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De família de baixa renda, jovem de 20 anos saía de casa às 8h, trabalhava como vendedor de roupas das 9h45 às 19h e estudava sozinho com vídeos da internet, até conquistar duas vagas em Medicina, na USP e na Universidade Federal de Juiz de Fora
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 08/08/2026 às 19:31
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Rotina marcada por trabalho em período integral, longos deslocamentos e preparação independente acompanhou a trajetória de um jovem de baixa renda até duas aprovações em Medicina. Entre expediente, estudo autônomo e desafios financeiros, a conquista abriu uma nova etapa acadêmica longe de sua cidade.
Aos 20 anos, Nicollas Furtado conciliava uma jornada diária como vendedor de roupas com a preparação para um dos cursos mais disputados do ensino superior, encaixando os estudos no período restante entre deslocamentos, expediente e a volta para casa no início da noite.
Morador de Juiz de Fora, em Minas Gerais, ele saía de casa às 8h, começava a trabalhar às 9h45 e permanecia na loja até as 19h, chegando novamente à residência por volta das 20h para então aproveitar o tempo disponível para estudar sozinho.
Nesse intervalo fora do trabalho, parte da preparação era feita com vídeos encontrados na internet, recurso que permitia ao jovem continuar avançando nos conteúdos mesmo sem uma rotina dedicada exclusivamente ao vestibular ou disponibilidade integral para frequentar aulas presenciais.
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O esforço resultou em duas aprovações em Medicina, uma na Universidade de São Paulo, a USP, e outra na Universidade Federal de Juiz de Fora, a UFJF, encerrando uma preparação conduzida paralelamente ao emprego e mantida desde um objetivo cultivado na infância.
A notícia de uma das aprovações chegou justamente durante o expediente, quando Nicollas ainda estava trabalhando na loja e pediu a uma colega do caixa que consultasse a lista de classificados na internet, sem acreditar inicialmente que encontraria o próprio nome entre os selecionados.
Confirmada ali mesmo, dentro do estabelecimento onde cumpria sua jornada diária, a aprovação reuniu dois lados da trajetória: o emprego que ocupava a maior parte do dia e a preparação feita nos períodos disponíveis para tentar ingressar em Medicina.
Jornada de trabalho ocupava quase todo o dia
Embora o expediente começasse às 9h45, o deslocamento fazia Nicollas deixar a residência às 8h, acrescentando quase duas horas à rotina antes mesmo do início do trabalho e reduzindo ainda mais a quantidade de tempo que poderia reservar aos estudos.
Encerrada a jornada às 19h, havia ainda o trajeto de volta até a residência, onde chegava aproximadamente uma hora depois; somente a partir desse momento o estudante conseguia reorganizar o restante da noite entre descanso, preparação e revisão dos conteúdos.
Para adaptar o objetivo à realidade disponível, o jovem não dependia exclusivamente de aulas presenciais e recorria a alternativas que pudessem caber no cotidiano, entre elas vídeos encontrados na internet e materiais utilizados de maneira autônoma nos períodos em que conseguia estudar.
O cansaço também atravessava essa rotina, já que, segundo Nicollas relatou ao Só Notícia Boa, o horário do trabalho limitava a preparação e a própria fadiga interferia no rendimento, embora ele tenha mantido os estudos enquanto continuava empregado como vendedor.
Sonho de cursar Medicina vinha desde a infância
A intenção de cursar Medicina não surgiu apenas às vésperas do vestibular, pois Nicollas dizia querer ser médico desde pequeno, ainda que durante parte da trajetória considerasse que alcançar esse curso exigiria uma estrutura financeira e familiar diferente daquela que possuía.
Mesmo diante dessa percepção, ele continuou tentando e já havia conseguido aprovação em outro curso em 2021, mas optou por prosseguir com a preparação porque a vaga conquistada naquele momento não substituía o objetivo de ingressar em Medicina.
