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Antes mesmo de sentir o impacto total da tarifa dos Estados Unidos, a indústria brasileira do arroz já enfrenta exportações suspensas para Cuba, estoques parados, preços abaixo do custo de produção e um cenário que preocupa empresas de todo o setor
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 05/08/2026 às 14:51
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Empresas do setor acumulam embarques cancelados, convivem com margens apertadas e acompanham a incerteza criada pelas tensões comerciais, enquanto o mercado interno segue pressionando a rentabilidade da cadeia orizícola.
A indústria brasileira do arroz já registra dificuldades antes mesmo de absorver integralmente os efeitos da tarifa de 37,5% imposta pelos Estados Unidos sobre as exportações. Além da nova barreira comercial, empresas convivem com embarques suspensos para Cuba, estoques acumulados e preços que permanecem abaixo do custo de produção.
Segundo empresários ouvidos pela CNN Brasil, o ambiente de instabilidade dificulta o planejamento das indústrias em um momento considerado delicado para o setor. Ao mesmo tempo, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) alerta para os impactos econômicos da medida e defende uma solução negociada entre Brasil e Estados Unidos.
Tarifa dos Estados Unidos amplia as incertezas para as exportações brasileiras
De acordo com estimativa divulgada pela Abiarroz, a tarifa de 37,5%, anunciada em 2025, poderá provocar perdas de até US$ 25 milhões por ano para a indústria brasileira.
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Segundo a entidade, os Estados Unidos representam cerca de 19% do valor exportado de arroz branco brasileiro, produto de maior valor agregado e considerado estratégico para o setor.
Por isso, a associação afirma que uma negociação entre os dois países poderá reduzir os impactos sobre as exportações e preservar a competitividade da indústria nacional.
Exportações suspensas para Cuba deixam centenas de contêineres parados
Além das dificuldades relacionadas ao mercado americano, empresas também enfrentam problemas provocados pelo endurecimento das sanções dos Estados Unidos contra Cuba.
Segundo Adalberto Pegorer, sócio-diretor da São João Alimentos, entre 130 e 140 contêineres preparados para exportação permaneceram sem embarque após compradores espanhóis cancelarem os pedidos.
Como o produto foi desenvolvido especificamente para o mercado cubano, ele não pode ser direcionado imediatamente ao varejo brasileiro.
Dessa forma, as embalagens precisarão ser abertas e o arroz será reprocessado para atender ao padrão nacional. Com isso, parte dos custos com embalagens, mão de obra e operações industriais será perdida.
Além disso, o empresário alerta que, após aproximadamente quatro meses de armazenamento, especialmente em períodos de calor e umidade, a qualidade do produto poderá ser comprometida, aumentando ainda mais os prejuízos.
Mercado interno continua pressionando preços e reduzindo as margens da indústria
Embora as exportações para os Estados Unidos representem uma parcela pequena das vendas da empresa, Adalberto Pegorer afirma que a tarifa praticamente inviabiliza novos negócios naquele mercado.
Segundo ele, tradicionalmente entre 8% e 12% da produção é destinada às exportações. Entretanto, fatores como câmbio, frete internacional e conflitos geopolíticos tornam esse segmento cada vez mais imprevisível.
Na Guacira Alimentos, o cenário também é acompanhado com cautela.
Conforme explica o diretor Antônio Pegorer, conhecido como Toninho, a maior preocupação permanece sendo a baixa rentabilidade do mercado interno.
No fim de 2024, a saca de arroz chegou a aproximadamente R$ 127. Posteriormente, o preço recuou para cerca de R$ 50 e, atualmente, gira em torno de R$ 70, valor que, segundo o empresário, ainda não cobre os custos de produção.
Além disso, ele afirma que continua sendo difícil repassar reajustes ao varejo, o que mantém as margens sob forte pressão.
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Caio Aviz
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Diversificação do portfólio e expectativa por uma safra menor fazem parte da estratégia do setor
Diante desse cenário, a Guacira Alimentos ampliou o portfólio e passou a comercializar também açúcar, azeite, goiabada e outros produtos. Segundo Toninho, itens de maior valor agregado sofrem menor pressão nas negociações e ajudam a preservar a rentabilidade.
Ao mesmo tempo, empresários destacam que o fortalecimento das grandes redes supermercadistas dificulta reajustes de preços e aumenta os custos logísticos, principalmente na Grande São Paulo, onde as restrições de circulação exigem entregas fracionadas.
Apesar das dificuldades, a expectativa é que a próxima safra seja menor em razão do crédito mais caro e do aumento dos custos de produção. Na avaliação dos empresários, uma oferta reduzida poderá contribuir para uma recuperação parcial dos preços pagos aos produtores.
E você, acredita que a indústria brasileira do arroz conseguirá superar os impactos das tensões comerciais e recuperar sua competitividade nos próximos meses? Compartilhe sua opinião nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

