Catumbi, área próxima ao polo comercial do Brás. A localização foi escolhida para facilitar o acesso de empresas, trabalhadores e moradores da região.
O funcionamento contínuo também amplia a possibilidade de entrega fora dos períodos de maior movimento. Ainda assim, o resultado da iniciativa depende de os resíduos chegarem ao endereço correto em vez de continuarem sendo colocados nas ruas.
Novo serviço tenta interromper um problema antigo
A criação da unidade oferece uma alternativa concreta para um bairro que convivia com descarte irregular, bueiros obstruídos, sujeira nas calçadas e dificuldades de circulação. Ao transformar parte dos tecidos em combustível industrial, o projeto também procura reduzir o desperdício de materiais.
A existência do ponto de entrega, porém, não elimina automaticamente o problema. Você acredita que um ecoponto aberto 24 horas será suficiente para mudar os hábitos de comerciantes e moradores do Brás? Conte nos comentários quais outras medidas poderiam ajudar a reduzir o descarte irregular de tecidos em São Paulo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

