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Estudantes de escola pública da Bahia usam robótica e papelão para criar dispositivo que monitora o ar e avisa quando clima seco pode afetar rotina escolar
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 18/08/2026 às 19:19
Atualizado em 18/08/2026 às 19:20
Ciência e Tecnologia
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Estudantes de Uauá criaram dispositivo com Arduino que acompanha umidade e temperatura e emite alerta quando identifica condições extremas.
Um problema percebido dentro das próprias salas de aula levou estudantes de uma escola pública de Uauá, no sertão da Bahia, a desenvolver uma tecnologia para acompanhar as condições do ambiente. Batizado de Climatech, o dispositivo mede umidade e temperatura e aciona um alerta visual quando identifica valores considerados extremos, permitindo que professores e alunos tenham uma referência objetiva antes de decidir como lidar com dias de clima mais severo.
O projeto começou na Escola Municipal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e já saiu da etapa de simples experiência para integrar a rotina da unidade. Existe atualmente um protótipo em funcionamento, enquanto o grupo responsável faz um levantamento para avaliar a produção de novas unidades e ampliar o acompanhamento para outros espaços da instituição.
Climatech transforma um dado invisível em aviso para a sala
Umidade baixa não pode ser percebida com precisão apenas pela sensação de desconforto. Por isso, o Climatech foi projetado para converter condições ambientais em números e, quando necessário, chamar a atenção por meio de uma luz vermelha.
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A programação considera uma faixa de referência de umidade relativa do ar entre 40% e 60%, citada no projeto a partir de orientações da Organização Mundial da Saúde. No protótipo, o sinal luminoso é acionado quando o índice fica abaixo de 30% ou ultrapassa 70%, além de acompanhar as alterações de temperatura.
Essas informações podem ajudar a equipe escolar a avaliar a situação de alunos mais sensíveis. Conforme relatado ao g1 pela monitora educacional Thayza Vieira dos Santos, medidas adotadas diante de condições desfavoráveis podem incluir o uso de máscaras ou até a liberação de estudantes que estejam apresentando problemas respiratórios.
Estudantes montaram o dispositivo com estrutura simples e portátil
O Climatech não depende de uma instalação fixa nem de equipamentos industriais. Os estudantes combinaram conhecimentos adquiridos na sala de robótica com materiais acessíveis, incluindo uma caixa de papelão utilizada para acomodar o sistema e permitir seu transporte.
Cada componente recebeu uma função específica dentro do protótipo:
- a lâmpada LED vermelha funciona como sinal imediato quando os parâmetros programados são ultrapassados;
- o painel LCD apresenta as medições para quem está acompanhando o ambiente;
- a placa Arduino recebe e interpreta os dados necessários ao funcionamento do sistema;
- o sensor ambiental identifica as alterações de umidade e temperatura;
- a estrutura de papelão mantém as peças reunidas em um equipamento que pode ser levado de um local para outro.
A escolha desse conjunto permitiu transformar uma ideia de feira de ciências em uma ferramenta que pode ser utilizada sem exigir uma infraestrutura complexa.
Problema observado pelos próprios alunos deu origem ao projeto
A iniciativa começou em 2025 com três alunos que procuravam uma pauta para desenvolver na área de robótica. A direção tomada pelo grupo surgiu da própria experiência vivida na escola, onde períodos de ar seco coincidiam com relatos frequentes de tosse, irritação nos olhos e crises de rinite e asma entre colegas.
Ao g1, Thayza explicou que essa realidade levou o grupo a procurar uma solução utilizando os recursos que já estavam disponíveis na instituição. Em vez de desenvolver uma tecnologia para um problema distante da comunidade, os alunos partiram de algo observado diariamente dentro da escola.
Essa origem também diferencia o Climatech como projeto educacional. Os conhecimentos de programação e eletrônica não foram aplicados apenas para demonstrar que um circuito funcionava, mas para responder a uma necessidade identificada por quem frequenta as salas todos os dias.
Ana Cllara e Henrique mantêm desenvolvimento do Climatech
A continuidade do trabalho está atualmente nas mãos de Ana Cllara Ribeiro dos Santos, de 14 anos, e do colega Henrique Ribeiro Leal. A estudante acredita que a ideia pode ultrapassar os limites da própria instituição e chegar a outros locais onde o monitoramento ambiental seja útil.
Ana Cllara disse que enxerga potencial para ampliar bastante o projeto. A perspectiva é que uma solução criada em uma escola do sertão possa ser adaptada conforme novas necessidades apareçam e alcance públicos diferentes daqueles envolvidos na experiência inicial.
Thayza também considera possibilidades fora do ambiente educacional. Postos de saúde e hospitais foram mencionados como exemplos de locais que poderiam, futuramente, explorar uma tecnologia baseada no mesmo princípio de acompanhamento das condições do ar.
Primeiro passo é espalhar novos dispositivos pela própria escola
Apesar das possibilidades externas, a prioridade dos estudantes continua dentro da Escola Municipal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. O grupo realiza um mapeamento para entender como aumentar a quantidade de equipamentos e tornar os dados acessíveis a mais professores e turmas.
A expansão permitiria que o monitoramento deixasse de depender de um único aparelho circulando pela instituição. Com novos protótipos, diferentes pontos poderiam ser acompanhados conforme as necessidades identificadas pela equipe.
O Climatech mostra, assim, uma aplicação direta da robótica escolar: um dispositivo construído a partir de um problema vivido pelos próprios alunos e que agora pode evoluir conforme eles observam seus resultados. Para os estudantes de Uauá, a tecnologia deixou de ser apenas conteúdo de aula e passou a funcionar como ferramenta para interpretar o ambiente onde estudam todos os dias.
Fonte
G1
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

