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Caseiro deixou Minas com a esposa e 3 filhos para buscar mais oportunidades, construiu com bambu, arame e madeira um quarto para a filha estudar e, depois de fazer o Enem ao lado dela sem sequer ter o ensino médio, conseguiu a certificação e passou a cursar Direito na mesma faculdade, onde os dois chegaram a dividir o lanche quando o dinheiro apertava
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 08/08/2026 às 19:32
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Mudança de cidade, espaço improvisado no quintal e uma rotina de estudos compartilhada conectaram pai e filha em uma trajetória marcada por trabalho, faculdade e apoio familiar, até que o homem responsável por incentivar a jovem também passou a perseguir o próprio diploma.
Ao deixar Eugenópolis, em Minas Gerais, com a esposa e os três filhos, Paulo Cassin buscava ampliar as oportunidades de estudo da família em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, enquanto trabalhava como caseiro para sustentar a nova rotina.
Foi nesse contexto que ele acompanhou de perto o esforço da filha Gisele Cassin na faculdade e, percebendo que a jovem não dispunha de um lugar adequado para estudar, decidiu preparar no quintal um pequeno ambiente com bambu, arame, telha e madeira.
Por trás daquele gesto, porém, existia também um projeto pessoal ainda não realizado: sem ter concluído o ensino médio, Paulo fez o Enem na mesma época que a filha, conseguiu a certificação escolar e, mais tarde, ingressou no curso de Direito.
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A partir daí, pai e filha passaram a frequentar a mesma faculdade e dividiram muito mais do que compromissos acadêmicos, pois as dificuldades financeiras chegaram a ser sentidas nos intervalos das aulas, quando os dois precisaram compartilhar o lanche disponível.
Quartinho de bambu surgiu da necessidade de estudar
Antes que o espaço fosse construído, Gisele dividia o quarto com os dois irmãos mais novos e procurava alternativas para conseguir concentração, recorrendo algumas vezes à varanda ou esperando a casa ficar mais silenciosa para utilizar a cozinha durante os estudos.
Nos períodos em que precisava permanecer do lado de fora, o frio característico da região também fazia parte dessa rotina, situação que levou Paulo a observar mais atentamente as condições enfrentadas pela filha enquanto ela tentava acompanhar as exigências da graduação.
Aproveitando materiais disponíveis, o caseiro transformou uma área do quintal em um ambiente reservado para Gisele, criando uma estrutura simples, com chão de terra, mas capaz de oferecer o silêncio e a privacidade de que ela precisava para permanecer concentrada.
Segundo o portal Sou Petrópolis, a família havia saído de Eugenópolis e passado a viver em uma casa de caseiro em Itaipava, distrito de Petrópolis, onde Paulo conciliava o trabalho diário com o desejo de ampliar as possibilidades educacionais dos filhos.
Enem abriu caminho para o ensino superior
Quando o quartinho ficou conhecido, Gisele cursava Direito com bolsa na Universidade Estácio de Sá e dedicava parte importante da rotina aos estudos, enquanto o próprio pai também havia conquistado uma bolsa e frequentava o mesmo curso na instituição.
Assim, o trabalhador que passava o dia exercendo a função de caseiro assumia à noite outro papel, tornando-se universitário na mesma faculdade da filha e vivendo uma experiência acadêmica que, até pouco tempo antes, ainda dependia da conclusão do ensino médio.
Para alcançar essa etapa, Paulo precisou primeiro resolver uma pendência escolar antiga e decidiu fazer o Exame Nacional do Ensino Médio ao lado de Gisele, numa época em que o Enem ainda possibilitava a certificação dessa fase para participantes que cumprissem os requisitos.
Depois de obter o certificado, ele manteve os estudos e chegou inicialmente a começar outra graduação, embora o interesse pelo Direito continuasse presente, até que a própria filha percebeu esse desejo e decidiu inscrevê-lo para tentar uma vaga no curso que frequentava.
Com a aprovação, os dois passaram a compartilhar o caminho universitário de maneira ainda mais próxima, dividindo deslocamentos, estudos, compromissos acadêmicos e imprevistos que transformaram a faculdade em uma experiência vivida simultaneamente por duas gerações da mesma família.
Dinheiro curto também marcou a rotina acadêmica
Nem todos os dias dessa trajetória transcorreram sem dificuldades, já que problemas com a motocicleta usada por pai e filha chegaram a complicar o deslocamento, enquanto o orçamento apertado criou situações em que ambos precisaram repartir o que havia para comer nos intervalos.
Nesse percurso, a relação de apoio ganhou uma nova configuração, porque Paulo havia mudado de estado buscando melhores condições para os filhos e construído um lugar onde Gisele pudesse estudar, enquanto ela passou depois a participar diretamente da realização acadêmica do pai.
O incentivo recebido pela jovem retornou, então, em sentido inverso: depois de contar com o esforço de Paulo para seguir na graduação, Gisele ajudou a aproximá-lo do Direito, acompanhando sua permanência nos estudos e participando de uma etapa que antes pertencia apenas ao sonho dele.
Espaço preparado para a filha ganhou nova função
À medida que Gisele avançava na formação, o pequeno ambiente construído no quintal começou a mudar de função, pois o lugar pensado inicialmente para garantir privacidade à jovem passou a ser utilizado com frequência cada vez maior pelo próprio Paulo.
Em uma atualização sobre a família, a estudante já havia concluído as disciplinas da graduação e sido aprovada no trabalho de conclusão de curso, enquanto o pai seguia matriculado no oitavo período de Direito e mantinha sua própria rotina acadêmica.
Naquele estágio, Paulo também utilizava o quartinho para estudar conteúdos relacionados ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil, fazendo com que o espaço criado para apoiar a formação da filha se tornasse igualmente parte de seu caminho dentro do ensino superior.
História saiu do quintal e ganhou repercussão
A trajetória ganhou alcance nacional depois que Gisele publicou nas redes sociais uma homenagem ao pai e apresentou o ambiente preparado por ele, levando a simplicidade da construção e a experiência dos dois a programas de televisão e públicos distantes de Petrópolis.
Muito antes dessa repercussão, porém, aquela rotina já fazia parte do cotidiano familiar, com Gisele avançando no curso de Direito e buscando oportunidades profissionais enquanto Paulo mantinha o trabalho como caseiro e seguia progredindo em sua própria graduação.
Embora estivessem em momentos distintos da formação, pai e filha passaram a dividir uma parte decisiva do percurso acadêmico, ligando o apoio oferecido por Paulo no início da história ao incentivo que ele próprio receberia de Gisele nos anos seguintes.
Educação passou de uma geração para outra
Entre os motivos que levaram Paulo a sair de Minas Gerais estava a intenção de oferecer melhores oportunidades educacionais aos filhos, propósito que mais tarde ganhou outro significado quando Gisele começou a acompanhar a retomada escolar e a entrada do pai no ensino superior.
Depois de receber dele condições para continuar estudando, a filha participou da realização de um projeto que havia permanecido adiado, fazendo com que o investimento de Paulo na educação familiar passasse também a alcançar sua própria trajetória como estudante universitário.
Feito originalmente com materiais simples para que Gisele não precisasse estudar na varanda ou esperar a casa inteira dormir, o quartinho permaneceu ligado aos dois momentos, primeiro como apoio à graduação dela e, depois, como espaço frequente de estudos do pai.
Ao observar uma história em que o incentivo à educação circulou entre duas gerações e transformou tanto a rotina da filha quanto a do próprio pai, quantas outras trajetórias poderiam mudar quando o apoio familiar encontra espaço para retornar no momento certo?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

