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Catadores que antes procuravam recicláveis em contêineres públicos criaram uma cooperativa, passaram a atender 840 mil imóveis na Índia e desviaram 220 toneladas por dia dos aterros
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 03/08/2026 às 20:13
Meio Ambiente
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Em Pune, 3.500 catadores transformaram a coleta de resíduos ao criar uma cooperativa controlada pelos trabalhadores, atender 3,36 milhões de pessoas, ampliar a reciclagem e reduzir os gastos municipais com transporte e descarte.
Em Pune, na Índia, catadores que antes procuravam materiais recicláveis dentro de contêineres públicos passaram a realizar a coleta diretamente nos imóveis. A mudança colocou 3.500 trabalhadores no atendimento de 840 mil propriedades e encaminhou 220 toneladas de resíduos por dia para reciclagem.
A informação foi publicada em abril de 2021 por Resilient Cities Network, rede internacional voltada à resiliência das cidades. O estudo registrou que a cooperativa SWaCH atendia aproximadamente 3,36 milhões de moradores no período analisado.
O modelo reconheceu um serviço que já existia, mas era realizado em condições precárias. Com identificação, equipamentos e acesso garantido aos recicláveis, os catadores passaram a receber diretamente dos moradores e a ocupar uma posição formal na gestão de resíduos da cidade.
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De contêineres públicos à coleta reconhecida pela cidade
Antes da organização dos trabalhadores, os moradores depositavam os resíduos em contêineres públicos. Os catadores precisavam procurar plástico, papel, vidro e outros materiais aproveitáveis em meio ao lixo misturado.
Além das condições pouco higiênicas, a atividade oferecia uma renda imprevisível. Os trabalhadores não tinham direito de cobrar pela coleta, nem acesso garantido a programas de seguro médico e pensões.
Cerca de 80% dos catadores informais eram mulheres de grupos socialmente marginalizados. Mesmo retirando materiais das ruas e reduzindo o volume levado aos aterros, essas profissionais ainda enfrentavam preconceito e pouca segurança financeira.
Sindicato provou que catadores já reduziam gastos municipais
Em 1993, os trabalhadores criaram o sindicato Kagad Kach Patra Kashtakari Panchayat, conhecido pela sigla KKPKP. A organização passou a defender os catadores e a calcular quanto o serviço realizado por eles economizava para Pune.
A cidade adotou novas regras de coleta em 2000, quando apenas 7% dos imóveis recebiam atendimento porta a porta. O governo municipal considerava entregar a atividade a empresas privadas, mas os catadores mostraram que já faziam parte da solução.
Algumas famílias começaram a pagar uma pequena taxa para receber a coleta em casa. Em troca, os trabalhadores mantinham o direito de separar e vender os materiais recicláveis encontrados nos resíduos.
Cooperativa SWaCH criou renda direta e acesso aos recicláveis
Um projeto experimental iniciado em 2005 forneceu equipamentos básicos e testou a coleta residencial feita pelos catadores. A experiência abriu caminho para a criação da SWaCH em 2007.
A SWaCH foi estruturada como uma cooperativa controlada pelos próprios trabalhadores. O governo municipal fornecia parte dos equipamentos, enquanto os moradores pagavam uma taxa pelo serviço recebido.
A cobrança direta tornou a renda mais previsível. Os catadores também preservaram o acesso aos recicláveis, que podiam ser separados e vendidos para complementar os ganhos.
Os profissionais trabalhavam em duplas e atendiam entre 150 e 400 imóveis. Nas comunidades informais, onde havia menos materiais com valor comercial, o serviço recebia um subsídio por residência.
Coleta porta a porta levou separação a 840 mil imóveis
Os catadores utilizavam identificação, uniformes e carrinhos preparados para a coleta manual. A presença regular nas ruas também facilitava o contato com os moradores e a organização dos horários.
Depois da coleta, os recicláveis eram encaminhados aos pontos de separação e vendidos. Os resíduos orgânicos podiam seguir para compostagem, processo que transforma restos de alimentos em material aproveitável no solo.
A parte sem possibilidade de reaproveitamento seguia para o sistema municipal de descarte. Essa divisão evitava que todos os resíduos fossem misturados e transportados diretamente aos aterros.
A Resilient Cities Network, rede internacional voltada à resiliência das cidades, reuniu os resultados alcançados. No período analisado, os 840 mil imóveis representavam 72% das propriedades atendidas pela coleta porta a porta em Pune.
Reciclagem desviou 220 toneladas diárias dos aterros
A rede formada pelos 3.500 catadores coletava mais da metade dos resíduos municipais. Desse volume, aproximadamente 220 toneladas por dia eram retiradas do caminho dos aterros e encaminhadas para reciclagem.
A economia municipal ultrapassava 160 milhões de rúpias por ano, quantia apresentada no estudo como equivalente a US$ 2 milhões. O valor estava relacionado à redução dos custos de coleta, transporte e descarte de plástico reciclável.
Assista o vídeo
O alcance também ajuda a dimensionar a estrutura criada pelos trabalhadores. Em uma comparação apenas ilustrativa, atender 3,36 milhões de pessoas significa alcançar uma população maior que a de Brasília, embora as duas cidades tenham características diferentes.
Inclusão garantiu identificação e acesso a benefícios
Os integrantes da SWaCH receberam cartões de identificação e acesso a programas públicos de seguro médico e pensões. Um serviço de atendimento também auxiliava os trabalhadores na procura por benefícios e na solução de problemas ligados à atividade.
A parceria mudou a relação entre moradores, catadores e governo municipal. Quem antes trabalhava sem reconhecimento passou a cobrar pela coleta, conservar o direito aos recicláveis e participar da organização do serviço.
O caso de Pune mostrou que a inclusão dos catadores pode fortalecer a coleta e reduzir gastos públicos. A cidade não precisou afastar os profissionais que já conheciam as ruas, os resíduos e o mercado de reciclagem.
Com 840 mil imóveis atendidos e 220 toneladas recuperadas diariamente, a cooperativa transformou uma atividade informal em parte importante da gestão municipal de resíduos.
Se os catadores já prestam um serviço essencial, por que tantas cidades ainda não os colocam no centro da coleta e da reciclagem? Deixe sua opinião e compartilhe.
Fonte
Resilient Cities Network
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