Manter o emprego enquanto estudava passou, assim, a fazer parte da estratégia adotada para continuar tentando, em uma preparação que precisava dividir espaço com a saída de casa pela manhã, o deslocamento, várias horas de atendimento na loja e o retorno somente à noite.
Aprovação veio em Medicina na USP e na UFJF
Quando os resultados finalmente chegaram, não havia apenas uma vaga, mas duas aprovações em instituições públicas, uma na Universidade Federal de Juiz de Fora, situada na cidade onde Nicollas morava, e outra na Universidade de São Paulo, destino escolhido pelo estudante.
A decisão de seguir para a USP provocou também uma mudança imediata na vida profissional, já que ele deixou o emprego de vendedor depois das aprovações para direcionar o tempo à nova etapa acadêmica e reorganizar a rotina em função do curso.
O trabalho que havia acompanhado toda a preparação para o vestibular deixava, então, de ocupar o centro dos dias, enquanto a graduação passava a exigir dedicação integral e uma mudança que também envolvia sair de Juiz de Fora para viver em São Paulo.
Permanência em São Paulo trouxe novo desafio financeiro
Ingressar na universidade, entretanto, não eliminava as dificuldades financeiras mencionadas pelo próprio estudante, que se identificou como integrante de uma família de baixa renda e afirmou precisar buscar recursos para conseguir se manter em São Paulo durante a formação.
A mudança acrescentava despesas em outra cidade justamente no momento em que Nicollas deixava o emprego, fazendo com que a conquista da vaga fosse acompanhada pela necessidade de organizar moradia, sustento e demais custos relacionados à permanência universitária longe de casa.
Enquanto começava a estruturar essa nova fase, ele buscava maneiras de financiar a permanência e considerava, entre as possibilidades, os auxílios oferecidos pela própria universidade, embora esses recursos não fossem imediatos nem estivessem automaticamente garantidos a todos os estudantes.
Segundo Nicollas, havia disputa pelo acesso aos benefícios e o custo de vida na capital paulista representava outro obstáculo, fazendo com que a aprovação resolvesse a etapa de entrada no curso, mas abrisse uma necessidade diferente de planejamento para permanecer estudando.
Estudo independente precisou caber entre trabalho e deslocamentos
Os horários ajudam a dimensionar a preparação: enquanto o expediente ocupava das 9h45 às 19h, as horas restantes precisavam comportar deslocamentos, descanso e uma rotina de estudos que continuava sendo feita de forma independente, conforme o tempo disponível permitia.
Nesse percurso, os vídeos disponíveis na internet estiveram entre as ferramentas usadas para estudar, permitindo que Nicollas adaptasse parte da preparação à própria agenda sem transformar o aprendizado autônomo em uma fórmula única ou abandonar o trabalho que mantinha durante as tentativas.
Ao mesmo tempo, a aprovação alterou a relação que ele mantinha com a própria USP, universidade anteriormente vista como uma possibilidade distante por causa de obstáculos financeiros e familiares, mas que passou a representar uma vaga efetivamente conquistada após a divulgação do resultado.
Dentro da loja, essa mudança se tornou concreta quando a consulta feita durante um dia comum de trabalho mostrou que a preparação conduzida fora do expediente havia terminado em duas aprovações em Medicina e colocado diante do jovem a possibilidade real de escolher onde estudar.
Depois de optar pela USP, a dificuldade deixou de ser apenas encontrar horas para estudar após o expediente e passou a envolver dedicação ao curso e condições de permanência em São Paulo, exigindo uma nova organização da vida acadêmica e financeira.
Quem saía de casa às 8h, retornava por volta das 20h e estudava no período restante passou a reorganizar toda a rotina em torno da graduação que buscava desde criança, agora com o desafio de se manter na cidade escolhida para cursar Medicina.
Para quem precisa dividir o objetivo de entrar na universidade com emprego, deslocamentos e limitações financeiras, qual parte de uma rotina como a de Nicollas você considera mais difícil de superar?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

