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Barista autista encontra apenas US$ 2 após furto de gorjetas, mas moradores lotam cafeteria inclusiva e devolvem mais de US$ 900 em apenas dois dias
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 27/08/2026 às 18:48
Atualizado em 27/08/2026 às 18:49
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Michael Coyne, coproprietário e barista da Red White and Brew Coffeehouse, ficou mais abalado pela quebra de confiança do que pela perda de cerca de US$ 20, e a reação dos moradores de Warwick levou mais de US$ 900 ao local em apenas dois dias.
Em 4 de março de 2026, Michael Coyne encontrou apenas US$ 2 no recipiente em que esperava ver cerca de US$ 20 em gorjetas. O barista autista também é coproprietário da Red White and Brew Coffeehouse, uma cafeteria inclusiva localizada em Warwick, no estado de Rhode Island, nos Estados Unidos.
A informação foi publicada por The Washington Post, jornal dos Estados Unidos com cobertura nacional e internacional. Para Michael, o golpe maior não estava no valor retirado, mas na sensação de que alguém havia quebrado a confiança construída com os clientes.
A história mudou de rumo quando a família contou o ocorrido nas redes sociais. O prefeito incentivou a população a visitar o estabelecimento, a polícia providenciou outro recipiente e os moradores deixaram mais de US$ 900 em gorjetas durante dois dias.
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O furto de US$ 20 quebrou uma rotina baseada em confiança
Michael, de 30 anos, trabalha no caixa, prepara bebidas e recebe diariamente muitos clientes habituais. Ele considera amigos todos os que entram na cafeteria, por isso a retirada das gorjetas teve um peso pessoal maior do que o valor perdido.
O estabelecimento tinha uma câmera de segurança na parte da frente, porém o equipamento não alcançava a área do caixa. O dinheiro ficava em um recipiente aberto de aço inoxidável, pois ninguém havia demonstrado preocupação com furtos naquele ambiente.
Sheila Coyne, mãe de Michael e parceira na administração do café, chegou a oferecer a reposição do dinheiro. Ele recusou. A reação mostrou que o episódio não poderia ser resolvido apenas com outros US$ 20, porque a tristeza vinha da atitude de quem levou a quantia.
Uma cafeteria criada depois de portas fechadas no mercado de trabalho
A Red White and Brew Coffeehouse abriu em 2019, depois que Michael, que está no espectro autista, passou cerca de quatro anos tentando conseguir trabalho. O interesse dele estava no serviço de alimentação, mas as tentativas não avançavam nem mesmo para uma entrevista.
Sheila retirou dinheiro de sua aposentadoria e criou a cafeteria com o filho. O negócio nasceu para oferecer a Michael uma oportunidade de trabalho e contato com a comunidade, não apenas uma atividade passageira ou simbólica.
O café cresceu e mudou para um ponto maior e mais central em 2024. No novo espaço, a empresa emprega pessoas com deficiência, realiza encontros mensais para essas pessoas e suas famílias e oferece preparação profissional a estudantes da educação especial.
Uma loja de presentes funciona dentro da cafeteria. Muitos itens expostos são produzidos por pessoas com deficiência que precisavam de um lugar para vender o próprio trabalho, o que amplia o papel inclusivo do estabelecimento.
Polícia, vídeo da família e prefeito mobilizaram os moradores
No dia seguinte ao furto, o chefe da polícia de Warwick visitou o café e ouviu Michael. Além de informar que o caso seria investigado, ele preparou um novo recipiente de plástico com tampa para substituir o antigo modelo aberto.
Michael e Sheila gravaram um vídeo para contar o que havia ocorrido e alertar outras pessoas. A publicação espalhou a história pela comunidade sem transformar o episódio em um pedido direto de reposição do dinheiro.
The Washington Post, jornal dos Estados Unidos com cobertura nacional e internacional, detalhou a participação de Frank Picozzi, prefeito de Warwick. Ele condenou o furto, pediu que moradores passassem pelo local e cumpriu a promessa de visitar o café no dia seguinte.
A combinação entre o vídeo, a manifestação do prefeito e a presença da polícia aumentou a circulação de clientes. O que começou com a perda de cerca de US$ 20 passou a provocar uma demonstração pública de apoio ao barista e aos colegas.
A fila que devolveu mais de US$ 900 e parte da confiança
Um fluxo contínuo de desconhecidos entrou na cafeteria para comprar bebidas, conversar com Michael e deixar gorjetas. Em apenas dois dias, o total entregue pessoalmente ultrapassou US$ 900.
Assista o vídeo
Entre os visitantes estava uma mulher que contou ter um filho autista de 15 anos. Ela comprou uma bebida com café e entregou uma nota de US$ 100 a Michael, que ficou sem palavras diante do gesto.
O responsável pelo furto ainda não havia sido identificado quando o caso foi publicado. Mesmo sem essa resposta, a reação coletiva mostrou a Michael que a atitude de uma pessoa não representava toda a comunidade que frequentava o seu local de trabalho.
O que diferencia essa cafeteria inclusiva de um café comum
Michael é coproprietário, barista e trabalhador adulto, atende no caixa e prepara os pedidos. A cafeteria surgiu porque o mercado de trabalho não lhe ofereceu espaço, mas passou a beneficiar também outros profissionais com deficiência.
A operação ainda enfrentava dificuldades financeiras após a mudança de endereço em 2024. Os familiares que ajudavam no estabelecimento não recebiam salário, Michael tinha nas gorjetas a sua única renda e Sheila realizava trabalhos de consultoria para sustentar a família.
Por isso, o apoio dos moradores teve um efeito concreto. Ainda assim, o significado da mobilização foi além do dinheiro, pois o movimento reuniu clientes, autoridades locais e famílias em torno de um negócio que oferece trabalho, convivência e espaço de venda.
Dos US$ 20 levados a uma resposta que mudou o ambiente do café
O furto deixou apenas US$ 2 no recipiente de Michael e abalou uma relação diária construída com clientes habituais. A mobilização posterior levou mais de US$ 900 ao café em dois dias e transformou um episódio de desconfiança em uma demonstração direta de apoio.
A história também mostra por que a Red White and Brew Coffeehouse é diferente: ali, pessoas com deficiência trabalham, vendem o que produzem e encontram espaço na comunidade.
Você conhece algum negócio inclusivo como esse? Conte nos comentários e compartilhe a história com quem valoriza oportunidades de trabalho para todos.
Fonte
The Washington Post
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

