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Aos 64 anos e fora do mercado de trabalho, engenheiro mecânico estudou oito horas por dia, enfrentou 90 dias longe dos estudos, ficou em primeiro no CNU e foi nomeado analista do IBGE com remuneração inicial prevista de R$ 8,4 mil
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 18/08/2026 às 19:21
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Engenheiro mecânico de 64 anos transformou uma rotina intensa de preparação em uma aprovação que recolocou sua trajetória profissional em movimento. Entre oito horas diárias de estudo, uma interrupção de 90 dias e a disputa do CNU, Marcus Freijanes alcançou o primeiro lugar para uma vaga no IBGE.
Aos 64 anos, o engenheiro mecânico Marcus Antônio Freijanes Maia transformou uma tentativa de voltar ao mercado de trabalho em uma aprovação no Concurso Público Nacional Unificado, depois de reorganizar a rotina e retomar uma preparação interrompida por questões particulares.
Natural de Niterói, no Rio de Janeiro, ele estudava quatro horas pela manhã e outras quatro à noite, ficou cerca de 90 dias sem conseguir manter os estudos e terminou em primeiro lugar para a especialidade de Engenharia Mecânica no IBGE.
Além da classificação, a trajetória avançou para a etapa formal de nomeação, quando Marcus passou a integrar a relação de candidatos chamados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística após buscar nos concursos uma alternativa às dificuldades de recolocação profissional.
Para o cargo disputado, o edital estabelecia remuneração inicial de R$ 8.453,00, valor formado pelo vencimento básico somado à gratificação de desempenho prevista para o ingresso, o que dimensionava de forma concreta a mudança profissional alcançada com a aprovação.
Dificuldade de recolocação levou Marcus Freijanes aos concursos
Em entrevista ao Estratégia Concursos, principal fonte desta reportagem, Marcus contou que se formou em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal Fluminense e concluiu pós-graduação em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas antes de voltar sua atenção para as seleções públicas.
Segundo seu relato, a percepção de que as oportunidades de contratação diminuíam à medida que a idade avançava pesou na decisão, sobretudo depois de participar de processos seletivos em que encontrou resistência ao informar quantos anos tinha.
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Foi nesse contexto que o serviço público passou a representar uma possibilidade concreta de reinserção profissional, levando o engenheiro, então sem trabalhar, a organizar uma rotina intensa de preparação voltada especificamente para as exigências do Concurso Público Nacional Unificado.
Durante os períodos de estudo, Marcus reservava quatro horas pela manhã, interrompia a sequência para academia e outros compromissos e retomava a preparação por mais quatro horas à noite, chegando a aproximadamente oito horas diárias dedicadas ao concurso.
Preparação para o CNU teve pausa de aproximadamente 90 dias
Apesar da disciplina, o cronograma não permaneceu contínuo do início ao fim, porque ele precisou deixar sua cidade por aproximadamente 90 dias para resolver questões particulares e, nesse intervalo, ficou sem conseguir manter a preparação para a prova.
Quando retornou, o calendário precisou ser reorganizado, comprimindo o conteúdo que ainda faltava revisar e exigindo uma retomada acelerada, já que parte significativa do período inicialmente disponível havia sido consumida pela interrupção de três meses.
A mudança no calendário do CNU abriu uma nova janela para essa retomada, pois Marcus havia estudado em janeiro e fevereiro, interrompido a preparação nos meses seguintes e voltado em junho, depois do adiamento da prova inicialmente marcada para maio.
No cálculo feito pelo próprio candidato, o período efetivo de preparação somou cerca de quatro meses, concentrados em etapas distintas e marcados pela necessidade de recuperar rapidamente o ritmo após uma pausa longa em relação ao cronograma que havia sido traçado.
PDFs, questões e cronograma próprio orientaram os estudos
Em vez de recorrer a aulas presenciais, o engenheiro concentrou a preparação em materiais digitais, usando PDFs, correções de provas disponíveis na internet, uma trilha de estudos direcionada ao CNU e consultas à legislação publicada em páginas oficiais.
A distribuição das disciplinas seguiu um cronograma próprio, ajustado ao tempo disponível e reformulado depois da interrupção, o que permitiu priorizar conteúdos mais difíceis sem abandonar a revisão de matérias já estudadas anteriormente durante a preparação.
Entre os pontos de maior dificuldade apareceu Engenharia Cartográfica, área com a qual Marcus afirmou não ter familiaridade anterior e que exigiu contato com conteúdos mais distantes de sua formação principal, além de atenção adicional durante o período de estudos.
Também houve obstáculos em temas fora do campo de gestão, enquanto exercícios e simulados serviram para consolidar o conteúdo já percorrido e medir o desempenho antes da prova, funcionando como parte prática de uma preparação construída majoritariamente com recursos digitais.
Na semana anterior ao exame, a rotina de quatro horas pela manhã e outras quatro à noite foi mantida, mas a prioridade passou para revisão e correção de questões, diante do tempo reduzido deixado pelos imprevistos enfrentados ao longo da preparação.
A prova discursiva também entrou no planejamento, embora com um período menor de preparação específica, concentrado principalmente na estrutura e nas técnicas de desenvolvimento do texto exigido, sem substituir a carga dedicada aos conteúdos objetivos do concurso.
Primeiro lugar no CNU garantiu classificação para o IBGE
O resultado colocou Marcus no topo da ampla concorrência para a especialidade de Engenharia Mecânica do IBGE, com 83,25 pontos na lista final do cargo e classificação dentro do número de vagas destinado à carreira de nível superior do instituto.
Para o ingresso, o edital previa R$ 8.453,00 como remuneração inicial, composta por vencimento básico de R$ 5.255,40 e gratificação de desempenho de R$ 3.197,60 calculada em 80 pontos, além de possibilidades adicionais vinculadas à avaliação e à titulação acadêmica.
Aprovação retomou uma possibilidade deixada no início da carreira
Antes dessa aprovação, Marcus já havia tido contato com concursos públicos no início da carreira, quando participou de uma seleção para Técnico do Tesouro Nacional, chegou a ser convocado e preferiu permanecer trabalhando em sua área de formação naquele momento.
Décadas mais tarde, a volta às seleções ocorreu em circunstâncias diferentes, com o objetivo declarado de encontrar uma via de retorno ao mercado de trabalho e de competir por uma vaga definida por critérios objetivos de classificação no serviço público.
A nomeação para o IBGE ocorreu dentro da primeira convocação do instituto para o CNU, formalizada pela Portaria nº 645, de 5 de junho de 2025, que reuniu candidatos chamados para os cargos disponibilizados pelo órgão e incluiu Marcus entre os analistas.
Com experiência profissional e acadêmica acumulada ao longo de décadas, ele levou para a preparação uma trajetória anterior extensa, mas precisou adaptá-la a uma rotina marcada por oito horas diárias de estudo, quatro meses efetivos de dedicação e uma pausa de 90 dias.
Experiência profissional encontrou nova rota no serviço público
Na avaliação do próprio engenheiro, planejamento e capacidade de reorganizar a rotina tiveram peso importante durante o processo, especialmente porque a interrupção exigiu uma retomada rápida antes da prova que definiria sua classificação e o avanço para a etapa de nomeação.
Até que ponto histórias como a de Marcus podem mudar a percepção de quem acredita que a idade avançada encerra as possibilidades de iniciar uma nova carreira no serviço público depois de décadas de experiência profissional?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

