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Sem exigir que crianças viajassem até uma biblioteca distante, Quênia levou caixas de livros em camelos, montou pontos de leitura no caminho e alcançou comunidades num raio de 15 a 20 quilômetros
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 28/07/2026 às 20:27
Curiosidades
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Criada em Garissa em 14 de outubro de 1996, a biblioteca móvel com camelos do Quênia transportava caixas de livros, tenda, esteiras, mesa e cadeiras até escolas, refugiados e comunidades distantes. Cada parada virava um ponto de leitura dentro de um raio de 15 a 20 quilômetros, até que a melhora das estradas levou à troca dos animais por motocicletas.
Em vez de obrigar crianças e adultos a percorrer longas distâncias, o Quênia colocou caixas de livros sobre camelos e levou a biblioteca até comunidades afastadas. Nas paradas, os animais ajoelhavam enquanto a equipe montava espaços temporários de leitura.
A Kenya National Library Service, órgão público responsável pelo serviço nacional de bibliotecas, iniciou a operação em Garissa em 14 de outubro de 1996. As rotas atendiam locais dentro de um raio aproximado de 15 a 20 quilômetros da unidade.
O modelo chegou mais tarde a Wajir e alcançou crianças, adultos em formação, aposentados, refugiados e pessoas envolvidas em iniciativas comunitárias. Anos depois, a melhora das estradas levou ao fim das caravanas e à substituição dos camelos por motocicletas.
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Por que camelos foram escolhidos para levar os livros
O camelo era um meio de transporte aceito e valorizado pelas comunidades nômades da região. O animal também estava adaptado ao terreno semiárido e conseguia atravessar caminhos difíceis para veículos.
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Essa combinação permitia seguir por áreas onde uma biblioteca convencional ficava distante de parte dos moradores. Em vez de esperar pela construção de novos prédios ou estradas, o serviço público seguia até os leitores.
A escolha não foi feita apenas pela aparência curiosa das caravanas. Ela nasceu da relação entre território, mobilidade e educação, usando um transporte conhecido pelas comunidades atendidas.
Três camelos carregavam livros, abrigo e uma reserva para imprevistos
Cada caravana reunia três camelos. Um deles transportava duas caixas com 200 livros em cada uma, totalizando 400 livros disponíveis para o atendimento.
Outro camelo carregava uma tenda, uma esteira para leitura, duas cadeiras e uma mesa. O terceiro animal seguia como reserva para assumir a carga caso algum dos demais apresentasse dificuldades.
Ao chegar ao ponto programado, a equipe retirava os materiais, montava a tenda e colocava os livros sobre a esteira. O local passava a funcionar como uma biblioteca temporária, com espaço para leitura, consulta e outros serviços básicos.
No fim do atendimento, os materiais eram novamente colocados sobre os animais. A caravana retornava à biblioteca para preparar o próximo percurso.
A rota começou em Garissa e depois chegou a Wajir
A primeira operação saiu da unidade de Garissa em 14 de outubro de 1996. O atendimento cobria pontos localizados dentro de um raio aproximado de 15 a 20 quilômetros.
Após a experiência em Garissa, o serviço foi levado a Wajir e começou a funcionar na nova área em 13 de abril de 1999. A expansão manteve a mesma ideia de levar livros até comunidades afastadas.
O projeto operou com três caravanas de camelos. Duas atendiam Garissa, enquanto outra percorria as rotas de Wajir.
Garissa e Wajir ficam no nordeste do Quênia. O serviço respondia a uma dificuldade geográfica concreta, pois as distâncias e as condições dos caminhos reduziam o acesso de parte da população às bibliotecas fixas.
Crianças, refugiados e adultos recebiam os livros
As crianças em idade escolar formavam grande parte do público. A biblioteca também atendia adultos em formação, aposentados, refugiados e participantes de iniciativas comunitárias.
Nas escolas, as caixas colocavam centenas de livros ao alcance dos estudantes. Eles não precisavam viajar até Garissa ou Wajir apenas para consultar ou retirar uma obra.
Para os demais usuários, cada parada criava um ponto próximo de acesso à leitura. O impacto prático estava em reduzir a distância entre os livros e os leitores, sem exigir uma biblioteca permanente em cada comunidade.
Temperaturas elevadas e manutenção dos animais aumentaram os custos
O funcionamento das caravanas exigia deslocamentos cansativos sob temperaturas muito elevadas. A equipe precisava transportar, montar, desmontar e recolher toda a estrutura em cada rota.
A saúde dos camelos também afetava o calendário. Quando um animal não estava em boas condições, o atendimento programado poderia ser interrompido, mesmo com a presença de um camelo reserva.
A Kenya National Library Service, instituição queniana responsável por serviços públicos de biblioteca, descontinuou as caravanas após a melhora da rede de estradas. O transporte dos materiais passou a ser feito por motocicletas.
Mais moradores também conseguiram viajar até a biblioteca de Garissa. As escolas passaram a utilizar uma modalidade institucional que permitia retirar aproximadamente 200 livros para seus alunos.
Bibliotecas móveis adaptam o transporte às condições do território
A lógica utilizada no Quênia aparece em diferentes formas pelo mundo. Barcos biblioteca podem seguir os rios da Amazônia brasileira, enquanto ônibus biblioteca atendem comunidades alcançadas por estradas.
O transporte muda, mas a finalidade permanece semelhante. Camelos, motocicletas, barcos e ônibus podem aproximar livros e serviços de leitura de pessoas distantes das bibliotecas convencionais.
A experiência iniciada em 1996 mostrou que uma biblioteca não precisa permanecer presa a um prédio. Quando o território mudou e as estradas melhoraram, outro transporte assumiu a mesma tarefa.
Se sua cidade tivesse comunidades isoladas, qual transporte seria mais eficiente para levar livros até elas? Conte sua ideia e compartilhe a publicação.
Fonte
KNLS
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

