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Comerciante de loja de sapatos de 34 anos precisou colocar placa de fechamento em sua porta, mas ação da filha nas redes sociais criou filas de duas horas de espera e evitou que o negócio fosse encerrado
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 27/08/2026 às 19:10
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A loja de sapatos em Londres estava perto de encerrar as atividades após 34 anos, mas vídeos com mais de 300 mil visualizações apresentaram modelos dos anos 2000 aos jovens, formaram filas na calçada e deram novo fôlego ao pequeno comércio.
Rachid Lazraq já havia colocado a placa de fechamento na pequena loja de sapatos em Londres que manteve por 34 anos. A calçada estava sem movimento, embora o estabelecimento ainda guardasse muito estoque, até que vídeos nas redes sociais mudaram a cena e atraíram filas de até duas horas.
O comerciante de 59 anos planejava fechar a Rich Collection Italia no fim de junho de 2026. Poucos dias após a reação do público, ele retirou a placa e voltou a receber mercadorias, enquanto a filha, Zineb Lazraq, passou a ajudar no atendimento e na divulgação.
A informação foi publicada pela PEOPLE, revista de notícias e histórias de interesse humano. O caso mostra como produtos antigos para uma família podem ganhar outro significado quando chegam ao público certo.
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A placa de fechamento
Durante muitos anos, a rua de Shoreditch, no leste de Londres, reuniu várias lojas de calçados parecidas com a Rich Collection Italia. Com a transformação do bairro, os aluguéis ficaram mais caros e os pequenos estabelecimentos começaram a desaparecer. Redes comerciais, cafeterias e negócios voltados ao novo público ocuparam mais espaço.
Esse processo é chamado de gentrificação. Ele acontece quando uma área muda, fica mais valorizada e passa a receber moradores e empresas com outro perfil. Na prática, os custos aumentam e parte do comércio tradicional perde tanto os clientes antigos quanto as condições de permanecer no mesmo endereço.
A clientela de Rachid era formada em grande parte por consumidores africanos mais velhos. Essas pessoas deixaram de visitar Shoreditch com a mesma frequência, enquanto as compras pela internet cresceram e mudaram a forma de procurar sapatos. Rachid entendeu que o ciclo da loja havia chegado ao fim.
O fechamento estava previsto para o fim de junho. A placa já estava na loja, mas a melhora das vendas permitiu que fosse retirada em 10 de junho de 2026, antes da data planejada para o encerramento.
300 mil visualizações em uma noite
A virada começou em maio de 2026, quando uma criadora francesa publicou um vídeo sobre a loja e apresentou o endereço como um achado escondido. A gravação passou de 300 mil visualizações e revelou que os calçados guardados por Rachid despertavam interesse muito além da clientela tradicional.
Zineb, de 25 anos, cresceu vendo aqueles modelos e acreditava que muitos deles interessavam apenas a mulheres mais velhas. Ao observar a reação nas redes, percebeu que sandálias associadas à estética dos anos 2000 estavam voltando ao gosto de pessoas da idade dela.
Ela não criou uma coleção diferente nem mudou a essência do negócio. Zineb usou a experiência com edição de vídeo, adquirida no trabalho como jornalista, para mostrar os produtos que o pai já vendia. Seu próprio conteúdo ganhou alcance, as filas começaram a aparecer e a divulgação da loja se tornou parte da rotina dela.
@itszinebxo
Replying to @nico after being made redundant two months ago, I am now working at my dad’s viral Y2K shop in Shoreditch!🥳💗 It’s been surreal seeing the reaction on here after a few tough years of the shop being so quiet, so grateful I can help out and I’m having so much fun💗🥹👠 #richcollection #hiddengem #shoeshopping #shoreditch #y2k
♬ Pink – Lizzo
O ponto central foi a forma de apresentar o estoque. Aquilo que parecia antigo para uma geração foi percebido como estiloso por outra. A mudança ocorreu na comunicação e no público alcançado, não no produto que estava nas prateleiras.
Duas horas de fila
Depois dos vídeos, jovens passaram a esperar até duas horas na calçada para entrar na Rich Collection Italia. Muitos procuravam sandálias e outros modelos ligados ao visual dos anos 2000, com preços em torno de US$ 75 por par.
A PEOPLE, revista de notícias e histórias de interesse humano, registrou que o aumento da procura obrigou a família a reorganizar o atendimento. Zineb entrou no varejo sem experiência anterior e precisou aprender enquanto recebia os novos clientes.
O movimento também permitiu contratar Nawal, uma moradora da região, para ajudar na loja. Até o restaurante japonês vizinho percebeu melhora nas vendas com o fluxo de pessoas. Assim, o efeito chegou a outros trabalhadores e negócios da rua.
O que o caso ensina ao pequeno comércio
A história lembra a realidade de lojas familiares em bairros tradicionais do Brasil. Muitos desses estabelecimentos enfrentam aluguéis crescentes, grandes redes e plataformas de venda, além da dificuldade de conversar com consumidores mais jovens sem abandonar quem já compra no local.
O caso de Rachid mostra que redes sociais podem funcionar como uma nova vitrine. Um vídeo simples pode revelar detalhes, estilos e histórias que não aparecem para quem passa longe da loja. A contribuição de Zineb foi traduzir o estoque do pai para a linguagem de outra geração.
Mesmo assim, visualização precisa virar relacionamento e venda recorrente. A família começou a preparar um site, abriu uma área de vendas no TikTok e recebeu mensagens de pessoas de vários países. Ainda faltava cadastrar parte dos produtos, organizar a operação virtual e manter a divulgação enquanto o atendimento presencial continuava.
Rachid voltou a receber novos modelos pela primeira vez desde a pandemia de Covid e a loja permaneceu aberta por prazo indefinido. Ao mesmo tempo, ele se aproximava dos 60 anos e o trabalho no varejo exigia energia. Por isso, o futuro ainda depende de planejamento, presença digital e capacidade para atender sem perder o caráter familiar.
A loja ganhou tempo, mas o futuro continua aberto
A placa saiu da porta porque uma geração nova encontrou valor em produtos que já estavam ali. O resultado deu tempo à Rich Collection Italia, criou um emprego e devolveu movimento à calçada, sem exigir que o comerciante abandonasse a identidade construída durante 34 anos.
O episódio não oferece uma fórmula pronta para salvar todo pequeno negócio. Ele mostra que conhecer o estoque, identificar quem pode desejar os produtos e comunicar isso com clareza pode abrir uma oportunidade real, desde que a atenção recebida seja transformada em trabalho constante.
Você acredita que as redes sociais podem ajudar as lojas tradicionais do seu bairro? Conte sua experiência nos comentários e compartilhe esta história.
Fonte
PEOPLE
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

